17 de mar. de 2010

A ascensão dos shoppings populares.

Matéria publicada na Revista Varejo e Oportunidades Janeiro/Fevereiro 2010.

O aumento do poder de compra das classes C, D e E causou forte impacto no varejo. A entrada de novos consumidores no mercado acelera o lançamento de shoppings até com nova rede de cinema mexicano.
Por Viviane Lopes

Antes do boom da classe C, o Shopping Popular da Madrugada de São Paulo já antecipava o surgimento dos empreendimentos voltados para esse público. Inaugurado em 2005, foi uma alternativa legalizada ao comércio realizado nas ruas do Brás e 25 de Março.
Atualmente, o espaço de 70.000m2 recebe 800 mil pessoas todo mês. A grande maioria de outras cidades e estados, em busca de produtos a preços populares para revenda. O shopping tem 5 mil boxes, com um valor médio de locação a R$ 400,00 cada. A maior parte, 85%, vende vestuário e os demais trabalham com bijuterias, bolsas, cintos, cama, mesa, banho e acessórios diversos. Todos os produtos têm garantia de procedência e nota fiscal. E para maior conforto dos compradores há telefones públicos, quiosques de alimentação, enfermaria, caixas eletrônicos, seguranças e pousada para mais de 400 motoristas e guias que trazem compradores diariamente.
No último ano, o crescimento foi de 12% e o mercado aquecido deve manter o aumento em 2010. O motivo do crescimento contínuo certamente está no modelo diferenciado de negócio: “É possível comprar varejo também no Shopping Popular, mas o grande diferencial é que eles vendem para lojistas e sacoleiros de outras regiões, em quantidade, sem intermediários e com preços mais acessíveis”, explica o diretor de Marketing Giovan Ferreira.
O sucesso do novo segmento popular é inegável e empreendimentos com foco no consumidor final também estão em alta. A Rep Centros Comerciais desenvolveu um modelo especialmente voltado para a nova classe média brasileira. E o primeiro shopping da capital com este conceito, o Mais Shopping Largo 13, será inaugurado em outubro de 2010.


Com investimento de R$ 200 milhões, ficará localizado estrategicamente no maior pólo comercial da capital. Para o consumidor, será um centro de compras de passagem, com todo conforto de que um shopping oferece e a presença de grandes nomes do varejo como Magazine Luiza, American Shoes, Chilli Beans, Boticário, McDonald's, entre outros. A inovação está nas lojas modulares, criadas para o pequeno varejista. O espaço é entregue pronto para operar e o custo é fixo, a partir de R$ 3.000,00. Por conta disso, é possível que o consumidor também saia ganhando nos preços. “O lojista não precisa fazer nenhum investimento e não tem surpresas no final do mês com o custo de ocupação. E o espaço modular agradou, até o Boticário optou por um. Para o consumidor, fica perto do transporte público e ele não precisa se deslocar para fazer as compras. Além de aproveitar o conforto, a segurança e a variedade de um shopping aqui nessa região. A expectativa inicial é receber 1 milhão e meio de pessoas por mês”, completa o diretor de marketing Marcos Romiti. O shopping, que está com 70% dos espaços locados, terá 770 vagas de estacionamento, 1200 lugares na praça de alimentação e 8 salas de cinema da mexicana Cinepólis, que está chegando ao Brasil. O conceito não ficará restrito a São Paulo e já está sendo expandido. A próxima cidade a receber um Mais Shopping sera Niterói, no Rio de Janeiro. O bom momento para o setor também se aplica aos shoppings convencionais. Em maio de 2009 foi inaugurado o primeiro shopping de Diadema, o Praça da Moça. O shopping não é popular, mas está localizado em uma região carente desse tipo de empreendimento. Antes os moradores tinham que se deslocar até os shoppings de Santo André ou São Paulo. O fato influenciou na hora de escolher as lojas. A preferência foi para marcas que não estavam na região de influência do shopping. E quanto a região ter consumidores com um poder aquisitivo menor, Wilson Pelizaro, gerente geral do Praça da Moça explica melhor: “Nos meses que estamos funcionando, em conversas com lojistas, notamos que a região não é tão carente. Temos que admitir que estamos atravessando um bom momento econômico, mas lojas estavam preparadas para vender produtos mais populares, também estão vendendo para outros públicos. E quanto as grandes redes, os preços são os mesmos praticados em outros shoppings. O que pode acontecer é uma ênfase maior nas vitrines para produtos mais acessíveis.” E finaliza ressaltando o mais importante: “O shopping é, sempre foi e será, um local de convivência democrática. Existem produtos para todas as classes sociais. Todos os consumidores são bem-vindos.”

19 de jan. de 2010

Já somos líderes mundiais em vendas diretas.

Matéria publicada na Revista Varejo e Oportunidades Novembro/Dezembro 2009.
Enquanto os sites se multiplicam e as vendas online atingem o consumidor até pelo celular, um antigo método subsiste e fatura milhões: a venda direta ou porta-a-porta.
Por Viviane Lopes

Os primeiros registros de venda direta datam do final do século XVIII. Ao Brasil, ela chegou em 1959 trazida pela Avon, líder global em vendas diretas e marca de cosméticos mais vendida no mundo. Hoje o mercado brasileiro de venda direta ocupa o terceiro lugar no ranking mundial. Em 2008 foram R$ 18,5 bilhões movimentados por 2 milhões de revendedores autônomos. E só nos primeiros 9 meses de 2009 o crescimento real acumulado foi de 13,5%. Definitivamente, a crise não atingiu o setor e o presidente da ABEVD – Associação Brasileira de Venda Direta – Lírio Cipriani, ajuda a entender por que:

“As vendas diretas são uma fórmula universal, mas as características do Brasil facilitam o desenvolvimento do modelo. O povo brasileiro gosta de se relacionar e isso estimula um ambiente favorável. O país tem dimensões continentais e os revendedores das vendas diretas, conseguem levar produtos de grandes marcas para consumidores onde o varejo ainda não se consolidou. Além disso, as vendas diretas dão oportunidade de trabalho para gente que, com ou sem qualificação, não se realizou em outra atividade profissional.”

A variedade de produtos oferecidos através da venda direta é imensa. Vai de alimentos a utensílios para casa, livros a roupas, calçados a cosmésticos, lingeries a brinquedos, e muito mais. Em 2005, a maior empresa de alimentos do mundo também aderiu às vendas porta-a-porta lançando o Nestlé Até Você.

O projeto começou nos bairros periféricos de São Paulo com 10 microdistribuidores e 800 revendedoras. Atualmente, 150 microdistribuidores e 6 mil revendedores treinados, oferecem Kits Nestlé com biscoitos, chocolates, iogurtes, fermentados e sobremesas. O público alvo são os consumidores emergentes, das classes C, D e E. Os kits mudam conforme as peculiaridades regionais e o perfil dos consumidores e por isso o Nestlé Até Você é um sucesso. O projeto já foi expandido para as regiões Nordeste e Centro-Oeste e deve chegar a quase todos os estados até o final de 2010.

Venda direta e venda porta-a-porta possuem diferenças entre si. A ABEVD esclarece que venda direta é venda por relacionamento e acontece quando existe um círculo social. Já o vendedor porta-a-porta não tem necessariamente um relacionamento com o consumidor e muitas vezes não o conhece. O fator em comum é que nos dois modelos o produto chega diretamente ao consumidor.

O Grupo Silvio Santos tem como DNA a venda direta, segundo o próprio diretor da SS Cosméticos, a Jequiti, Lásaro Carmo Jr. A empresa chegou ao mercado em 2006 para competir com Avon e Natura, dominantes do setor do Brasil. Hoje a Jequiti reúne mais de 70 mil revendedoras e 550 produtos, inclusive não cosméticos, no catálogo. O fato de ser uma empresa do grupo Silvio Santos e outras estratégias ajudaram na consolidação da marca, como explica Lásaro Carmo:

“A Jequiti nasceu dentro de um grupo de 40 empresas. Essa sinergia gera benefícios inigualáveis, como os programas Roda a Roda Jequiti e Ganhe Mais Dinheiro com a Jequiti". A empresa também investiu no relacionamento com as revendedoras: "Após o terceiro pedido, entregamos às consultoras um vale saúde e um vale desconto, que oferece até 80% de desconto em consultas médicas, medicamentos, exames laboratoriais e produtos de consumo. Um grande benefício que só pode ser realizado por causa da nossa parceria com o Banco Pan-Americano."

O incentivo para as revendedoras, em sua maioria mulheres jovens e donas de casa, é parte fundamental do negócio. Para aumentar as vendas, a Jequiti ainda cria promoções que dão ganhos superiores aos da concorrência. "Chegamos a oferecer promoções com 100% de lucro. Hoje temos 105 mil revendedoras trabalhando e uma fila de mais de 50 mil esperando para serem cadastradas. O pedido médio em outubro foi de R$ 330,00." Quanto a disponibilizar os produtos no varejo: "Seria estabelecer concorrência direta com as consultoras Jequiti. O possível aumento destas vendas não compensaria o desastre causado na relação com as nossas consultoras.", finaliza Lásaro.

Apesar dos cosméticos serem um produto tradicional na venda direta, não há produto que encontre resistência por parte do consumidor. Sandra Hara Chayo, diretora de marketing da Hope, lingerie distribuída pela Avon, comprova: "Como a marca tem o reconhecimento de conforto e qualidade, a cliente não pensa duas vezes em comprar pela foto. Ela confia na marca. As reclamações e devoluções através do SAC HOPE não chegam a 0,01%."

Para os varejistas que já estão pensando em ingressar nesse mercado lucrativo, há apenas uma ressalva: "a desvantagem das vendas por catálogo é a dificuldade logística e de abastecimento. Como é uma venda provocada pelo impulso, as previsões de vendas para estoque de produtos nunca tem 100% de acertividade. E o que está nas ruas fotografado tem que estar em estoque para pronta entrega.", avisa Sandra. Com certeza, um ponto negativo pequeno diante de tantas vantagens.

18 de set. de 2009

O impacto da nova classe média no varejo.

Matéria publicada no Portal da Editora Lamônica.
A estabilidade econômica, o aumento do crédito e os programas de inclusão do governo, possibilitaram a ascensão social de mais de 20 milhões de pessoas nos últimos anos. Responsável por 46% do total gasto pelos consumidores, a classe C é a nova classe média.

Por Viviane Lopes

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Cartões de Crédito devem reduzir custos para os lojistas.

Matéria publicada na Revista Varejo e Oportunidades Agosto/Setembro 2009.
Um estudo inédito do Banco Central avaliou o mercado de cartões de crédito e concluiu o que todos já sabiam: as taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito são abusivas. Isso sem falar no duopólio, nos juros, na demora para repassar o valor da venda ao lojista e nas desvantagens para o consumidor. Felizmente tudo isso pode estar com os dias contados.
Por Viviane Lopes

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12 de fev. de 2009

Miami.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Novembro/Dezembro 2008.
Investidores que pagam em cash e obtém a tão sonhada casa de veraneio.
Por Bianca Moretto, de Miami

Miami Beach

No final da década de 80, Hercules Pimenta deixou o cargo de diretor da Pirelli no Brasil, vendeu tudo o que tinha e se mudou para a Flórida. Com o dinheiro, comprou 10 casas financiadas, construiu outras 13 e vendeu todas elas para brasileiros.
"Para deixar a casa pronta, precisávamos de aproximadamente 90 dias. Então o dinheiro girava rápido”.
Por conta da localização geográfica e da estrutura dos meios de transporte, Hercules acreditava que “Miami poderia ser a Cingapura do Ocidente”.
No início da década de 90, a maioria das lojas em Downtown Miami pertencia a brasileiros. No entanto, em 1992, o furacão Andrew destruiu a cidade deixando um prejuízo de 25 bilhões de dólares. No ano seguinte, Bill Clinton foi eleito presidente e adotou uma postura protecionista à indústria americana. O inesperado aconteceu: a economia ficou instável, os produtos importados foram sobre taxados e passaram a ser vistos com maus olhos e, simultaneamente, caiu o poder de compra dos clientes estrangeiros. O que parecia sonho virou pesadelo para muitos comerciantes que tiveram que fechar as suas empresas e voltar para o Brasil.

A VIRADA
Hoje o Brasil é o parceiro comercial nº 1 da Flórida. Para atender essa demanda, o Consulado Brasileiro em Miami possui um Setor Comercial (SECOM) que opera o "Brazil Trade Net".
“Trata-se de um cadastro com informações comerciais importantes, tanto de empresas brasileiras quanto de empresas norte-americanas, e que tem como objetivo a promoção comercial de produtos e serviços brasileiros no mundo todo. A assessoria oferecida pelo consulado é gratuita”, explica o cônsul Roberto Parente.
Entre as dezenas de companhias cadastradas estão a Embraer, Odebrecht, Gerdau, TAM e outras de pequeno, médio e grande porte. Os bancos também estão investindo por aqui. Em 2006, o Itaú comprou o Bank Boston e ao adquirir no "pacote" uma subsidiária do grupo com sede em Miami, passou a atuar aqui nos EUA como Private Banking (Itaú Personnalitè).
Maria Hilda Feitosa que trabalha no setor comercial do consulado brasileiro há 19 anos, explica que “ficou fácil abrir uma empresa nos Estados Unidos porque todo processo é eletrônico”. Além disso, a APEX, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, funciona como um Serviço Social Autônomo ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A APEX-Brasil acaba de expandir o Centro de Negócios de Miami. Agora, eles dispõem de 3.500m2 e oferecem importantes recursos às empresas brasileiras como áreas de escritórios, salas de reunião para encontros com compradores e showroom de produtos brasileiros.
O exportador que se instala no Centro, conta com apoio operacional para viabilizar o recebimento, armazenamento e despacho de mercadorias, incluindo Pick and Pack. Outra facilidade é a utilização dos escritórios da Apex-Brasil, incluindo eventuais despesas com telefone, fax e internet. O CN também dá suporte na seleção e contratação de serviços em Miami, tais como advogados, contadores, freight forwarders. Isso sem falar da organização de eventos promocionais nas dependências da Miami Free Zone.
Segundo a APEX, os setores com potencial de participação no mercado local são: instrumentos musicais, confecção, têxtil, gesso, móveis, cosméticos, equipamentos médico-odontológicos, alimentos, café, tintas, equipamentos eletrônicos, autopeças e plásticos.

Loja Carlos Miele em um dos mais elegantes shoppings de Miami.

OS EMPREENDEDORES
Alexandre Berger acaba de abrir uma loja Carlos Miele em um dos mais elegantes shoppings da cidade.
“Queria trazer alguma coisa do Brasil para os EUA e o Carlos Miele é o estilista brasileiro com nome mais forte fora do Brasil. Além disso, suas criações são a cara da mulher de Miami: uma mulher cosmopolita, internacional, tropical, sensual e preocupada com o corpo."
O investimento não é pequeno, além de propagandas em revistas, desfiles de moda e participação em diversos eventos, Alex conta com uma boa agencia de relações públicas para divulgar a marca na imprensa.
“A legislação americana é bastante simples para abrir a empresa. As dificuldades, em especial em Coral Gables, são as regras de construção locais, que tornam a obra demorada e custosa. Abrir uma loja em um shopping nos EUA custa em média entre 500 mil e 1,5 milhão de dólares. Dependendo de quanta reforma é necessária na loja, dos depósitos e das cartas de crédito exigidas pelo centro comercial e o tipo de acordo com a marca licenciadora”.
A também brasileira Ana Rocha fez mestrado na Universidade de São Francisco antes de vir à Miami. Diretora da inlingua Language Center, em Key Biscayne, ela sabe a importância de aprimorar o idioma para fazer bons negócios por aqui.
“Somos nove institutos no sul da Florida, com 20 funcionários fixos e mais de 200 professores de todos os idiomas. Cerca de 1.000 alunos estão matriculados, entre eles há muitos filhos de brasileiros que começaram a alfabetização no Brasil e se mudaram para cá. Eles buscam o nosso curso para ter um bom desempenho no novo colégio, onde estudarão. Fora isso a escola oferece o visto de estudante (I-20), um diferencial que serve como chamariz a novos clientes. Dessa forma, apesar da crise atual, nos mantemos estáveis”, explica Ana que viaja ao Brasil no mínimo duas vezes por ano para visitar a família, os amigos e captar novos clientes.

EFEITO DOMINÓ
Até o ano 2000, o custo de um imóvel em Miami era irrisório se comparado ao de outras grandes capitais americanas. No entanto, as construtoras enxergaram um novo potencial na cidade por conta dos baby boomers. O mercado entendeu que as crianças geradas no pós-guerra estavam se aposentando e buscavam por um lugar para morar que fosse agradável, com clima tropical e que oferecesse qualidade de vida.
Houve uma explosão de vendas neste segmento. Vários prédios foram construídos simultaneamente e um único investidor chegava a comprar dezenas de unidades. Em menos de 2 anos, o m2 que custava 2.500 dólares, saltou para cerca de 5 mil dólares. Na Brickell, o bairro favorito dos brasileiros, o m2 chegou a custar 7 mil dólares. No entanto, todos os apartamentos ficaram prontos praticamente ao mesmo tempo e faltou dinheiro para honrar as dívidas.
Hoje os clientes não conseguem pagar o novo valor acordado pela financeira e acabam perdendo o imóvel. Os bancos não podem ficar com os bens que acabam sendo leiloados por um preço muito abaixo do mercado. Os americanos, acostumados a depender do leasing, ficam de mãos atadas porque os bancos estão fechados para o sistema de crédito. Hoje os estrangeiros que têm dólares guardados conseguem adquirir imóveis em Miami por um valor, muitas vezes, abaixo do preço de custo.
Fabiana Pimenta que trabalha em parceria com a companhia italiana ProfessioneCasa, acaba de vender um imóvel que estava em Foreclosure no banco. Trata-se de um apartamento cujo m2 chegou a valer 6.000 dólares, mas foi negociado por 2.000. “Acredito que o meu cliente conseguirá, no mínimo, duplicar este valor daqui a três anos”, completa a jovem consultora.

O MERCADO DE LUXO
Essa oscilação não interfere de maneira tão agressiva no mercado de alto luxo. Raymond Bolduc acaba de vender um imóvel em Miami Beach com cerca de 1.300m2 no mais belo estilo Grego Mediterrâneo. O comprador russo pagou à vista 10,6 milhões de dólares por esta mansão à beira mar.
Não deve ter sido difícil convencê-lo: “Como a SOL Sotheby’s Realty é especializada em mansões pé na areia ultraluxuosas, o nosso desafio é mostrar as nossas propriedades da maneira mais poderosa possível. Nós normalmente utilizamos iates para apresentar ao nosso cliente a sua provável nova casa. O impacto da chegada pelo mar é muito significante”, conclui Bolduc.
Para não dizer que não houve desvalorização neste segmento, a SOL Sotheby’s Realty negociou um outro imóvel na North Bay Road, com 9 quartos e quase 3.000m2 por 13 milhões de dólares, sendo que o valor inicial era de 19 milhões.
O próximo comprador pode ser um brasileiro: “Acabo de receber uma solicitação do escritório de Sotheby’s Realty São Paulo. Estou procurando casas de praia entre 1 e 4 milhões de dólares, para quatro executivos de alto escalão”, completa o profissional que está neste mercado há 10 anos.

AS VANTAGENS
Hercules Pimenta conhece bem os dois lados da moeda, já que aproveitou a alta da década de 90 e acompanhou de perto a recessão americana. Ele se prepara para apresentar um seminário em São Paulo sobre as oportunidades de investimento no sul da Flórida.
De acordo com o empresário, “se você estava esperando o momento certo para comprar uma casa de praia em Miami, esta pode ser uma boa oportunidade. Encontre um broker de confiança para orientá-lo na aquisição, especialmente se estiver pensando em comprar um apartamento. Adquirir um imóvel em um condomínio vazio pode acarretar grandes despesas. Caso esteja pensando em investir, não espere ter um bom retorno antes de três anos”.
No mais, é só uma questão de estratégia. A ensolarada Riviera da América do Norte está a sua espera.

Eles fazem sucesso dentro e fora do país.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Novembro/Dezembro 2008.
Romero Britto e Zilando Freitas percorreram caminhos diferentes para alcançar o sucesso, mas têm algo em comum: uma arte festiva, bonita e que agrada a quem aprecia a alegria de viver.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes

Artista plástico muito bem-sucedido, Romero Britto, pernambucano de 45 anos, como muitos brasileiros, teve uma infância difícil. Mas o sofrimento e a pobreza não deixaram motivos para mágoas e ressentimentos. Pelo contrário, Britto quis alegrar o ambiente árido em que vivia e, aos 8 anos, começou a pintar em sucatas, papelão e jornal. Aos 14, vendeu seu primeiro. Anos mais tarde viajou para a Europa e exibiu seus trabalhos em vários países como Espanha, Inglaterra e outros, mas foi em Miami que se instalou definitivamente.
O pintor que chegou a mostrar seu trabalho nas calçadas de Coconut Grove, já era um sucesso de vendas no Mayfair Shops quando participou de uma campanha publicitária para a Absolut Vodka. Ele foi o 5º artista a ser contratado, depois de Andy Warhol, Keith Haring, Kenny Scharf e Ed Ruscha. A campanha trouxe projeção e consolidou seu sucesso, fazendo com que outras grandes empresas começassem a incorporar sua arte em projetos especiais.
Em entrevista à L’UOMO BRASIL contou: “Admiro Picasso, Matisse, Chagall, Andy Warhol e Linchtenstein, entre outros. E me inspiro no que vejo de belo na vida, na beleza do mundo e das pessoas. Sempre gostei e admirei o belo, acho que tem tanta coisa bela no mundo, então me inspiro no que de mais bonito posso ver".

Romero Britto e uma de suas inúmeras obras.

ART POP
As obras de Romero retratam o dia-a-dia com muitas cores, formas geométricas e um jeito muito particular e alegre que o pintor nunca quis mudar. Sua arte pop utiliza vários suportes, e é copiada por muitos e motivo de polêmicas. Para quem fala que sua criação é comercial responde: “Tudo o que é feito tem uma razão, seja comercial ou não. Eu comecei a pintar para ver minha vida mais alegre quando criança, hoje vendo minhas obras de arte. Pessoas influentes adquirem minhas obras, mas fico feliz em saber que elas também estão nas capas de cadernos dos estudantes”.
O pintor que se prepara para expor no Louvre, tem brasileiros entre seus colecionadores, mas conta que seu sucesso é maior nos EUA e Europa: “No Brasil as pessoas não estão abertas a coisas novas, artistas novos e talentosos”. Mesmo assim tem como clientes os Safras, alguns ex-presidentes e o próprio presidente Lula. Além de Madonna, Carlos Slim, Juan Perez Simon, Ernest Beyeler, Arnold Schwarzenegger.
Mas os clientes renomados não são os únicos a apreciar suas obras. Em maio de 2008 o Instituto do Câncer de São Paulo Octávio Frias de Oliveira ganhou um painel de 15x3m e em outubro, o metrô Tietê ser presenteado.
“A arte tem uma grande responsabilidade, ela pode abrir os olhos das pessoas para um mundo diferente. Para mim é sempre uma alegria doar uma obra minha, pois as crio para o mundo. O cuidado e o respeito para com as mesmas já me deixam feliz.”

Zilando Freitas recebeu muito apoio e incentivo da amiga Naomi Campbell.

ZILANDO FREITAS
Este outro brasileiro de sucesso também tem uma marca registrada, a bandeira do Brasil estilizada que assina cada trabalho seu. Mas apesar das referências abertamente brasileiras, o paulista Zilando Freitas é globalizado. Já morou em Tokyo, Los Angeles, Miami e Milão. Atualmente, intercala períodos entre as megacidades London, New York e São Paulo.
Zilando, que nunca estudou nada relacionado à arte, começou a pintar em 91 por um forte motivo: “Um amigo meu surfista profissional, o Taiu, tinha sofrido um acidente pegando onda e ficou tetraplégico. Nessa época eu morava com o irmão dele na Rua Oscar Freire e como o apartamento era todo branco, resolvi pintar uns quadros para alegrar o ambiente. Desde então, nunca mais parei”.
Antes de se aventurar no mundo das artes plásticas, foi pizzaiolo, assistente de cozinha, barman e proprietário dos bares Kintamani, The Bar, Bothecno e Small Club. Foi nesses lugares que amigos como Fernanda Lima, Ana Hickman, Julio Pignatari e Mario Garnero, entre outros, começaram a conhecer e adquirir os trabalhos que fazia. O que era então uma brincadeira, virou coisa séria.
"No cenário internacional uma amiga que me ajudou muito foi a Naomi Campbell. Ela vendeu peças minhas para o Bono Vox, Lenny Kravitz, Nelson Mandela, Flávio Briattori, Ron Wood e outras pessoas famosas pelo mundo.”
O percurso que foi natural para Zilando, nem sempre é fácil para artistas iniciantes. O mercado de artes é amplo e está aquecido, mas tem muitas variantes. Zilando cobra em média de 15 a 20 mil dólares o metro de seu trabalho, mas ressalta: “Depende da peça, do cliente e do lugar. Cada venda é singular.”
Agora ele se prepara para fazer uma exposição em Nova Iorque e confirmar a entrada do seu maior trabalho para o Guinnes Book, uma bandeira feita com mais de 500.000 nós de tecido para o Cafe de La Musique. E avalia que o auge de sua carreira será o lançamento da campanha Up Brasil, Unir para o Brasil Sorrir: “O Brasil é carente de educação e saúde e estamos trabalhando para mudar esse cenário triste que é a realidade e dar mais oportunidade para a criança do Brasil.”

INTERNET
www.zilandofreitas.blogspot.com
www.romerobritto.com.br

6 de fev. de 2009

Ella manda na arte.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Novembro/Dezembro 2008.
A empresária Ella Fontanals-Cisneros nasceu em Cuba, foi criada na Venezuela e tornou-se internacionalmente conhecida. Às vésperas de um dos maiores eventos de arte dos Estados Unidos, o Art Basel Miami Beach, a colecionadora falou com exclusividade à L'UOMO BRASIL.
Por Bianca Moretto, de Miami

Ella Fontanals-Cisneros começou a se interessar por trabalhos de artistas latino-americanos na década de 1970, quando morava na Venezuela. "Eu adquiri uma galeria quando ainda era muito jovem e, a partir de então, comecei a colecionar arte", explica a empresária de 64 anos que já investiu milhões de dólares neste segmento. Hoje, a sua coleção inclui fotografias, videoarte e peças inovadoras vindas dos mais diversos países.
Como cidadã do mundo, divide o seu tempo entre residências em Caracas, Miami, Madrid, Nápoles e Gstaad, na Suíça. Dessa forma, ela traz uma perspectiva internacional para a sua coleção e para as suas duas instituições sem fins lucrativos estabelecidas em Miami, Cisneros Fontanals Art Foundation (Cifo) e Miami Art Central (MAC).
Fundada em 2002, a Cifo incentiva o entendimento e a apreciação do trabalho de artistas contemporâneos da América Latina através de patrocínios, exibições e publicações bilíngues.
Ella Cisneros enriqueceu a comunidade artística de Miami em 2003 fundando o Miami Art Central (MAC). Em apenas três anos, o MAC trouxe à cidade trabalhos internacionais, incluindo o vídeo de arte do Centre Pompidou, e um show solo do artista sul africano William Kentridge.
"Eu nasci com arte na alma. Criatividade faz parte do meu dia-a-dia tanto para fechar negócios quanto para as experiências cotidianas."
Em dezembro de 2006, a colecionadora promoveu uma fusão do MAC com o Miami Art Museum (MAM) para fortalecer o programa contemporâneo do Museu. Com isso, inspirou outros colecionadores e líderes civis no sul da Flórida a somar forças para transformar o MAM em um dos melhores museus de arte do País.
"A arte influencia as nossas vidas e escolhas, seja através de outdoor que você vê nas ruas ou por projetos de prédios magníficos que valorizam as nossas cidades, desde pratos criativos para cozinhas top de linha até os carros que dirigimos."

ART BASEL MIAMI BEACH
A primeira edição do Art Basel Miami Beach aconteceu em Dezembro de 2002. "Trata-se de uma das feiras de arte mais importantes do mundo, se não for a mais importante. Miami tem recebido benefícios tremendos por ser a cidade anfitriã", orgulha-se Ella, ciente de que a capital da Flórida ganhou o título de art city, logo após a estréia do evento.
Como irmão do evento Switzerland's Art Basel, o mais prestigiado show de arte do mundo nos últimos 39 anos, Art Basel Miami Beach combina uma seleção internacional das melhores galerias com um programa de exibições especiais, festas e eventos simultâneos de música, filme, arquitetura e design.
Quem prestigiar o evento deste ano, terá a oportunidade de conferir cerca de 250 galerias, cuidadosamente selecionadas por um comitê, entre as mais de 800 inscritas. Os brasileiros serão representados pelas galerias: Brito Cimino, Fortes Vilaça, Millan Strina e A Gentil Carioca.

Serviço
Art Basel Miami Beach
De 4 a 7 de dezembro, 2008
Art Deco District
Miami Beach- FL
Entraga paga
Entrada paga

29 de jan. de 2009

Acerte o passo.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Novembro/Dezembro 2008.
Os calçados assumem de vez sua importância nos looks masculinos, e esta importância reflete-se nos números. Em 2008 as vendas devem atingir 76 milhões de pares, 11,5% da venda total de calçados no país. Pode parecer pouco, mas no setor de calçados, o consumo masculino é o que mais cresce.
Por Viviane Lopes

Marco Scheffel, da Cospirato: "No pé, muitos sapatos ficam muito mais bonitos do que parecem ser na vitrine."

A diversidade na escolha dos sapatos não é mais uma exclusividade feminina. Reflexo do aumento da preocupação do homem em compor um estilo, a produção de calçados masculinos cresceu e novas marcas surgem trazendo modelos mais modernos que se juntam aos tradicionais, agora reinventados com novos detalhes, acabamentos e materiais.
O Brasil, que já foi um exportador de preços, hoje é reconhecido lá fora pela qualidade, pela marca e pelo design. O aumento no setor é superior ao crescimento econômico do país, e deve se manter nos próximos anos.
A Cospirato, marca do Grupo Cariri, é fruto destas mudanças. Após um estudo sobre o mercado, foi criada no início no ano com o intuito de produzir sapatos para um público exigente, sem visar a quantidade, mas sim a qualidade do produto.
A Cospirato tem muitos modelos para que o homem possa escolher e combinar, mas o diretor Marco Scheffel, diz que: “Tudo depende do estilo de cada homem e de suas necessidades no dia-a-dia. Há vários modelos versáteis, que ficam bem com diferentes tipos de roupa. Alguns clássicos, por exemplo, podem ser usados tanto com o mais alinhado terno como com uma calça jeans desbotada e desfiada.”
Na hora de comprar, Marco ressalta que “é importante prestar atenção aos materiais com que o sapato foi produzido, examinando também o forro, o solado e as palmilhas. E fazer o teste definitivo: calçar, para sentir o conforto e confirmar o visual. No pé, muitos calçados ficam muito mais bonitos do que parecem ser na vitrine. Outros não causam o efeito esperado.”
Sapato inovador Dom Shoes, com cortes a laser.

DOM SHOES
Para aproveitar este bom momento, o jovem empreendedor Rodrigo Zaramella também criou a sua marca há nove meses. A Dom Shoes oferece sapatos clássicos, mas os grandes destaques são os mais modernos e exclusivos. São materiais, modelos, cores e detalhes que fazem toda a diferença. Tudo escolhido a dedo por Rodrigo, que cria a customização dos modelos que vende. Na loja, os clientes recebem orientação e consultoria de moda para não fazer feio na hora de compor o visual.
Os modelos exclusivos e o atendimento personalizado já conquistaram muitos clientes. Inclusive o apresentador e ator Rodrigo Faro, que usa os modelos da Dom Shoes no seu programa "O Melhor do Brasil".
O empresário conta que “o homem ainda não é muito consciente da importância do sapato na composição do visual e tem medo de ousar. Esse medo é um dos maiores empecilhos para usar modelos mais arrojados e de personalidade”.
Um desses modelos é o sapato com cortes a laser, que pode ser usado sem meias. “Num primeiro momento os homens estranham, mas quando calçam, eles adoram e levam o sapato”, conta Rodrigo.
Basicamente os modelos se dividem em casual, social e esportivo, mas mesmo no social é possível inovar. “Alguns modelos clássicos da Dom Shoes têm a tradicional sola de couro, mas com borracha injetada. Outros modelos tem cores mais despojadas, como marfim por exemplo. Nesse caso, somente um homem com muita personalidade costuma usar. Os tênis são destaque com diferentes cores, materiais e detalhes. Dependendo do lugar onde trabalha, o homem pode até usar no escritório. Um homem que usa um sapato ou tênis mais ousado e moderno, mostra que tem atitude mesmo usando uma camiseta e calça jeans.”
Os materiais utilizados na confecção dos sapatos variam e surpreendem: couro de vaca, carneiro, porco, cabra, lona, camurça, tecido. A camurça por exemplo, é um couro virado ao contrário. Já o couro de carneiro é mais macio e confortável e com um toque é possível perceber. Na hora de comprar o cliente avalia os pontos fracos e fortes de cada material. Há modelos que combinam lona e couro, couro e borracha, tecido e couro e a criatividade não pára. A forração é outro item importante. Forração em couro oferece mais conforto e qualidade, mas o tecido também é usado em alguns tênis, por exemplo.
Modelo Casual Democrata: cores claras, tendência para o Verão 2008.

TENDÊNCIAS
Para a próxima estação Rodrigo avisa que os docksides estão voltando, assim como os tênis baixos e alongados. Outras empresas também já desfilam as suas coleções. Já a Democrata, que completa 25 anos no mercado de calçados masculinos, e é uma das líderes do mercado nacional, destaca os mocassins, que voltam com uma roupagem mais moderna, mas sem perder as características tradicionais.
Um outro destaque na nova coleção são as cores: tons claros como o branco, prata e uma variação do marfim, o bone, são as tendências. As cores inclusive são responsáveis por mudanças no consumo masculino.
Fernando Brigagão, gerente de produtos, ressalta que “com o aumento de opções de cores, houve uma aceitação maior do público masculino que antes só tinha o preto e o café. E diferente da mulher que tem muitos acessórios, o homem só tem camisa, calça e sapato. Então, se ele errar no sapato, dançou. Um homem antenado pode inovar no sapato, se ele foge do padrão, ele compensa no sapato”.

“O sapato tem que combinar com a roupa, com o humor e até com o meu estado de espírito. Tem que ser confortável, senão me sinto engessado. Dependendo do dia, eu uso algo mais leve, sempre levando em conta a roupa que escolhi”.

PERSONALIDADE
O sapato masculino sempre foi tido como revelador da personalidade masculina. Para a jornalista especializada em moda, Lilian Pacce “mesmo o homem que não se preocupa com isso, revela muito sobre si através do sapato que usa. Você olha e já vê se ele é mais esportivo, social. O sapato é a base do look.”
O ator Reynaldo Gianechini, reafirma a importância de escolher o calçado certo: “O sapato tem que combinar com a roupa, com o humor e até com o meu estado de espírito. Tem que ser confortável, senão me sinto engessado. Dependendo do dia, eu uso algo mais leve, sempre levando em conta a roupa que escolhi”.
Para quem não quer errar e não sabe por onde começar Lilian Pacce dá a dica: “Se fosse escolher um sapato fundamental para o guarda-roupa masculino, diria que é o sapato social marrom escuro. Ele vai bem com tudo, com preto, com qualquer cor. No caso do tênis, varia muito e precisa saber se ele vai ser usado somente para performance ou pela sua função mesmo. Agora, um erro fatal é usar terno com meia branca. Outras coisas dependem do estilo de cada um, mas isso é imperdoável”.

Escolha o sapato certo, por Rodrigo Zaramella
Social: Use sempre para acompanhar roupas com corte de alfaiataria, podem ser de cadarço ou mocassim. As fôrmas dos mais clássicos (Oxford, Estilo Inglês) podem variar e até serem ousadas como os modelos esportivos, mais baixos, alongados e com bico redondo, que são tendências na Europa.
Casual: Deve ser usado basicamente quando não existe a obrigação da gravata, seja alfaiataria, sarja ou jeans. Neste caso dê preferência aos mocassins. Os modelos mais bacanas misturam materiais como couro amassado, texturizado, craquelado e camurça de cabra. As cores podem fugir do básico preto e marrom. Tons mais vivos, puxando para o metálico (bronze, ouro velho) estão em alta e vale a pena arriscar cores mais claras (off-white, marfim) neste verão.
Esportivo: Não deve ser usado com alfaiataria e nesta produção prevalece o conforto. Podem ser sapatênis, sneakers ou docksides, que estão voltando, com solados de borracha. Os materiais utilizados podem variar, de couros lisos (com ou sem brilho) a amassados (sujos, estonados). A simplicidade da camurça e o brilho do verniz, também aparecem nos detalhes trazendo despojamento aos modelos mais modernos.

SERVIÇO
www.domshoes.com.br
www.cospirato.com.br
www.democrata.com.br
www.lilianpacce.com.br

29 de set. de 2008

A democratização do luxo.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Setembro/Outubro 2008.
Ele é um dos mais conhecidos e respeitados filósofos da atualidade. Estudou filosofia na Sorbonne, foi ativista dos movimentos que culminaram em maio de 68, publicou livros, ajudou a reformar o ensino de filosofia na França e é professor na Universidade de Grenoble. O francês Gilles Lipovetsky acompanhou as mudanças da sociedade e estuda temas contemporâneos como publicidade, lazer, consumo, moda e luxo. Polêmico, já criticou a Daslu, mas apóia um luxo inteligente, um luxo democratizado.
Por Viviane Lopes
Com colaboração e tradução de Marie-Océane Gazurek

Ao contrário do que muitos acreditam, Gilles Lipovetsky não condena o luxo. Ele busca entendê-lo como fenômeno contemporâneo. Lipovetsky esteve no Brasil em agosto, para o Com:atitude 2008, um seminário sobre atitude de marca. Em entrevista exclusiva à L'uomo Brasil, falou sobre consumo, mudanças do consumidor, luxo e suas motivações para estudar o assunto.
FASCÍNIO: O mundo no qual vivemos fez do luxo um fenômeno considerável. O desenvolvimento das marcas de luxo no mundo inteiro, o espaço que elas tomaram, tudo isso me fascina e por isso tenho interesse intelectual em entender o que está acontecendo.
LUXO: Nos anos 60, os jovens da contracultura consideravam o luxo uma aspiração burguesa. Hoje o cenário é muito diferente: jovens de 12, 13 anos, pedem o luxo, as meninas querem uma bolsa Dior, um batom. Isso traduz uma mudança em relação ao consumo e à moda. A nova relação com o luxo, de alguma maneira, é sinal do fim da cultura da contestação.
HEDONISMO: O que era dominante na sociedade de consumo clássica, do pós-guerra, era uma lógica de consumo semicoletiva, fundada no equipamento, o lazer, a família. Essa sociedade dos anos 1950 acabou. Uma nova sociedade de consumo estabeleceu-se. Estamos em um novo estado do capitalismo de consumo, que eu chamo de "sociedade de hiperconsumo" e o consumidor que vive nesta sociedade é um 'hiperconsumidor'". As famílias que antes tinham um carro, uma televisão, mudaram. Hoje, o consumo é cada vez mais focado no indivíduo e, consequentemente, as famílias tem mais carros, eletrônicos, telefones. A sociedade de consumo clássico favoreceu o individualismo pelo hedonismo.
CULTO ÀS MARCAS: Grandes marcas como Dior, Louis Vuitton, Calvin Klein, são poderosas e substituíram um papel importante de agregação. As hipermarcas são conhecidas em todos os continentes e além do marketing tem outro elemento a seu favor: a insegurança do consumidor. As pessoas eram criadas em meios sociais muito claros. Hoje todo mundo está perdido, não há mais culturas coletivas. A marca tem aí o seu papel, ela traz segurança ao hiperconsumidor perdido na hiperescolha da mercadoria. Quando a moda não tem mais sentido como outrora, a marca reconforta o consumidor. Hoje há um verdadeiro culto às marcas.

O new luxury é uma contradição, pois o luxo nunca foi para a massa! O que vira o luxo quando é para a massa? Hoje, por exemplo, os americanos falam de new luxury, que Starbucks é new luxury! Para um francês, isto não é possível!

NEW LUXURY: O aumento do consumo de luxo impressiona. O número de pobres é considerável, mas o número de gente rica, e muito rica, está ficando cada vez maior. São milhões de pessoas que tem fortunas consideráveis. De um lado você tem o aumento do que se chama o hyperluxo, os barcos, os helicópteros. De outro, um tipo de new luxury, ou o luxo para todo mundo. Você vai à uma loja Louis Vuitton e tem coisas que não são caras demais, umas eaux de toilette.
TOTAL LOOK: As decisões de compra dependem menos de critérios de classe do que de idade, sexo, critérios pessoais e eclécticos. Hoje se fazem compras caras em um lugar e econômicas em outro. Uma mulher de manhã compra uma camiseta na Zara e de tarde uma bolsa na Gucci, é o fim do total look. É até chique comprar coisas que não são do mesmo nível econômico, pois assim mostra que se é um consumidor inteligente.
LUXO NO BRASIL: As diferenças culturais são grandes. O consumidor europeu é mais emocional, experiencial, hedonista. Já no Brasil, Gilles acredita: “que ainda tem um consumo ostentatório. Na China, a lógica é totalmente ostentatória. Afinal, estes são países que estão saindo da pobreza.
DASLU: Não sou um moralista. O luxo tem algo de chocante. Tanta riqueza do lado de gente que não tem nada, isto é chocante com certeza. Mas há tantas coisas chocantes! A partir do momento em que há riqueza, tem gente que gasta dinheiro, isto não é o problema. Mas acho que estas lojas podem trazer alguma coisa. Não sou contra as lojas de luxo. Acredito que exista uma elegância.
LUXO INTEGRADO: Em Paris não é chocante. Voce vai ao Boulevard St. Germain, Avenue Montaigne, e tudo está integrado em um quadro. Mas inserir um universo de luxo em um universo de extrema pobreza, acho que é esteticamente de mau gosto. O verdadeiro gosto seria fazer como os romanos, ter um luxo público, transformar os arredores, plantar árvores. O luxo não deveria ser simplesmente para o consumo particular, poderia ser, e podemos sonhar com isto, uma tomada em consideração ao espaço público. Não se trata de dar o luxo para às pessoas, mas simplesmente para que o luxo não apareça como um universo de egoísmo absoluto.
SUSTENTABILIDADE: Cada vez mais se observa consumidores que compram produtos éticos, solidários. Ecologia, desenvolvimento sustentável e respeito ao meio ambiente, parecem sensibilizar um número crescente de consumidores. O consumidor de hoje é informado, tem medo do futuro e faz do seu consumo uma questão de referência social. Quando a política e a religião são menos produtoras de identidade, o consumo pode assumir este papel para um certo número de pessoas. Devemos parar de diabolizar o mundo do consumo, que tem muitos defeitos, mas que não aboliu felizmente o altruísmo, a moral e a indignação.

Para saber mais
O Luxo Eterno: Da Idade do Sagrado ao Tempo das Marcas - Gilles Lipovetsky

26 de set. de 2008

Vivere!

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Setembro/Outubro 2008.
O novo DVD do cantor Andrea Bocelli, acaba de ser lançado no Brasil e reúne tudo que é necessário para fazer sucesso. A música Vivere - Dare to Live, que Andrea interpreta ao lado de Laura Pausini, além de emocionante e tecnicamente perfeita, poderia bem ser a trilha sonora deste cantor que sempre ousou viver com plenitude.
Por Bianca Moretto

Andrea nasceu em Lajatico, área rural de Toscana, e ainda era um bebê quando os familiares perceberam que havia algo errado com os seus olhos. Não tardou para que os médicos descobrissem que se tratava de um glaucoma congênito e que, gradualmente, Andrea perderia a visão. Foi o que aconteceu quando ele tinha apenas 12 anos de idade. No entanto, isso não impediu a descoberta precoce da música. Sua mãe, Edi Bocelli, contou em recente entrevista à BBC, que, certa vez estava escutando uma peça de Franco Corelli no rádio e notou que Andrea, ainda criança, estava atônito ao seu lado. “A vida não poupou meu filho nem da alegria nem da dor”, disse Edi.
Em entrevista exclusiva a L’uomo Brasil, Andrea disse que gosta de pensar no canto como uma “disciplina agonística” (do latim agonisticu, significando a arte da luta, na antiga Grécia), onde o treinamento e a submissão voluntária levam ao aperfeiçoamento da própria técnica.
“O canto e a manutenção da própria vocalidade não podem prescindir de um exercício quotidiano e de uma constante atenção com a própria condição física. Ultimamente os inúmeros compromissos de trabalho me impedem de ter aulas, mas até hoje guardo como um tesouro os ensinamentos dos professores que tive a sorte de conhecer. Todos os dias, mesmo quando estou em viagem, dedico diversas horas ao estudo das obras que me chamam para gravar ou para interpretar ao vivo”.
A verdade impressa na voz de Andrea Bocelli conquistou pessoas em todos os cantos do mundo. Ele já se apresentou em mais de 30 países, e vendeu cerca de 60 milhões de cópias. O seu sucesso é ainda mais impressionante se levarmos em conta que este talento era praticamente desconhecido até os 34 anos de idade. Antes disso, atendendo ao pedido de seu pai, Andrea foi estudar direito em Pisa e voltou para casa com o título de doutor.
Foi um rock star italiano quem o apresentou ao mundo. Zucchero precisava de um tenor para gravar um CD demo e convencer Luciano Pavarotti a fazer um dueto. Quando Pavarotti escutou a voz de Andrea, disse: “Mas por que você está me convidando? Este tenor é melhor do que eu”.
Luciano gravou a música Miserere, que rapidamente se transformou em um grande sucesso internacional. Mas foi Andrea quem a interpretou ao vivo ao lado de Zucchero em um tour pela Europa. Daí em diante, o mundo se apaixonou pela “voz com lágrimas”, como descreveu o maestro Franco Corelli.

CANTAR COM O CORAÇÃO
Andrea tem dois filhos do seu casamento com Enrica. Atualmente está divorciado e namora a bela, e também italiana, Verônica. O casal mora em Toscana, em um antigo hotel que reformaram para ser o seu novo lar. Ali a música se faz presente em todos os ambientes. E não poderia ser diferente.
“A música é parte fundamental da minha vida e me diverte tocar um pouco de todos os instrumentos, desde percussão até aos de sopro, flauta em particular. Obviamente o piano é um importante auxílio para o estudo da técnica vocal e, portanto, o instrumento que prefiro e que toco mais”.
O tenor transita livremente entre três estilos musicais: pop, ópera e música clássica. “O que conta é cantar com o coração, transmitir para quem escuta uma mensagem de arte e o prazer de uma audição. Porém o conhecimento e o estudo da técnica vocal produzem a execução, seja esta operística ou popular, coerente com a interpretação do trecho. Se, no entanto, provocam evidentes diferenças técnicas de impostação vocal, não creio que um modo de cantar exclua o outro. A maior parte dos tenores canta indiferentemente música popular ou ópera. A razão disso está no fato de que existem trechos populares e mesmo canções populares que já podem ser incluídas entre os clássicos. Seja pela sua intrínseca beleza melódica ou pelo empenho vocal necessário no ato da execução. Esta é a razão pela qual acho interessante e até prazeroso propô-las nas minhas performances” – disse ele.

Em meio às colinas tranquilas de Lajatico, o Teatro del Silenzio comporta até oito mil pessoas.

ENCONTRO PERFEITO
Entre os tours mundiais, que incluem um especial para o Papa João Paulo II e uma homenagem às vítimas do World Trade Center, Andrea voltou para casa e juntou forças com amigos, investidores e produtores, para construir um teatro inédito no mundo, o Teatro del Silenzio. Em meio as colinas tranqüilas de Lajatico, surgiu um teatro ao ar livre que comporta até 8 mil pessoas. Foi neste cenário, inaugurado em 2006, que o tenor gravou o DVD Vivere - Live in Tuscany. O espetáculo ficou completo com a participação de grandes estrelas da música como Heather Headley, Sarah Brightman, Laura Pausini, Kenny G, Chris Botti, o extraordinário pianista chinês Lang Lang, a cantora italiana Eliza e o produtor e compositor, vencedor de 14 Grammy Awards, David Foster. Um encontro perfeito.
“Eu estava em casa, entre a minha gente, com tantas pessoas vindas de todas as partes do mundo e a emoção de voltar às origens no meio daqueles odores de terra arada e vinhas. Em pleno verão, o úmido da tarde que aplaca o calor do dia. Enfim, uma emoção difícil de contar, mas tão intensa, prazerosa e capaz de deixar a mais doce das recordações”.
Andrea ressalta que dentro de uma produção há sempre um importante trabalho de muitas pessoas. Empenho que dura às vezes meses ou mesmo anos, e que nos dias de hoje, com tantas tecnologias a disposição, chegam a níveis de perfeição do som verdadeiramente inimagináveis até pouco tempo atrás.
“É um mundo que evolui e se especializa e está em contínuo progresso, para tornar sempre mais agradável e com mais qualidade, a música que entra nas nossas casas. No caso de Vivere, que se trata de um apanhado de trechos que executei ao longo dos anos, o elenco de colaboradores é ainda mais prestigioso, porque compreende uma grande parte dos artistas e produtores com os quais tive o prazer de colaborar no curso da minha carreira”.

ANDREA ESTEVE NO BRASIL HÁ ALGUNS ANOS E DIZ QUE ESPERA VOLTAR O QUANTO ANTES, DEVIDO ÀS CONTÍNUAS E FREQUENTES DEMONSTRAÇÕES DE ESTIMA QUE RECEBE.

“Será uma grande honra e um imenso prazer reencontrar o público brasileiro a quem dedico Vivere. Com certeza, no imaginário coletivo de nós italianos, o Brasil está associado à música com M maiúsculo. Somos fascinados desde sempre pelo calor e pela simpatia de um povo amigo, que se exprime com talentos musicais extraordinários. Crescemos cantando o inesquecível Antônio Carlos Jobim, Chico Buarque de Hollanda, Roberto Carlos, Toquinho e todos os grandes e verdadeiros clássicos da canção internacional. Ouço com paixão Gilberto Gil, também importante político, Caetano Veloso e outros ainda que não cito, mas nem por isso são menos importantes, e com os quais faria duetos com prazer”.
Andrea Bocelli, aos 50 anos, ousa viver intensamente. A sua deficiência visual não o impediu de ter uma infância feliz, de andar de patins, praticar mergulho com os seus filhos, passear de bicicleta com a namorada e muito menos, de domar o seu próprio cavalo. Andrea atua em óperas com a mesma naturalidade com que vive o seu dia-a-dia.
“Tenho muitos projetos para o futuro, que espero realizar com o mesmo empenho. Este é o único instrumento para realizar os sonhos, para dar corpo aos nossos desejos e para concretizar aquele projeto na origem do qual nos pôs a providência”.

8 de ago. de 2008

Paulo Szot: um brasileiro conquista a América.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Julho/Agosto 2008.

O menino que tinha medo de ouvir ópera cresceu e, por ironia do destino, se transformou em barítono. Depois de cantar em sessenta produções, nacionais e internacionais, Paulo Szot entra para a história como o primeiro brasileiro que conquistou um Tony Award, o principal prêmio do teatro americano. O mais novo darling dos palcos americanos agradeceu pelo prêmio em português e dedicou o troféu à sua mãe.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes

Filho de poloneses que migraram para o Brasil no pós-guerra, trazendo apenas a roupa do corpo e a paixão pela música e pelas artes, Szot tinha como brinquedo predileto na infância uma vitrola. “Eu ficava ouvindo música clássica e olhando as nuvens dançarem no céu. Sempre fui contemplativo, e continuo assim”. Incentivado pelos pais, Szot freqüentou a escola de música desde cedo.
Na adolescência, piano e violino já faziam parte da sua vida. Mas, foi aos dezoito anos que grandes mudanças começaram a acontecer. O Consulado polonês em São Paulo, estava oferecendo bolsas de estudos. Depois de ser reprovado no vestibular para medicina, Paulo se aventurou com um amigo de escola que tinha a mesma necessidade de conhecer o mundo.
“Embarcamos num navio cargueiro no porto de Vitória e após 23 dias estávamos em solo polonês. A Polônia comunista não era tão atraente para um adolescente de 18 anos. Foi difícil me acostumar, mas depois de alguns meses já havia descoberto um mundo que parecia impossível de existir.”
“O apoio às artes, música e dança era incrível! Logo conheci jovens que tinham os mesmos ideais e sentia que me identificava cada vez mais com o país e sua cultura. Apesar das dificuldades do dia-a-dia, a felicidade de encontrar um lugar onde eu poderia ser um “artista”, fazia desaparecer as diferenças que no princípio pareciam invencíveis. O Brasil não tem tradição em ópera, portanto, não temos uma escola brasileira de canto lírico. Para mim, foi indispensável ingressar no mercado internacional. Não existem regras, mas é sempre bom para o artista expandir seus conhecimentos para se tornar um profissional com diferentes experiências não só de trabalho, mas também de vida.”.
Depois de passar oito anos trabalhando como cantor na Polônia, Paulo percebeu que estava na hora de voltar para casa. Foi então que conheceu Luciano Pavarotti no Rio de Janeiro, durante as audições do renomado Concurso Internacional de Canto, um divisor de águas em sua vida. Szot foi à Filadélfia a convite do tenor para participar da Final Mundial em 2005.
“Foi o primeiro contato que tive com outros cantores da minha geração. Depois dessa experiência voltei ao Brasil, ingressei no Coral do Teatro Municipal de São Paulo, no qual, tive o prazer de conhecer o maestro Luís Fernando Malheiro. Foi ele quem ofereceu o meu primeiro papel-título”.
Paulo também foi dirigido por Gerald Thomas na pocket ópera NXW. Ele cantava um hit operístico escrito para um soprano, A morte de Isolda. "Funcionou muito bem. Eu gostei. A companhia era fantástica assim como o irreverente Gerald. Sinto saudades de todos!”.
Szot está há seis meses em cartaz no Lincoln Center, com South Pacific, onde ficará até o final do ano. Em entrevista exclusiva à L’UOMO BRASIL, ele disse: “A equipe é fantástica. Sempre muito educados e profissionais. Desde a primeira audição foram muito gentis e solícitos comigo. O Diretor de casting acertou na mosca! Não consigo imaginar um elenco mais bem entrosado do que este aqui”.
Depois da estréia não existem mais ensaios: “A concentração é total para os shows e todos chegam preparados para se apresentar 30 minutos antes do espetáculo. No Brasil é costume fazer aquecimento e vocalizes em conjunto antes do show. Aqui não existe nada disso. Cada um tem sua própria maneira de se preparar, eles respeitam e confiam nos profissionais que contratam. É assim que sempre deveria ser. Mais uma vez o Brasil deveria olhar para o centro dos musicais e adotar, ou melhor, dispensar métodos que só cansam o artista. É obrigação de cada artista se aperfeiçoar e para isso deve buscar professores na maioria das vezes fora do local de trabalho. É assim que funciona na ópera, e também aqui na Broadway”.

SEDUTOR SOLITÁRIO
Em South Pacific, onde Paulo interpreta o sedutor Emile de Becque, fazendeiro francês que mantém um romance com uma enfermeira americana (Kelli O'Hara), são oito shows por semana. Enquanto na ópera ele estava acostumado a fazer apenas três apresentações semanais. Mas as diferenças não param por aí. Na ópera os cantores nunca usam microfones e precisam estar muito descansados vocalmente para executar o papel. Segundo ele “a compreensão das diferenças entre os dois estilos é essencial para o sucesso”. Szot está arrancando suspiros da platéia, mas disse que não sobra tempo para a vida sentimental. “Não tenho tempo, procuro me manter em forma para agüentar a maratona dos oito shows por semana. Também gostaria de ter mais tempo para correr no Central Park”.
Depois de receber o prêmio das mãos de Lisa Minnelli e chamar a atenção da mídia em diversos continentes, Paulo está preparado para as mudanças que estão por vir. “De repente o mundo começa a enxergar quem você é. No meu caso venho cantando ópera durante 11 anos, cantei em mais de 60 produções em diferentes continentes, mas depois desse prêmio tudo toma outra dimensão. É bom ser reconhecido pelo trabalho de vários anos. Quero curtir muito esse momento”.
O público brasileiro vai ter que esperar para vê-lo por aqui. “Eu adoro me apresentar no Brasil, mas para o futuro próximo estarei aqui nos Estados Unidos e na Europa”.
Aos 38 anos, Paulo, não acredita que o momento plena satisfação exista. “Acho que provavelmente, para o artista, chega o momento onde ele percebe que já disse tudo aquilo que poderia dizer, então ele descansa. Eu penso no presente e em realizar tudo o que me propus a fazer da melhor forma possível, mas com certeza, esse novo caminho que estou percorrendo me mostrou que tenho muito ainda por descobrir e fico feliz em saber que existem muitas outras possibilidades."
Sergio Casoy faz parte de uma minoria que trabalha para registrar a presença deste estilo musical no Brasil. Em São Paulo, a partir de dezembro deste ano, Sergio e Heraldo Marin, que é diretor da Editora Algol, começarão a produzir um livro-cd. Nele, 25 dos melhores cantores brasileiros da cena lírica da atualidade, gravarão trechos de ópera que cantaram em palcos paulistanos.
“Antigamente, as vozes tinham o privilégio absoluto. Hoje, evidentemente, continuam sendo importantíssimas, mas tanto crítica quanto público atentam muito para detalhes da produção teatral, cenários, movimentação cênica. Outro aspecto, é que nunca vi, pelo menos no Brasil, tanta gente jovem, geração entre 20 e 30 anos, freqüentando o teatro lírico. Esse pessoal tem a cabeça mais aberta para qualquer tipo de repertório, aceita mais a ópera contemporânea cantada em quaisquer outros idiomas, pois hoje há legendas que permitem entender o que se está cantando”, explica Sergio.
Entre os destaques brasileiros, Sergio cita “o tenor lírico Fernando Portari; o soprano lírico Rosana Lamosa; o tenor lírico-spinto Marcello Vannucci; os mezzo-sopranos Denise de Freitas, Luciana Bueno e Adriana Clis; o soprano dramático Celine Imbert; o soprano lírico Claudia Riccitelli e o barítono Sebastião Teixeira.
“São apenas alguns dos muitos nomes importantes temos por aqui e que, evidentemente, não esgotam o assunto”, diz ele.
Sergio acompanha a carreira do barítono Paulo Szot, que momentaneamente deixou a ópera para brilhar na Broadway, desde que ele voltou da Polônia.
“Ele é um bom amigo, cheguei a apresentar alguns concertos com vários cantores dos quais ele fazia parte. Lembro-me muito bem de sua estréia em ópera completa na cidade de SP, num Barbeiro de Sevilha no Teatro Paulo Eiró, lá em Santo Amaro, sob direção cênica do grande cantor italiano Enzo Dara.
Sua primeira vez no palco do Municipal foi como Morales, personagem secundário na Carmen de Bizet, em 98; ele voltaria ao mesmo palco em 2002 na mesma ópera como Escamillo, o toureiro, agora uma das partes principais. A partir de uma Bohème do Teatro Alfa em novembro/dezembro de 98 com Portari e Lamosa, começou a ascensão de sua carreira, sempre em papéis principais.
Szot é sempre um cantor elegante, e um bom artista em cena, cuida muito do físico e se movimenta muito bem. Escolhe bem seus papéis sob o ponto de vista vocal, errou pouquíssimas vezes nesse aspecto. Críticas positivas, como as publicadas recentemente no NY Times, e o prêmio como melhor cantor de musicais da Broadway, em 2008, estimulam o cantor e chamam a atenção do mercado. Ainda mais quando o prêmio é merecido, como no caso do Paulo”, finaliza Sergio, que pesquisa música lírica há 35 anos.

7 de ago. de 2008

Obras de arte que agradam os olhos e o olfato.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Julho/Agosto 2008.

Quantos museus possuem em sua coleção mais de 5.000 obras? Certamente poucos e dentre eles, um museu nada convencional. Em Barcelona, o Museu del Perfum mostra através dos frascos a importância do perfume. E prova como a embalagem pode ser tão importante quanto o conteúdo.

Por Bianca Moretto e Viviane Lopes

Uma das centenas de criações de Pierre Dinand.

Inaugurado em 1961, o Museu del Perfum possui desde antigos frascos egípcios, gregos, romanos, árabes e de outras culturas, até criações de perfumistas atuais. Para se ter uma idéia da importância de um museu como este, ele não é o único no mundo. Existem museus do perfume nos Estados Unidos, na França, no Japão e até no Brasil. Em Curitiba temos o Espaço do Perfume, com mais de 600 peças.
Desde a pré-história, o perfume acompanha a trajetória do homem. Acredita-se que um odor agradável foi notado pela primeira vez, quando o homem sentiu uma fumaça perfumada saindo de uma fogueira. Por isso a palavra perfume deriva do latim per fumum, ou pela fumaça. Depois da descoberta, o homem começou a queimar madeiras e folhas aromáticas para os seus deuses e para si mesmo, e não parou mais.
A indústria do perfume fatura bilhões de dólares no mundo todo, mas a fragrância não é a única responsável pelo sucesso. As embalagens são desenvolvidas como verdadeiras obras de arte que traduzem a essência da fragrância visualmente. Um frasco carrega valores emocionais que encantam, seduzem e comunicam a personalidade do perfume que contém.
O francês Pierre Dinand, 77 anos, é o maior perfumista da Europa e tem mais de 500 frascos criados. Com uma ala exclusiva no Museu do Perfume do Japão, ele já venceu mais de 30 vezes o prêmio de melhor design do FIFI Award, a premiação máxima do perfume.
Em entrevista à Luomo, Pierre afirma que “para fazer sucesso e vencer, um perfume precisa de 5 elementos: design, conteúdo, marketing, distribuição e investimento. Se um deles falhar, você perde.”
Formado em Arquitetura, Pierre já criou para Azzaro, Dior, Givenchy, Paco Rabanne, Calvin Klein, Yves Saint Laurent, Dolce Gabbana e muitas outras grifes famosas. Inclusive para as marcas brasileiras O Boticário, L’acqua di Fiori e Natura. Segundo Pierre “o gosto brasileiro é muito parecido com o francês”. Dentre as suas criações preferidas, ele destaca os perfumes Opium, Pleasures, Calandre, Givenchy, Moschino, Azzaro e Eternity.
No Brasil, a Natura busca desenvolver embalagens com menor impacto ambiental, mas nem por isso menos atraentes em estética e funcionalidade. Prova disso é o projeto Perfume do Brasil. Com simplicidade e inovação, conseguiu expressar tão bem a marca genuinamente brasileira Ekos, que ganhou prêmios internacionais.

Pierre Dinand: o maior perfumista da Europa.

COMPLEXIDADE
Criar uma nova embalagem não é simples. Renato Nishimura, diretor da M Design, empresa especializada no desenvolvimento de embalagens, reafirma a complexidade da tarefa: “A fragrância é a alma do perfume e a expressão olfativa da sua personalidade. Ela nos transporta no tempo e no espaço através da lembrança de pessoas em momentos e lugares. A criação de uma embalagem de perfume só começa depois que o designer conhece essa personalidade, a do seu público, e o que ele deseja.”
A M Design, que já desenvolveu as linhas Egeo, Extreme, Florata in Rose e Carpe Diem para O Boticário e a coleção Mulher e Poesia para a Avon, cria embalagens para todo tipo de produtos. No caso específico dos perfumes, Renato ressalta: “O desafio é muito grande, o designer precisa conhecer o processo de fabricação e as limitações de cada material. Ele tem que estimular seu próprio lado emocional, buscar referências dentro de si e na diversidade humana e entender o público para quem vai criar. Senão corre o risco de criar para si mesmo.”
A criação pode ser muito subjetiva. Pierre conta: “Em 1968, Paco Rabane queria mostrar um casal fazendo amor em um carro e isso poderia ser de muito mau gosto, então propus mostrar a grade de um carro grande como o Rolls Royce.” Foi então que surgiu o design do Calandre.
Às vezes, como neste caso, o nome da fragrância surge com o nome do frasco. Pierre, que costuma esculpir a sua criação primeiro em material plástico, em 1980 esculpiu o frasco de Ivoire em um pedaço verdadeiro de marfim. Por isso Pierre Balmain decidiu chamar o perfume de Ivoire.

Moschino, um dos trabalhos preferidos do perfumista.

2 de jun. de 2008

O boom do cinema brasileiro!

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Maio/Junho 2008.

Com tantos filmes vindos de Hollywood, sobra pouco espaço nas salas de cinema para as produções nacionais. Mas com o aumento da variedade de gênero e estilo de filmes brasileiros, a disputa está cada vez mais acirrada. Segundo o cineasta e diretor do site Filme B, Paulo César Almeida, “são lançados 80 filmes brasileiros por ano e parte desse sucesso deve-se a Lei do Audiovisual”. Desde que ela foi aplicada “já se revelaram cerca de 100 novos cineastas, com sucesso nacional e internacional”. Os números confirmam, os bons tempos do cinema brasileiro estão de volta.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes

Quem não viu Will Smith na festa de lançamento do seu filme no Rio de Janeiro, beijando o display com a foto em tamanho natural da atriz brasileira Alice Braga? A imagem supria a ausência da sua talentosa colega de cena no filme “Eu Sou a Lenda. Enquanto isso, ela estava atuando em outro longa-metragem no exterior. Will contou em diversas entrevistas que no momento em que viu Alice no longa brasileiro Cidade de Deus afirmou: ”Vou trabalhar com essa menina”, e não poupou elogios.
O Brasil é um celeiro de novos talentos nas mais diversas funções. Fernando Meirelles, Cao Hambúrguer, Walter Sales, Breno Silveira, Rodrigo Santoro, Fernanda Torres, Marília Pera, Selton Mello e muitos outros profissionais já receberam aplausos em grandes festivais no exterior. No entanto, ficamos longos anos com a produção escassa, o que gerou descrédito.
“Existe um preconceito do brasileiro com o próprio cinema brasileiro. Até reconquistar o público demora”. A frase é de Bruna Lombardi que já acumula 100 mil espectadores com o filme O Signo da Cidade. O longa-metragem foi lançado apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agora a equipe se prepara para exibi-lo em outros estados do país.
Filha de um diretor e de uma atriz, Bruna afirma ser cinéfila desde menina. Para se dedicar ao cinema, a roteirista, produtora e atriz, optou por não renovar o seu sólido contrato com a Tv Globo. Radicada em Los Angeles há cerca de 20 anos, Bruna é reconhecida por seus diversos papéis em telenovelas e pelo programa em que entrevistou personalidades como Dustin Hoffman e Jean-Claude Van Damme.
Ela comemora a sua sintonia com as telonas justamente em um momento promissor para o cinema brasileiro. Uma iniciativa inédita garantiu salas lotadas em todas as sessões de lançamento do seu filme. Na ocasião do aniversário de São Paulo o ingresso para assistir O Signo da Cidade custava apenas R$ 1,00.
Ainda assim, “é impossível que um filme se pague só com a bilheteria. Não apenas o cinema brasileiro, mas nenhum cinema no mundo. Salvos Hollywood e Coréia, com os seus filmes muito específicos e muito populares que não viajam para fora do país, ninguém consegue se sustentar pelo mercado. Apenas 3% dos filmes lançados se pagam totalmente, seja ele nacional ou estrangeiro. Vale dizer que Hollywood abrange 80% da fatia do mercado mundial”, explica Paulo César Almeida, cineasta e diretor do site Filme B.
“Só se conseguiu viver do cinema nos anos 80 quando não existia tv a cabo, youtube e outras coisas. Hoje o mercado de cinema serve para os atores como uma vitrine, e para os diretores é uma busca de sucesso e realização pessoal. Se eu estivesse nos EUA já estaria aposentado e rico morando em Beverly Hills. Hoje estou em busca de fazer um projeto que me cative, que eu acredite que vai interessar às pessoas. Um projeto que se justifique. Que tenha importância cultural. Se não for assim prefiro ficar quieto”, diz o diretor que foi o primeiro a filmar com HD no Brasil e acumula o saldo de 10 milhões de espectadores.
Para o diretor do premiado filme Dois Filhos de Francisco, Breno Silveira, “este é um verdadeiro momento de retomada, uma retomada de público, retomada de uma boa fase. Foram 15 anos em que o cinema praticamente ficou longe do público, e não é justo. O nosso público precisa se ver retratado, ter as suas histórias contadas. A gente tem uma diversidade cultural muito grande, eu acredito que venha desta nossa cultura miscigenada, isso produz uma riqueza. Às vezes até fico comparando com o cinema argentino que é bom, vive um bom momento, e acho que o nosso é mais rico, temos mais opções, roteiros diferentes, boas histórias”.
Como sócio da Conspiração Filmes, Breno afirma que “produzir filmes ainda é muito difícil no Brasil, são muitos caminhos, trâmites, é tudo subsidiado. A parceria internacional é um ótimo caminho, mas a gente tem outro problema, o idioma. O português é uma língua linda, mas é limitada. É pouco falado no mundo e muitos povos não estão acostumados a ver filmes com legenda. Até me falaram quando Dois Filhos de Francisco foi indicado como filme candidato ao Oscar, que se eu tivesse filmado em espanhol teria conseguido. Com tudo que já conquistamos ainda temos apenas 10% de bilheteria. Na França era assim e hoje eles conseguiram chegar a 40%. Acho que as parcerias com empresas e TVs podem ajudar, ainda são poucas as parcerias (a Globo filmes é parceira em 90% das produções nacionais). Ainda é um esforço viver de cinema no Brasil. Metade do meu dinheiro vem da publicidade. Você leva praticamente 4 anos para fazer um filme e nesse tempo precisa viver de outra coisa. Eu usei a publicidade para bancar o meu sonho de cinema”, completa Breno que estudou fotografia de cinema na França.
Breno viu o seu filme Dois Filhos de Francisco ser duramente criticado na primeira semana de exibição.
“Foi um filme muito difícil. Houve muito preconceito no começo, ninguém acreditava porque era uma história de música sertaneja. Eu cheguei a pensar que tinha errado, mas eu acreditava na história. Foi difícil até arrumar parceiros, patrocinadores, quando viam o projeto todo mundo falava, só vai atrair os fãs e quando saiu pensei, nem os fãs tão vendo, nem quem não é fã. Todo mundo recusou e depois foi aquele sucesso, foi uma surpresa. Agora é mais difícil fazer outro filme, vem a cobrança, mas eu sei que Dois Filhos foi um caso único. Eu gosto de falar de relacionamentos, de laços de família. Eu não sabia e descobri com Dois Filhos, o meu trabalho é emocionar, eu faço filme para emocionar as pessoas”. O seu próximo filme, Era uma Vez, estréia dia 25 de julho.

Breno Silveira e os protagonistas de Era Uma Vez

DESAFIOS
Mesmo vivendo uma boa fase, o cinema ainda oferece grandes desafios e concorrência para os profissionais que querem viver desta arte. A jovem atriz de 19 anos, Sophia Reis, começou no filme Meu Tio matou um cara e conta que “o primeiro papel veio naturalmente”.
Paula Lavigne, amiga do seu pai Nando Reis, a avisou sobre os testes e Sophia foi fazer. Ela foi aprovada e fez a personagem Isa. Meu tio matou um cara é uma comédia policial de 2004, com a direção de Jorge Furtado, reconhecido pelo seu documentário muito premiado "Ilha das Flores".
Recentemente ela filmou como a personagem Bia no curta-metragem Vida e Morte de Sophie Alice, com direção de Vitor Leite e participação especial de Antônio Fagundes.
Sophia explica que "viver de cinema não é nada fácil, não são muitos os papéis, há muitas pessoas concorrendo. É uma provação constante, muitos testes, às vezes até 4 por semana. Essa necessidade de se provar constantemente é cansativa e estressante. Mais uma dificuldade para quem está começando”.
Fora o curta-metragem, Sophia começará em agosto a fazer faculdade de cinema com a vontade de conhecer tudo, de direção à produção. Enquanto não surge um próximo desafio no cinema, a atriz apaixonada por cinema é VJ na MTV.

ANTOPROFAGIA
O cinema cresce, a oferta de profissionais qualificados aumenta, e salas de exibição são aprimoradas. A inclusão de salas multiplex trouxe qualidade de som e imagem, um novo conceito de cinema. E por incrível que pareça, o número de salas não aumentou muito nos últimos cinco anos. Quando uma grande sala de cinema é inaugurada, automaticamente as pequenas que estão à sua volta fecham. Hoje são 2.150 salas espalhadas por todo o país, atendendo às necessidades de um mercado que movimenta R$ 100 milhões por ano.
Paulo César Almeida conclui dizendo que “trata-se de um processo antropofágico. O vídeo comeu o cinema, a pirataria comeu o homevideo e a televisão rouba um pouco de tudo isso. As vídeo locadoras estão falindo e, com a chegada do digital, muda tudo outra vez. Nos próximos anos tudo vai mudar. Eu sempre acho que é pra melhor, eu sou otimista”.
Só uma coisa não vai mudar, temos motivos de sobra para prestigiar o trabalho dos nossos cineastas.

OS PREMIADOS
Em 2002 foi fundada a Academia Brasileira de Cinema, com o objetivo de promover, preservar e divulgar o cinema nacional. A criação de um prêmio para celebrar a produção anual de filmes, marcou o início de um projeto que aproximou mais de 300 sócios, entre realizadores, distribuidores, produtores, exibidores, técnicos, atores e outros profissionais do cinema e audiovisual.
Na entrega do Grande Prêmio Brasileiro de Cinema deste ano, que aconteceu no dia 15 de abril, no Rio de Janeiro, o filme Tropa de Elite de José Padilha, foi o que mais ganhou estatuetas. Nove no total: melhor direção, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor direção de fotografia, melhor maquiagem, melhor montagem ficção, melhor som e melhor efeito especial. Além de ser eleito pelo voto popular como o melhor longa-metragem nacional.
Tropa de Elite levou mais de 3 milhões de espectadores ao cinema, repetindo o sucesso de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, em 2002. O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hambúrguer, subiu ao palco três vezes, uma delas para receber o prêmio de melhor longa metragem de ficção de 2007.
O Cheiro do Ralo, que conta com a atuação de Selton Mello e direção de Heitor Dhalia, ganhou destaque com o prêmio de melhor roteiro original pela adaptação do livro O Cheiro do Ralo, de Lourenço Mutarelli. Na festa do cinema brasileiro, houve espaço até para melhor filme de celular que teve But como o vencedor.
Para a entrega do próximo ano, o filme Meu Nome Não é Johnny será um forte candidato. O longa-metragem foi rodado em 55 locações diferentes, contou com 1.500 figurantes e teve orçamento geral de R$ 6 milhões.
"Na maior parte do tempo, não passávamos mais de um dia em uma única locação. O João nunca fica no mesmo lugar e só pára quando vai preso. Esta movimentação no cinema costuma ser sempre caríssima. Mas conseguimos aproveitar a verba da melhor maneira possível. Tenho muito orgulho da equação econômica do filme", declara a produtora Mariza Leão no site da Academia de Cinema.
Mariza conta também que “as filmagens em Veneza tiveram até um episódio engraçado. Depois de um dia inteiro de filmagem, com todas as dificuldades de logística que a cidade tem, o câmera disse que teriam que fazer tudo de novo porque tinha entrado um pêlo na lente”. Tanto sufoco valeu a pena. Lançado em 2008 o filme Meu Nome não é Johnny, de Mauro Lima, já registra mais de 2 milhões de espectadores.

A nova face do luxo.

Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Maio/Junho 2008.

São Paulo agora tem um novo endereço luxuoso: o Shopping Cidade Jardim. Inspirado nas ruas mais elegantes do mundo, ele não é mais um shopping. É o primeiro shopping aberto da cidade, com marcas exclusivas, lojas posicionadas em frente a belos jardins e estrutura semelhante ao famoso Bal Harbour de Miami.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes

Com inauguração prevista para este mês de maio, o Shopping Cidade Jardim é um investimento único e sem precedentes no Brasil. A começar pelo projeto arquitetônico de Arthur Casas, e paisagístico de Maria João D'Orey. São três pisos voltados para áreas abertas, que abrigam as melhores marcas, opções de lazer, cultura e bem-estar. O shopping inclui até um spa, o Spa Cidade Jardim, o maior da América Latina com 2.500m2, equipado com o que há de mais moderno e eficiente quando o assunto é beleza e estética.
O shopping que tem 120 lojas na fase inicial – com previsão de 180 na final –, está localizado na Marginal Pinheiros e faz parte do complexo Parque Cidade Jardim. Um espaço de 72.000m2, que além do shopping tem nove prédios residenciais e, futuramente, três edifícios comerciais.
O novo centro de compras reúne as melhores grifes internacionais como Armani, Chanel, La Perla, Lacoste, Louis Vuitton, Montblanc, Tiffany, Zara e Zegna dentre outras. Algumas pela primeira vez no Brasil, como Furla, Gant, Longchamp, Rolex e Sony. Dentre as nacionais, Daslu, Ana Rocha e Appolinario, Balangandã, Beach Hall, Carlos Miele, Cris Barros, H. Stern, Juliana Scarpa, Paramount, Reinaldo Lourenço, Tabacaria Caruso, Tania Bulhões, Ventura, as cariocas Lee Loo e Mara Mac e muito mais. Isso sem falar nos serviços e opções gastronômicas como os restaurantes Kosuchi, Nonno, Rugero do grupo Fasano, a doceira Pati Piva, Nespresso, etc.
O projeto concebido há três anos pela JHSF, teve desde o início a consultoria de Carlos Ferreirinha, um dos mais importantes consultores de luxo do país.
Segundo ele: "o mercado, que movimentou US$ 3,9 bilhões no último ano, cresceu 17% e tem espaço para crescer mais." E com o novo shopping "ganha o mercado, ganham as operações e ganharão os consumidores. O Cidade Jardim é o primeiro shopping 100% conceituado e projetado no negócio do luxo, por si só uma novidade e um ineditismo no Brasil."
O empreendimento não vem para fazer concorrência direta com outros endereços conhecidos da cidade. Na opinião de sua diretora, Sharon Beting: "Ele não fará concorrência à Daslu, tanto que a marca contará com uma das lojas-âncora do shopping. Além disso, tanto em relação ao Shopping Iguatemi quanto à Daslu, há uma espécie de barreira, de limite, que é o Rio Pinheiros. Os dois ficam de um lado do rio e nós ficamos do outro."
Ferreinha complementa: "o mesmo consumidor pode comprar nas 3 operações com manifestações distintas de consumo. Também existirão consumidores diferentes, novos, surgindo."
A diretora Sharon ressalta: "o consumidor poderá contar com o diferencial de o shopping ser aberto, encontrar lojas que foram selecionadas de maneira muito criteriosa e serviços que visam a facilitar a sua vida, como: bancos, lojas de operadoras de celular, lavanderia, pet shop, concierge, etc.".

Perspectiva artística da fachada do Shopping Cidade Jardim.

Para os lojistas o investimento promete ser um ótimo negócio, afinal "a idéia do shopping não é atender apenas o público da região, mas sim atrair pessoas de toda a cidade. O lojista contará com um grande número de consumidores potenciais, um fluxo anual estimado em 10.800.000 visitantes, o que dá uma média de 30 mil pessoas/dia. Além disso, o shopping será praticamente o único centro comercial da região.", completa a diretora.
Uma das marcas que compõem o mix de lojas, a MontBlanc, desde 1992 no Brasil, abrirá no Cidade Jardim a maior boutique da América Latina, com mais de 200m2. A negociação começou logo no início da abertura dos espaços, que foram muito disputados pelas marcas. A competição valeu a pena e a Montblanc conseguiu um espaço privilegiado.
A loja terá um conceito para o espaço masculino, o tom ashvenir – madeira azul –; para o feminino, 30 a 40% da loja, madeira maple. Ainda haverá uma sala Vip à portas fechadas para quem quiser marcar horário. O projeto é da matriz alemã e a boutique será inaugurada dia 4 de junho. Na ocasião acontecerá uma festa fechada, com a presença do diretor comercial mundial e do diretor comercial da América Latina. A marca conta com mais de 3 mil itens em seu mix de coleções: canetas, relógios, jóias femininas, artigos de couro e acessórios masculinos. Para o novo endereço estão sendo preparadas novidades que ainda não foram divulgadas.

CASA DO SABER
Uma outra novidade do Cidade Jardim é a unidade cultural da Casa do Saber. Um centro de cursos livres na área de humanidades, que desenvolve projetos culturais e tem como público profissionais liberais, com formação universitária e um interesse comum por cultura e temas contemporâneos.
A Casa do Saber é formada pela sociedade dos profissionais: Maria Fernanda Cândido, Ana Maria Diniz, Celso Loducca, Gabriel Chalita, Jair Ribeiro da Silva Neto, Luiz Felipe D’Ávila e Pierre Moreau. A nova unidade foi um interesse comum entre a Casa do Saber e o Shopping Cidade Jardim.
O shopping queria agregar a qualidade dos cursos à suas lojas, e a Casa do Saber buscava diversificar seus locais de atuação. A terceira unidade da Casa do Saber contará com um espaço de 200m2. Apesar de cultura não ser artigo de luxo, o preço médio das aulas é de R$ 90,00.

Um empreendimento deste porte beneficia a cidade de todas as formas diz Ferreirinha: "posiciona a cidade e o Brasil no ápice da contemporanidade, educa o consumidor cada vez mais em patamar de exigência e excepcionalidade."

Mas mesmo com este novo império do luxo na capital, Ferreirinha lembra que em relação ao luxo de outras cidades do mundo "estamos muito longe e não se pode confundir consumo de determinadas bases de consumidores brasileiros, com formatação de negócios. Alguns consumidores brasileiros são nivelados de igual para igual a importantes consumidores mundiais. Mas, o negócio em si – o varejo como um todo, ainda está distante. A cultura do luxo ainda é capricho para muitos consumidores. E não somente no Brasil. É um comportamento global para todo tipo de consumo."
O fato é que mesmo que não estejamos em Miami, nem nos endereços mais luxuosos do mundo, agora será possível saciar qualquer capricho de consumo de uma maneira muito mais agradável.