Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Jan/Fev 2008.
Consumir para ter conforto e tranqüilidade. Resta saber até quando. O que estamos fazendo para que o crescimento econômico seja sustentável? O aquecimento global ganha destaque nas mídias porque deixou o campo das previsões e se tornou realidade, secando rios, destruindo geleiras, confundindo as quatro estações. No século XVIII Jean-Jacques Rousseau questionou o descomprometimento humano “Que ganham, se a própria tranqüilidade é uma de suas misérias? Também nas masmorras se vive em sossego, e é isso bastante para que lá nos achemos bem?”.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes.
“Dado que cada um pudesse a si mesmo alienar-se, não pode alienar seus filhos, que nascem homens e livres; sua liberdade lhes pertence, só eles têm direito de dispor dela”. A frase é do filósofo Rousseau que inspirou a Revolução Francesa. E foi na França que surgiu o Décroissance (decrescimento), que questiona o que sobrará para as próximas gerações. As conseqüências das escolhas do homem atual podem excluir o direito de, por exemplo, água potável para o homem de amanhã.
Os adeptos do Décroissance acreditam que se não pararmos hoje, de produzir desesperadamente, o mundo ficará inviável. “Devemos parar de produzir radicalmente. Parar com a indústria e com os avanços tecnológicos. Já temos produtos demais, carros demais. Não precisamos de mais quantidades e sim de mais qualidade”. A afirmativa está publicada no site do jornal La Décroissance do qual Bruno Clémentin é co-fundador. Ele conversou com a L'UOMO BRASIL por e-mail e disse que esta é uma maneira de começar a pensar sobre reduzir o consumo pessoal e coletivo daqueles que sobrecarregam a capacidade do planeta. Ele explica que não se trata de um movimento: “Décroissance se assemelha ao socialismo logo no início, e não há um líder nem mesmo um presidente”.
Ao todo, 18 mil cópias do jornal são vendidas mensalmente em bancas ou por assinatura. O número ainda é pequeno se considerarmos a população francesa, que gira em torno dos 63 milhões de habitantes. A estatística fica ainda menor quando se trata de aplicar a teoria na prática. “Se for preciso abrir mão do próprio carro, é possível contar o número de adeptos nos dedos das suas duas mãos”, ressalta Bruno.
VETOR DE DEBATES
Líderes políticos e grandes empresários como Nicolas Sarkosy, François Fillon e Jean-Louis Borloo, já declararam repetidamente em programas de rádio e TV que são contra o decrescimento. De fato não seria uma missão fácil puxar o freio da economia de um país, enquanto o mundo todo se preocupa em acelerar as atividades.
“Nós não somos mais inteligentes ou esclarecidos do que os outros. La Décroissance não conseguirá mudar o comportamento humano, ou a maneira como as pessoas agem e reagem, apenas com as palavras. A idéia é simples: quando você sobrecarrega a capacidade da Terra, você deve encontrar maneiras para aprender a continuar vivendo ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia”, diz Bruno.
O jornal La Décroissance entende ser um serviço desta causa, mas não pretende ser um depositário exclusivo. Ele é um vetor de debates e mobilizações para convencer os partidários sobre os impasses do “desenvolvimento sustentável”. Eles se intitulam humanistas, democratas e fiéis à ecologia e a questão social.
La Décroissance questiona, inclusive, o consumo de carne e citam o Relatório Unesco para o Fórum Mundial da Água, de 2004, que revelou quanta água limpa é usada em média, apenas para matar a sede de cada animal. Enquanto um boi consome 35 litros de água por dia e uma vaca leiteira 40, um favelado dos países pobres tem acesso a apenas 20 litros por dia, em média. Eles pedem o fim da produção de agrotóxicos e tem como adepto o José Bové, famoso pela campanha antiMcDonalds.
Uma outra maneira que encontraram para propagar este ideal foi em publicações de especialistas em sociologia, antropologia, economia, filosofia, como é o caso do famoso cientista social Paul Airès. Além disso, há conferências mundo a fora, a última foi no “Grenelle do Meio Ambiente” com a presença dos principais opositores de Sarkozy.
Maria Constança Peres Pissarra, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica, fez pós-doutorado na França e nos ajudou a entender este ideal ainda tão desconhecido entre os especialistas brasileiros. Ela explica que esta é a idéia de uma nova utopia, uma nova terra de homens felizes com partilha.
"No renascimento o homem passou a dominar tudo o que precisava fazer – idéia de que a ciência poderia resolver todos os problemas, a auto-suficiência do homem. O conhecimento que dá a certeza de tudo o que ele quer fazer. A idéia do belo e perfeito. O único autor no século XVIII que escreveu os problemas do progresso foi Jean Jacques Rousseau. Enquanto todos comemoravam as 'maravilhas do novo mundo', a arte, ele entendeu que produzir a técnica faria com que apenas alguns a dominassem. A partir do momento em que o homem inventou a propriedade, deixamos de viver em igualdade. Após tanto desenvolvimento a Terra dá sinais de que temos limitações e o Décroissance volta no tempo para rechaçar o que é fundamental ao indivíduo. Este é um pensamento a longo prazo, com medidas imediatas. Eles acreditam ser possível e necessário a reconciliação do 'princípio responsabilidade' com o 'princípio esperança'”.
ECONOMIA DE COMUNHÃO
No Brasil um modelo inovador de economia sustentável surgiu há mais de uma década e já mostra resultados práticos nos cinco continentes. Trata-se da “cultura do dar”. Não é filantropia, mas sim, partilha, na qual cada um dá e recebe pelo seu trabalho com igual dignidade. Quando Chiara Lubich propôs a Economia de Comunhão, ela não tinha em mente uma teoria. Entretanto, esta italiana chamou a atenção de economistas, sociólogos, filósofos e estudiosos que lhe conferiram o grau de doutor honoris causa em Economia.
A Economia de Comunhão surgiu em maio de 1991 em São Paulo, durante um encontro de Chiara com a comunidade local dos Focolares, um movimento cristão, do qual ela é precursora, que surgiu após a segunda guerra mundial, no qual se sugere um novo modo de agir com base na partilha.
A pobreza estava presente entre alguns dos 250 mil membros do Movimento, e o que se partilhava com a comunhão de bens já não era o suficiente para manter a estrutura viva e funcional. Daí surgiu a idéia de aumentar a receita, com o surgimento de empresas confiadas a pessoas competentes, em condições de fazê-las funcionar com eficiência para obter lucros.
No entanto, parte dos lucros seria usada para incrementar a empresa; parte para ajudar pessoas necessitadas, dando-lhes a possibilidade de viver de modo mais digno à espera de um trabalho, ou oferecendo-lhes um emprego nessas empresas; e a última parte, para desenvolver estruturas visando a formação de homens e mulheres que motivassem a vida pela cultura do dar, “porque sem 'homens novos' não se faz uma sociedade nova”, explica Luigino Bruni no seu livro Economia de Comunhão – Uma cultura econômica em várias dimensões.
Das poucas empresas pioneiras que em 1991 aderiram à proposta de Chiara, hoje a Economia de Comunhão é uma realidade que engloba mais de setecentas empresas em todos os continentes. Há um espaço, cada vez maior, para debates sobre como conciliar vida econômica e crescimento humano.
A VALORIZAÇÃO DO HOMEM
No Brasil, 121 empresas com 1.098 funcionários já aderiram ao modelo econômico da Economia de Comunhão. Rodolfo Leibholz, é sócio da Femaq uma delas. E mais do que contas e vendas, obviamente necessárias, na verdade o que interessa à empresa, é o “estar bem” das pessoas ao seu redor (colegas, funcionários, clientes, pessoas necessitadas que às vezes nem conheçam e até mesmo os concorrentes) e algo não menos importante, a salvaguarda da própria motivação humana e espiritual. Em particular, há quem entreveja na categoria de “comunhão“ uma nova chave de leitura das relações sociais, que poderia contribuir para superar a postura individualista que hoje prevalece na ciência econômica.
Fundada em 1966, a Femaq é uma empresa que produz peças fundidas em ferro, aço e alumínio, cuja capacidade de produção chega a 30 toneladas de peso unitário, com um faturamento de 38 milhões de reais por ano. Além de atender clientes como Ford e GM, a companhia exporta para cinco países, entre eles, Estados Unidos e Alemanha.
“Sob o ponto de vista do lucro, da acumulação do capital, estávamos na direção certa. Sob o ponto de vista pessoal, passávamos por uma grande inquietação e até uma insatisfação”. "Em 1991, quando Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, lançou no Brasil o projeto Economia de Comunhão na liberdade, entendemos logo que era justamente aquele o modelo econômico que esperávamos”, conta Rodolfo, que viu o seu faturamento dobrar na última década.
Para se adequar ao projeto, a companhia deve ter resultados financeiros positivos, respeitar o meio ambiente, se integrar com a sociedade, priorizar a comunicação interna e externa, desenvolver um melhoramento contínuo através de pesquisa, ter harmonia e equilíbrio e ser fiel e comprometido com a missão da empresa. Com a Economia de Comunhão, Chiara tocou no ponto chave da cultura econômica, isto é, naquilo que se refere à visão do homem que age na economia, chamando pelos estudiosos como Homo economicus.
8 de fev. de 2008
7 de fev. de 2008
Anne Sophie Pic, a mulher estrelada.
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Jan/Fev 2008.
Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, cerca de 90 pessoas por dia, investiram 350 reais para degustar do menu de seis tempos preparado pela Chef Anne Sophie Pic. O jantar aconteceu no restaurante francês Eau, localizado no Grand Hyatt São Paulo. Foi lá que a Chef autodidata, de 38 anos, falou com a exclusividade à L’uomo Brasil.
Por Viviane Lopes e Bianca Moretto
Com colaboração e tradução de Marie Oceane Borba
Em sua primeira passagem pelo Brasil, Anne se diz surpresa com o tamanho e as infinitas construções da cidade de São Paulo, “aqui você sente que chegou em um país latino, com seus lados bons e ruins.“
Ela ouviu de outros chefs franceses que “o Brasil é incrível porque tem uns produtos lindos“ e disse que antes de retornar ao seu país pretendia jantar com o reconhecido chef Alex Atala, com quem se encontrou na Espanha.
“Eu quero conhecer a comida dele. Alex cozinha somente com produtos brasileiros e isso é fabuloso! Eu gostaria também de conhecer as especiarias da Amazônia, as frutas brasileiras e degustas a comida temperada e picante do Nordente".
Apesar do encantamento com a nossa cultura, para o jantar oferecido no Hyatt, Anne quis reproduzir a sua cozinha. Para não correr riscos ela trouxe belas trufas, aproveitando que a temporada por lá acabou de começar. O cardápio começou com uma crême brulée de foie gras com maçã verde, depois vieiras com trufas e rum. Em seguida um barbo (peixe) caramelizado. O prato seguinte foi uma poularde, uma ave levemente perfumada ao iodo, com bulots (uma concha marinha comestível) e batatas. Para as sobremesas, duas opções: uma preparada com o chocolate do Val du Rhône, trazido da França e a outra feita de maçã e champanhe.
Natural da região francesa de Rhône-Alpes, Anne Sophie é filha e neta de chefs que em algum momento também receberam a classificação máxima do Michelin. Somente este ano, ela recebeu dois dos principais reconhecimentos que um chef pode almejar: três estrelas no Guia Michelin – a classificação máxima da “bíblia” da gastronomia – e o título de Chef do Ano 2007 na França, concedido por um conclave formado pelos principais chefs em atuação no país que é destino gastronômico número 1 do mundo.
CAMINHOS
Para conquistar este lugar, a caminhada foi longa e cheia de desafios. Anne intitula-se uma autodidata.
“Tenho um olhar muito humilde quanto ao meu começo de carreira porque, apesar do histórico familiar eu não sabia cozinhar e tudo foi complicado. Meu universo era somente o restaurante da minha família e precisei ir para muito longe para perceber o quanto eu sentia falta daquele que já era meu caminho. Não acredito em acaso na vida; acho que as coisas, se tiverem que acontecer, acontecem”.
Atualmente, Anne conta com a ajuda do marido que trabalha com ela. Esta foi a maneira que encontrou para dividir as funções entre a Maison PIC, o bistrô Le 7 e o hotel.
“Eu me organizei de tal maneira que hoje tenho uma equipe bastante homogênea. O que importa para mim não é estar presente no processo de A a Z, porque as pessoas fazem tão bem, ou melhor do que eu. O que realmente me importa é a criação dos pratos, e neste momento sempre estou com a minha equipe."
O restaurante, o bistrô e o hotel ficam na beira desta mítica, estrada que até 40 anos atrás era o único caminho de Paris para a Côte d'Azur.
“Queríamos ter esta ligação com o passado, mas estamos sempre com o pé no futuro. Agora temos um projeto que é muito importante para nós: a abertura da escola de cozinha, que vai se chamar Scook. Ela ficará a 100 metros do restaurante e terá um lugar de degustação e de arte floral. Eu vou dar aulas e a equipe será formada apenas por mulheres. Acho isso muito bom, já que o meio da culinária é muito masculino."
Apesar da predominância masculina, Anne Sophie acredita que na cozinha deve haver uma complementaridade entre homens e mulheres. Nos seus empreendimentos não há rivalidade. As mulheres são tão bem pagas quanto os homens.
“Se uma mulher for tão competente quanto um homem, ela subirá da mesma maneira e os outros aceitam isso. Eu tenho orgulho disso porque quando cheguei a este trabalho, não era exatamente assim”.
Anne era a filha do chef, não sabia cozinhar e é autodidata, motivos que geravam um ambiente hostil a sua volta, mas com a chegada dos prêmios ela adquiriu serenidade.
“Durante muito tempo me culpei por ser uma mulher neste meio. Graças a estas recompensas, tudo mudou. Eu posso focar hoje no que mais gosto e não tenho mais este sentimento. Quando o senhor Jean-Luc Naret, diretor geral do Guia Michelin, anunciou o Palmares deste ano, ele disse que esperava que a minha vitória suscitasse vocações. E eu também espero, pois sou a prova viva de que isso pode acontecer! Na França, não há muitos autodidatas, ainda é um meio cheio de regras. Não é especialmente negativo, mas o que tem de positivo na cena gastronômica francesa é uma grande diversidade, isso é que faz a sua riqueza. Quase toda a minha geração foi recompensada. Fomos todos recompensados ao mesmo tempo: Yannick Alleno, Pascal Barbot, Frederic Anton... e tem toda uma geração que está chegando. Eu acho a gastronomia francesa muito viva e audaciosa também. Hoje em dia há mais jovens abrindo seu próprio negócio do que em outras épocas”.
Anne Sophie evita definir a sua cozinha com o termo terroir: “Quando se vive numa região, gostamos de nossos produtos, mas meu pai trabalhava muito com crustáceos e peixes que não são especificamente da nossa região. Tento me afastar um pouco do termo terroir, mas a base da cozinha possui os mesmos os valores da cozinha do passado. Acho importante permanecer assim. As associações de sabores podem ser originais, mas tem toda uma parte clássica da cozinha que tem de continuar”.
Para o jantar do Hyatt a harmonização de vinhos da região Cotes du Rhône era feita pelo sommelier Denis Bertrand. Um detalhe que Anne considera muito importante.
“Hoje em dia gostaria de melhorar esta cultura em mim. Trabalho com excelentes sommeliers, que, muitas vezes provam os pratos que preparo. Recentemente, tive a oportunidade de fazer uma degustação com uma das minhas melhores amigas, Christine Vernay, que é do vinhedo do Condrieu. A gente provou um Condrieu com um fígado que eu tinha feito com pêssego.
Em outra vez, saboreamos uma moleja de vitela com cenoura e lavanda, junto com um Côte Rôtie foi uma bela associação, na qual o prato revelava o vinho e o vinho revelava o prato".
A chef disse ainda que tem interesse no trabalho de texturas e que no Japão – local onde esteve recentemente – descobriu o kuzu, um agente de ligação pouco conhecido na França.
"Eu sei muito bem que existem produtos que não vou poder importar para a França, porque são bons no país de origem, mas não mantém a qualidade quando chegam a outros lugares. Fora isso, descobri o mundo dos sushis... Temos de abrir um restaurante no Japão. É um sonho, mas a gente pode sonhar, não é?" – finalizou ela.
Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, cerca de 90 pessoas por dia, investiram 350 reais para degustar do menu de seis tempos preparado pela Chef Anne Sophie Pic. O jantar aconteceu no restaurante francês Eau, localizado no Grand Hyatt São Paulo. Foi lá que a Chef autodidata, de 38 anos, falou com a exclusividade à L’uomo Brasil.
Por Viviane Lopes e Bianca Moretto
Com colaboração e tradução de Marie Oceane Borba
Em sua primeira passagem pelo Brasil, Anne se diz surpresa com o tamanho e as infinitas construções da cidade de São Paulo, “aqui você sente que chegou em um país latino, com seus lados bons e ruins.“
Ela ouviu de outros chefs franceses que “o Brasil é incrível porque tem uns produtos lindos“ e disse que antes de retornar ao seu país pretendia jantar com o reconhecido chef Alex Atala, com quem se encontrou na Espanha.
“Eu quero conhecer a comida dele. Alex cozinha somente com produtos brasileiros e isso é fabuloso! Eu gostaria também de conhecer as especiarias da Amazônia, as frutas brasileiras e degustas a comida temperada e picante do Nordente".
Apesar do encantamento com a nossa cultura, para o jantar oferecido no Hyatt, Anne quis reproduzir a sua cozinha. Para não correr riscos ela trouxe belas trufas, aproveitando que a temporada por lá acabou de começar. O cardápio começou com uma crême brulée de foie gras com maçã verde, depois vieiras com trufas e rum. Em seguida um barbo (peixe) caramelizado. O prato seguinte foi uma poularde, uma ave levemente perfumada ao iodo, com bulots (uma concha marinha comestível) e batatas. Para as sobremesas, duas opções: uma preparada com o chocolate do Val du Rhône, trazido da França e a outra feita de maçã e champanhe.
Natural da região francesa de Rhône-Alpes, Anne Sophie é filha e neta de chefs que em algum momento também receberam a classificação máxima do Michelin. Somente este ano, ela recebeu dois dos principais reconhecimentos que um chef pode almejar: três estrelas no Guia Michelin – a classificação máxima da “bíblia” da gastronomia – e o título de Chef do Ano 2007 na França, concedido por um conclave formado pelos principais chefs em atuação no país que é destino gastronômico número 1 do mundo.
CAMINHOS
Para conquistar este lugar, a caminhada foi longa e cheia de desafios. Anne intitula-se uma autodidata.
“Tenho um olhar muito humilde quanto ao meu começo de carreira porque, apesar do histórico familiar eu não sabia cozinhar e tudo foi complicado. Meu universo era somente o restaurante da minha família e precisei ir para muito longe para perceber o quanto eu sentia falta daquele que já era meu caminho. Não acredito em acaso na vida; acho que as coisas, se tiverem que acontecer, acontecem”.
Atualmente, Anne conta com a ajuda do marido que trabalha com ela. Esta foi a maneira que encontrou para dividir as funções entre a Maison PIC, o bistrô Le 7 e o hotel.
“Eu me organizei de tal maneira que hoje tenho uma equipe bastante homogênea. O que importa para mim não é estar presente no processo de A a Z, porque as pessoas fazem tão bem, ou melhor do que eu. O que realmente me importa é a criação dos pratos, e neste momento sempre estou com a minha equipe."
O restaurante, o bistrô e o hotel ficam na beira desta mítica, estrada que até 40 anos atrás era o único caminho de Paris para a Côte d'Azur.
“Queríamos ter esta ligação com o passado, mas estamos sempre com o pé no futuro. Agora temos um projeto que é muito importante para nós: a abertura da escola de cozinha, que vai se chamar Scook. Ela ficará a 100 metros do restaurante e terá um lugar de degustação e de arte floral. Eu vou dar aulas e a equipe será formada apenas por mulheres. Acho isso muito bom, já que o meio da culinária é muito masculino."
Apesar da predominância masculina, Anne Sophie acredita que na cozinha deve haver uma complementaridade entre homens e mulheres. Nos seus empreendimentos não há rivalidade. As mulheres são tão bem pagas quanto os homens.
“Se uma mulher for tão competente quanto um homem, ela subirá da mesma maneira e os outros aceitam isso. Eu tenho orgulho disso porque quando cheguei a este trabalho, não era exatamente assim”.
Anne era a filha do chef, não sabia cozinhar e é autodidata, motivos que geravam um ambiente hostil a sua volta, mas com a chegada dos prêmios ela adquiriu serenidade.
“Durante muito tempo me culpei por ser uma mulher neste meio. Graças a estas recompensas, tudo mudou. Eu posso focar hoje no que mais gosto e não tenho mais este sentimento. Quando o senhor Jean-Luc Naret, diretor geral do Guia Michelin, anunciou o Palmares deste ano, ele disse que esperava que a minha vitória suscitasse vocações. E eu também espero, pois sou a prova viva de que isso pode acontecer! Na França, não há muitos autodidatas, ainda é um meio cheio de regras. Não é especialmente negativo, mas o que tem de positivo na cena gastronômica francesa é uma grande diversidade, isso é que faz a sua riqueza. Quase toda a minha geração foi recompensada. Fomos todos recompensados ao mesmo tempo: Yannick Alleno, Pascal Barbot, Frederic Anton... e tem toda uma geração que está chegando. Eu acho a gastronomia francesa muito viva e audaciosa também. Hoje em dia há mais jovens abrindo seu próprio negócio do que em outras épocas”.
Anne Sophie evita definir a sua cozinha com o termo terroir: “Quando se vive numa região, gostamos de nossos produtos, mas meu pai trabalhava muito com crustáceos e peixes que não são especificamente da nossa região. Tento me afastar um pouco do termo terroir, mas a base da cozinha possui os mesmos os valores da cozinha do passado. Acho importante permanecer assim. As associações de sabores podem ser originais, mas tem toda uma parte clássica da cozinha que tem de continuar”.
Para o jantar do Hyatt a harmonização de vinhos da região Cotes du Rhône era feita pelo sommelier Denis Bertrand. Um detalhe que Anne considera muito importante.
“Hoje em dia gostaria de melhorar esta cultura em mim. Trabalho com excelentes sommeliers, que, muitas vezes provam os pratos que preparo. Recentemente, tive a oportunidade de fazer uma degustação com uma das minhas melhores amigas, Christine Vernay, que é do vinhedo do Condrieu. A gente provou um Condrieu com um fígado que eu tinha feito com pêssego.
Em outra vez, saboreamos uma moleja de vitela com cenoura e lavanda, junto com um Côte Rôtie foi uma bela associação, na qual o prato revelava o vinho e o vinho revelava o prato".
A chef disse ainda que tem interesse no trabalho de texturas e que no Japão – local onde esteve recentemente – descobriu o kuzu, um agente de ligação pouco conhecido na França.
"Eu sei muito bem que existem produtos que não vou poder importar para a França, porque são bons no país de origem, mas não mantém a qualidade quando chegam a outros lugares. Fora isso, descobri o mundo dos sushis... Temos de abrir um restaurante no Japão. É um sonho, mas a gente pode sonhar, não é?" – finalizou ela.
28 de nov. de 2007
Enriquecendo o espírito
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Nov/Dez 2007.
Tempo para refletir, rezar, contemplar a natureza, dedicar-se a si mesmo e à família. Tem muita gente que nem lembra mais a última vez que fez isso, mas parar e buscar forças pode ser mais importante do que se imagina. Conheça uma nova forma de descansar o corpo e a mente, e mais do que isso, de reabastecer as energias.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
A doutora em Psicologia Social pela PUC, Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e do trabalho “costuma dizer que o mercado de trabalho está dividido entre desempregados e sobrecarregados”. O profissional tem uma carga maior do que pode suportar, as exigências e a pressão por resultados não deixam espaço para a vida pessoal. Não existe mais separação nítida entre trabalho e descanso, o celular e o laptop propiciam um trabalho de 24 horas e a exaustão física e mental é cada vez mais frequente. Muitos se habituam à rotina e às vezes ficam estressados quando saem de férias ou têm um tempo livre, mas é necessário parar. Uma aliada nessa etapa pode ser a religião.
A crença religiosa sempre fez parte do ser humano e continua sendo um elemento essencial na vida do homem. O mais difícil talvez seja a decisão de buscar, porém, ao achar o lugar certo fica mais fácil perceber o que estava faltando.
Mulher meditando no Centro Urbano do Odsal Ling.
FÉRIAS ESPIRITUAIS
No Brasil e no mundo são diversos centros religiosos que promovem verdadeiras férias espirituais, os chamadores retiros. Há menos de uma hora de São Paulo podemos diz que há uma concentração de espiritualidade budista. Em Cotia há o famoso Templo Zu Lai que tem suas raízes no budismo Mahayana, o Jardim do Dharma ligado à Sociedade Brasileira de Taoísmo, e o Centro de Retiros Odsal Ling, que seguem o budismo Tibetano outra ramificação do budismo. O Odsal Ling faz parte da rede internacional de centros originários do Chagdud Gonpa no Tibete. O Chagdud Gonpa Brasil foi estabelecido em 1994 pelo mestre de meditação Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002) e nos centros espalhados pelo país é possível ter ensinamentos e práticas de meditação da Nyingma e do budismo tibetano Vajrajana.
Os verdadeiros retiros budistas exigem um bom preparo e duram muito tempo, até três anos e devem ser orientados por um mestre. Mas existem também as cerimônias, que podem durar 1 fim de semana, 7 dias ou um pouco mais, e muitas vezes são chamados de retiros por acontecer em lugares isolados e ser um período de afastamento.
Cada pessoa pode se retirar por um período específico e geralmente deve ser orientado pelo seu mestre. Durante o retiro há meditação, ensinamentos e orações, no centro de retiro há salas específicas para as praticas e acomodações e o retirante não sai para nada, mesmo as refeições são feitas no local. Em alguns retiros há observações alimentares, mas esse não é o caso dos retiros Chagdud Gonpa. O ideal é a pessoa ter alguma iniciação no budismo antes de participar.
Em cerimônias grandes, que reúnem dezenas de pessoas pode acontecer de uma ou outra pessoa não ser tão iniciada. A aluna e tradutora da Lama Tsering no Brasil, Cândida Bastos, ensina que o “objetivo do budismo é modificar sua própria mente, e isso não é um caminho fácil”, por isso “é importante um mestre que ajude a trilhar esse caminho”.
Quando o tempo for curto, no centro de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, há o Centro Urbano Odsal Ling onde ocorrem ensinamentos regulares, meditação e práticas matinais diárias.
O templo matriz é o Chagdud Gonpa Khadro Ling onde também ocorrem retiros e cerimônias. Kha significa céu, Dro significa mover-se, ir, dançar e Ling significa local sagrado. Esse lindo local sagrado fica em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, e é aberto a visitas gratuitas. Os retiros variam muito de valor de acordo a duração, mas o dia com hospedagem e alimentação sai em média por R$ 130,00.
Igreja da Obra dos Santos Anjos em Guaratinguetá.
É em Guaratinguetá que também fica a Obra dos Santos Anjos, lugar que a equipe da L'UOMO BRASIL visitou e participou do retiro de silêncio.
Agora quem estiver em busca de espiritualidade católica, vai encontrar a menos de 200 quilômetros da capital. O lugar fica em Guaratinguetá, cidade localizada em meio aos dois maiores centros de peregrinação católica do Brasil. De um lado, a cidade de Aparecida do Norte e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida que recebe mais de 100 mil visitantes apenas no dia 12 de outubro, dia da padroeira. Do outro, Cachoeira Paulista, cidade que abriga a Fundação João Paulo II, onde durante todo o ano são promovidos milhares de retiros, encontros, programas de rádio e TV, publicações de livros e revistas etc.
Guaratinguetá somente neste ano foi palco da visita do Papa Bento XVI, que visitou a Fazenda da Esperança, centro de recuperação de jovens dependentes químicos, e viu um o seu ilustre beato Frei Galvão ser elevado a categoria de primeiro santo brasileiro, o Santo Antonio de Sant´anna Galvão.
A Obra dos Santos Anjos começou na Áustria, na cidade de Innsbruck, nos anos 50, com o intuito de amar os santos anjos que não eram tão venerados pela igreja. De acordo com o Padre Tarcísio Seeanner “existem milhões de santos anjos, mas oficialmente chamados pelo nome são três: Gabriel, Rafael e Miguel” sendo que “cada batizado tem o seu anjo da guarda particular”.
O retiro espiritual oferecido pela obra é chamado de retiro de silêncio, porque é assim que o retirante permanecerá durante 3 dias. Os participantes chegam na quinta-feira a noite e saem no domingo a tarde. Quem for participar não precisa se preocupar com as refeições nem onde, pois as refeições são feitas no próprio local e a pessoa precisa apenas levar roupa de cama e objetos de higiene pessoal.
O encontro é dividido em três etapas: purificação, iluminação e união com Deus, sendo que cada uma é aprofundada num dia. O grupo acorda às 6:30h para a oração da manhã, depois vem a missa e tempo para diálogos pessoais com o sacerdote, além dos momentos de aprofundar os conhecimentos com palestras e meditação. Durante a madrugada há vigílias e quem quiser pode participar escolhendo algum horário.
Em outros lugares do mundo e do Brasil, como Goiás, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e do Sul, Minas Gerais e Pernambuco, onde a Obra atua, o encontro é praticado nos mesmos moldes e mesmo quem não é um católico muito assíduo pode tirar proveito da experiência que segundo padre Tarcísio “pode dar novo rumo à vida da pessoa”. O retiro de 3 dias custa em média R$ 120,00, mas caso o tempo esteja escasso, há a opção do dia de recolhimento, geralmente realizado num domingo, que sintetiza os passos do retiro mais longo num período menor.
A diretora da agência L'equipe, Lica Kohlrausch é alguém que valoriza esse lado espiritual desde pequena. Aprendeu com a mãe que "cabeça, corpo e espírito devem estar sempre em equílibrio" e busca isso através com meditação, yoga, oração, visitas a igrejas vazias e outros hábitos para enriquecer o espírito. Esses momentos que cultiva são importantes porque acredita "ser fundamental perceber que beleza e físico logo vão embora, mas existe algo que permanece".
REENCONTRO COM O DIVINO
Uma viagem também pode cumprir esse papel de reencontro com o divino. Algumas agências tem roteiros místicos como Tibete e China, Índia ou a uma peregrinação pela Terra Santa. A operadora Princess Travel no seu roteiro Tibete e China por exemplo, visita mosteiros, templos e a residência oficial do Dalai Lama; na Índia, em qualquer lugar o viajante pode sentir de perto a fé tão presente e diversa de hindus, muçulmanos, jainistas, sikhis, cristãos.
Na Terra Santa o peregrino pode seguir os passos de Moisés e Jesus visitando lugares sagrados como o Monte Sinai e a gruta da Natividade, sempre acompanhado de missionários da Comunidade Canção Nova. Se não houver tempo pra um destino tão longo, em São Paulo a Andanças Turismo fecha grupos de passeio para templos, igrejas, sinagogas e mesquistas, e os roteiros podem ser escolhidos pelo grupo.
A psicóloga Vera Rita ressalta que antes de mais nada é importante “a pessoa estar preparada para esse momento de pausa, caso contrário esses dias podem ser um verdadeiro suplício” e diz que “pequenos momentos para si mesmo também ajudam”, como ler um livro, ficar com os filhos, fazer algo que se goste. Afinal, às vezes para se encontrar com o divino basta olhar para dentro de si mesmo.
SERVIÇO
www.opusangelorum.org
www.cancaonova.com
www.budismotibetano.com.br
www.jardimdharma.org.br
www.chagdud.org
www.princesstravel.com.br
www.andancastur.com.br
Tempo para refletir, rezar, contemplar a natureza, dedicar-se a si mesmo e à família. Tem muita gente que nem lembra mais a última vez que fez isso, mas parar e buscar forças pode ser mais importante do que se imagina. Conheça uma nova forma de descansar o corpo e a mente, e mais do que isso, de reabastecer as energias.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
A doutora em Psicologia Social pela PUC, Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e do trabalho “costuma dizer que o mercado de trabalho está dividido entre desempregados e sobrecarregados”. O profissional tem uma carga maior do que pode suportar, as exigências e a pressão por resultados não deixam espaço para a vida pessoal. Não existe mais separação nítida entre trabalho e descanso, o celular e o laptop propiciam um trabalho de 24 horas e a exaustão física e mental é cada vez mais frequente. Muitos se habituam à rotina e às vezes ficam estressados quando saem de férias ou têm um tempo livre, mas é necessário parar. Uma aliada nessa etapa pode ser a religião.
A crença religiosa sempre fez parte do ser humano e continua sendo um elemento essencial na vida do homem. O mais difícil talvez seja a decisão de buscar, porém, ao achar o lugar certo fica mais fácil perceber o que estava faltando.
Mulher meditando no Centro Urbano do Odsal Ling.FÉRIAS ESPIRITUAIS
No Brasil e no mundo são diversos centros religiosos que promovem verdadeiras férias espirituais, os chamadores retiros. Há menos de uma hora de São Paulo podemos diz que há uma concentração de espiritualidade budista. Em Cotia há o famoso Templo Zu Lai que tem suas raízes no budismo Mahayana, o Jardim do Dharma ligado à Sociedade Brasileira de Taoísmo, e o Centro de Retiros Odsal Ling, que seguem o budismo Tibetano outra ramificação do budismo. O Odsal Ling faz parte da rede internacional de centros originários do Chagdud Gonpa no Tibete. O Chagdud Gonpa Brasil foi estabelecido em 1994 pelo mestre de meditação Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002) e nos centros espalhados pelo país é possível ter ensinamentos e práticas de meditação da Nyingma e do budismo tibetano Vajrajana.
Os verdadeiros retiros budistas exigem um bom preparo e duram muito tempo, até três anos e devem ser orientados por um mestre. Mas existem também as cerimônias, que podem durar 1 fim de semana, 7 dias ou um pouco mais, e muitas vezes são chamados de retiros por acontecer em lugares isolados e ser um período de afastamento.
Cada pessoa pode se retirar por um período específico e geralmente deve ser orientado pelo seu mestre. Durante o retiro há meditação, ensinamentos e orações, no centro de retiro há salas específicas para as praticas e acomodações e o retirante não sai para nada, mesmo as refeições são feitas no local. Em alguns retiros há observações alimentares, mas esse não é o caso dos retiros Chagdud Gonpa. O ideal é a pessoa ter alguma iniciação no budismo antes de participar.
Em cerimônias grandes, que reúnem dezenas de pessoas pode acontecer de uma ou outra pessoa não ser tão iniciada. A aluna e tradutora da Lama Tsering no Brasil, Cândida Bastos, ensina que o “objetivo do budismo é modificar sua própria mente, e isso não é um caminho fácil”, por isso “é importante um mestre que ajude a trilhar esse caminho”.
Quando o tempo for curto, no centro de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, há o Centro Urbano Odsal Ling onde ocorrem ensinamentos regulares, meditação e práticas matinais diárias.
O templo matriz é o Chagdud Gonpa Khadro Ling onde também ocorrem retiros e cerimônias. Kha significa céu, Dro significa mover-se, ir, dançar e Ling significa local sagrado. Esse lindo local sagrado fica em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, e é aberto a visitas gratuitas. Os retiros variam muito de valor de acordo a duração, mas o dia com hospedagem e alimentação sai em média por R$ 130,00.
Igreja da Obra dos Santos Anjos em Guaratinguetá.É em Guaratinguetá que também fica a Obra dos Santos Anjos, lugar que a equipe da L'UOMO BRASIL visitou e participou do retiro de silêncio.
Agora quem estiver em busca de espiritualidade católica, vai encontrar a menos de 200 quilômetros da capital. O lugar fica em Guaratinguetá, cidade localizada em meio aos dois maiores centros de peregrinação católica do Brasil. De um lado, a cidade de Aparecida do Norte e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida que recebe mais de 100 mil visitantes apenas no dia 12 de outubro, dia da padroeira. Do outro, Cachoeira Paulista, cidade que abriga a Fundação João Paulo II, onde durante todo o ano são promovidos milhares de retiros, encontros, programas de rádio e TV, publicações de livros e revistas etc.
Guaratinguetá somente neste ano foi palco da visita do Papa Bento XVI, que visitou a Fazenda da Esperança, centro de recuperação de jovens dependentes químicos, e viu um o seu ilustre beato Frei Galvão ser elevado a categoria de primeiro santo brasileiro, o Santo Antonio de Sant´anna Galvão.
A Obra dos Santos Anjos começou na Áustria, na cidade de Innsbruck, nos anos 50, com o intuito de amar os santos anjos que não eram tão venerados pela igreja. De acordo com o Padre Tarcísio Seeanner “existem milhões de santos anjos, mas oficialmente chamados pelo nome são três: Gabriel, Rafael e Miguel” sendo que “cada batizado tem o seu anjo da guarda particular”.
O retiro espiritual oferecido pela obra é chamado de retiro de silêncio, porque é assim que o retirante permanecerá durante 3 dias. Os participantes chegam na quinta-feira a noite e saem no domingo a tarde. Quem for participar não precisa se preocupar com as refeições nem onde, pois as refeições são feitas no próprio local e a pessoa precisa apenas levar roupa de cama e objetos de higiene pessoal.
O encontro é dividido em três etapas: purificação, iluminação e união com Deus, sendo que cada uma é aprofundada num dia. O grupo acorda às 6:30h para a oração da manhã, depois vem a missa e tempo para diálogos pessoais com o sacerdote, além dos momentos de aprofundar os conhecimentos com palestras e meditação. Durante a madrugada há vigílias e quem quiser pode participar escolhendo algum horário.
Em outros lugares do mundo e do Brasil, como Goiás, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e do Sul, Minas Gerais e Pernambuco, onde a Obra atua, o encontro é praticado nos mesmos moldes e mesmo quem não é um católico muito assíduo pode tirar proveito da experiência que segundo padre Tarcísio “pode dar novo rumo à vida da pessoa”. O retiro de 3 dias custa em média R$ 120,00, mas caso o tempo esteja escasso, há a opção do dia de recolhimento, geralmente realizado num domingo, que sintetiza os passos do retiro mais longo num período menor.
A diretora da agência L'equipe, Lica Kohlrausch é alguém que valoriza esse lado espiritual desde pequena. Aprendeu com a mãe que "cabeça, corpo e espírito devem estar sempre em equílibrio" e busca isso através com meditação, yoga, oração, visitas a igrejas vazias e outros hábitos para enriquecer o espírito. Esses momentos que cultiva são importantes porque acredita "ser fundamental perceber que beleza e físico logo vão embora, mas existe algo que permanece".
REENCONTRO COM O DIVINO
Uma viagem também pode cumprir esse papel de reencontro com o divino. Algumas agências tem roteiros místicos como Tibete e China, Índia ou a uma peregrinação pela Terra Santa. A operadora Princess Travel no seu roteiro Tibete e China por exemplo, visita mosteiros, templos e a residência oficial do Dalai Lama; na Índia, em qualquer lugar o viajante pode sentir de perto a fé tão presente e diversa de hindus, muçulmanos, jainistas, sikhis, cristãos.
Na Terra Santa o peregrino pode seguir os passos de Moisés e Jesus visitando lugares sagrados como o Monte Sinai e a gruta da Natividade, sempre acompanhado de missionários da Comunidade Canção Nova. Se não houver tempo pra um destino tão longo, em São Paulo a Andanças Turismo fecha grupos de passeio para templos, igrejas, sinagogas e mesquistas, e os roteiros podem ser escolhidos pelo grupo.
A psicóloga Vera Rita ressalta que antes de mais nada é importante “a pessoa estar preparada para esse momento de pausa, caso contrário esses dias podem ser um verdadeiro suplício” e diz que “pequenos momentos para si mesmo também ajudam”, como ler um livro, ficar com os filhos, fazer algo que se goste. Afinal, às vezes para se encontrar com o divino basta olhar para dentro de si mesmo.
SERVIÇO
www.opusangelorum.org
www.cancaonova.com
www.budismotibetano.com.br
www.jardimdharma.org.br
www.chagdud.org
www.princesstravel.com.br
www.andancastur.com.br
O prazer de ser exclusivo
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Nov/Dez 2007.
As tão sonhadas férias chegaram e o destino deve ser perfeito.
Por Bianca Moretto
O Ponta dos Ganchos Exclusive Resort, localizado em Santa Catarina, foi recomendado pelo segundo ano consecutivo pelo Guia Condé Nast Johansens, o mais reconhecido guia de hotéis e pousadas do mundo. Ideal para quem procura requinte e privacidade o Resort preparou pacotes especiais para as comemorações de fim de ano.
Você tem a opção de descansar numa praia exclusiva em um dos 20 bangalôs de frente para o mar da Costa Esmeralda e fazer as refeições em um restaurante que oferece toda a sofisticação das melhores cozinhas do mundo. O pacote com 5 noites, a partir de R$ 10.425, inclui todas as refeições e bebidas, exceto alcoólicas, e a Ceia de Natal.
Para o Réveillon, há duas opções de pacotes de 4 a 7 dias, para quem puder prorrogar o descanso e aproveitar o início de 2008 com tranqüilidade desfrutando os prazeres de Santa Catarina.
Qualquer um dos dois pacotes inclui Champagne Veuve Clicquot para o brinde da virada. O Ponta dos Ganchos ainda dispõe do Spa Dior que oferece opções de tratamentos e massagens. Estes podem ser realizados nas tendas montadas de frente para o mar ou nas pequenas ilhas que contornam o resort. Se o caos aéreo te incomoda, uma boa opção é chegar pelo mar. Basta deixar a sua embarcação no Yatch Clube Caiobá que fica bem próximo ao Resort.
TRANSMUTAÇÃO
Há quem prefira se preparar para 2008 com um verdadeiro ritual de purificação física e espiritual. O Spa Unique Garden que fica na Serra da Cantareira, São Paulo, conta com uma bela paisagem em seu terreno de 300 mil metros quadrados. Eleito o Melhor Spa do Brasil pela edição 2008 do Guia Quatro Rodas o Unique se diferencia pelo cultivo de verduras e legumes orgânicos que servem como elemento-chave para o desenvolvimento de cremes, óleos e loções usados em seus tratamentos. Além disso, durante toda a estada, a água servida brota a mais de 300 metros de profundidade nas fontes do terreno e está classificada entre as 7 melhores do mundo. Essa mesma água está presente nos chuveiros, torneiras e piscinas de todo o empreendimento. Quanto as acomodações, é você quem escolhe o tema do ambiente em que irá se hospedar. Na Vila Mediterrânea, os espaços estão harmonizados em cores claras e varanda perfeita para uma boa leitura. A Vila Contemporânea combina com aqueles que preferem o design sofisticado e exclusivo assinado pelo Arquiteto Ruy Ohtake. O Chalé das Flores e o Chalé Presidencial são únicos, privativos e encantadores.
O programa de 4 dias para o Natal, com início em 21 de dezembro inclui café no Tea For 2, almoço no Relais Jardin, ceia na noite de Natal harmonizada com vinho e brindes de Moët Chandon. O Brunch no dia 25/12 com sugestões especiais do chef será acompanhado pelo espumante Chandon Rose. Toda a programação será acompanhada por jazz e bossa nova ao vivo, tradicionalmente presentes nos jantares do Spa Unique Garden. Rituais de renovação com caminhadas, aulas de ioga e meditação comandadas pela equipe do fitness também estão inclusos.
Já o pacote de Réveillon inclui café da manhã e almoço, ceia acompanhada por música ao vivo e brinde de Moët Chandon. A equipe de Spa do Unique Garden também preparou para os 4 dias uma sequência de cerimônias voltadas para a instropecção, a fim de transformar as energias para a chegada do ano novo.
Intitulado de Hamman de Purificação, o programa inclui uma terapia com pasta de oliva com ervas e massagem e um banho de flutuação com sal do Mar Morto. Os hóspedes receberão, durante as cerimônias, pedras energizadas para as novas realizações do ano de 2008. O brunch de Ano Novo, com menu especial do chef, será degustado com champanhe Moët Chandon. Os pacotes de 4 noites custam a partir de R$ 7.710
OUTRAS OPÇÕES
Repaginado, vale conferir o novo Hotel do Frade Golf & Resort, em Angra dos Reis. Localizado na Costa Verde do litroral sul do Rio de Janeiro, o “Novo Frade” fica entre o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Baía da Ilha Grande, próximo dos grandes centros – o resort está a duas horas e media do Rio de Janeiro e a quatro horas e meia de São Paulo – e é o ponto de partida para que os visitantes explorem as maravilhas de Angra dos Reis, no mar e na montanha.
São 161 apartamentos e suítes, 16 bangalôs com piscina privativa, oito restaurantes – dois de alta gastronomia –, três bares, praia exclusiva, piscina, spa, campo profissional de golfe, quadras de tênis de saibro, cimento e grama, campos de futebol, quadras de vôlei de praia, sala de cinema, lojas, piscina natural, cachoeiras, bancos, agência de correio, galeria de arte, marina, agências de mergulho e ecoturismo.
Em frente à Praia do Frade estão as novas suítes, duas jóias da hospedagem assinadas por Sig Bergamin. Com as mudanças todos os apartamentos ganharam mais espaço.
O dois em um rendeu suítes com 86 metros quadrados, no térreo, e com 65 metros quadrados no andar superior. Charmosas e confortáveis acomodações garantem o sossego e descanso dos hóspedes do Novo Frade, que convivem com a tranquilidade da praia exclusiva e da natureza que cerca o resort, com a badalação da Marina Porto do Frade.
CARTÃO POSTAL
Situado a apenas 54km do Recife e a 9km de Porto de Galinhas, na paradisíaca praia de Muro Alto, litoral sul de Pernambuco, encontra-se o Nannai Beach Resort. A praia de Muro Alto teve seu nome originado de um paredão de areia com coqueiros que existem na região. Conhecida por ser um verdadeiro cartão postal e de deixar qualquer turista encantado, a praia é formada por arrecifes que compõem uma belíssima piscina natural com fundo de areia e 2,5km de extensão aproximadamente, onde os hóspedes podem admirar tamanha obra natural enquanto tomam seu café da manhã no restaurante que fica próximo à praia.
ÁLVARO GARNERO E A CONTAGEM REGRESSIVA PARA 2008
O carioca Álvaro Garnero conhece o lado bom da vida. Além de suas funções estratégicas na BrasilInvest, grupo que tem seu pai como fundador, Álvaro também é um empresário com importante participação no mundo do entretenimento. Em 50 por 1, programa que vai ao ar aos sábados na Rede Record, ele “revisita, descreve e apresenta os sabores e as experiências que mais marcaram sua vida”.
Luomo - Você já fez as reservas para o réveillon deste ano? Aonde pretende passar?
Álvaro Garnero - Consegui uma pausa pequena entre as gravações do 50 por 1, que têm me tomado muita dedicação e muito tempo e este ano vou passar o réveillon em Barra Mansa, na Bahia, com o mesmo grupo de amigos com os quais comemoro a passagem do ano há 7 anos - dos quais fazem parte Aécio Neves, Calainho, Accioly e muitos outros. Vamos mais uma vez numa pousada maravilhosa que sempre fechamos para comemorar.
Luomo - Os altos e baixos nos aeroportos podem atrapalhar os planos de viagem? Pegar a estrada vale a pena?
Álvaro Garnero - Qualquer atraso e qualquer protocolo de segurança sempre atrapalha um pouco. Mas os atrasos acabam sendo inevitáveis e a segurança é mais que necessária, então acaba sendo meio ingrato reclamar.
Luomo – Na sua opinião, qual seria o lugar mais badalado para comemorar a virada? Por quê?
Álvaro Garnero - Marrakesh. Nenhuma outra cidade consegue combinar tão bem a riqueza das suas cores com praias inacreditáveis e sabores tão exóticos.
Luomo - E quanto ao mais tranqüilo e exclusivo para curtir as férias?
Álvaro Garnero - Eu tenho viajado tanto que o lugar mais sossegado para passar as férias, no meu caso, seria a minha própria casa. Além disso, é de longe o mais exclusivo.
Luomo - Conte-nos um pouco sobre o réveillon mais incrível da sua vida.
Álvaro Garnero - O réveillon mais incrível da minha vida foram 4 - dentro de um avião privado seguindo o sol. Comemoramos 4 vezes.
Luomo - O que não pode faltar na contagem regressiva?
Álvaro Garnero - Os amigos.
SERVIÇO
Unique Garden Hotel & Spa – Estrada Laramara, 3500 – Serra da Cantareira – SP – Tel. 11 4486.8700
www.uniquegarden.com.br
Ponta dos Ganchos – Governador Celso Ramos – Santa Catarina – SC – Tel. 48 3262.5000
www.pontadosganchos.com.br
Novo Frade – BR 101 – km 508 – Praia do Frade, Angra dos Reis – Rio de Janeiro – RJ – Tel. 24 3369.9500 – Toll Free: 0800.8819500
Nannai Beach Resort – Tel. 81 3552.0100 – reservas@nannai.com.br
As tão sonhadas férias chegaram e o destino deve ser perfeito.
Por Bianca Moretto
O Ponta dos Ganchos Exclusive Resort, localizado em Santa Catarina, foi recomendado pelo segundo ano consecutivo pelo Guia Condé Nast Johansens, o mais reconhecido guia de hotéis e pousadas do mundo. Ideal para quem procura requinte e privacidade o Resort preparou pacotes especiais para as comemorações de fim de ano.
Você tem a opção de descansar numa praia exclusiva em um dos 20 bangalôs de frente para o mar da Costa Esmeralda e fazer as refeições em um restaurante que oferece toda a sofisticação das melhores cozinhas do mundo. O pacote com 5 noites, a partir de R$ 10.425, inclui todas as refeições e bebidas, exceto alcoólicas, e a Ceia de Natal.
Para o Réveillon, há duas opções de pacotes de 4 a 7 dias, para quem puder prorrogar o descanso e aproveitar o início de 2008 com tranqüilidade desfrutando os prazeres de Santa Catarina.
Qualquer um dos dois pacotes inclui Champagne Veuve Clicquot para o brinde da virada. O Ponta dos Ganchos ainda dispõe do Spa Dior que oferece opções de tratamentos e massagens. Estes podem ser realizados nas tendas montadas de frente para o mar ou nas pequenas ilhas que contornam o resort. Se o caos aéreo te incomoda, uma boa opção é chegar pelo mar. Basta deixar a sua embarcação no Yatch Clube Caiobá que fica bem próximo ao Resort.
TRANSMUTAÇÃO
Há quem prefira se preparar para 2008 com um verdadeiro ritual de purificação física e espiritual. O Spa Unique Garden que fica na Serra da Cantareira, São Paulo, conta com uma bela paisagem em seu terreno de 300 mil metros quadrados. Eleito o Melhor Spa do Brasil pela edição 2008 do Guia Quatro Rodas o Unique se diferencia pelo cultivo de verduras e legumes orgânicos que servem como elemento-chave para o desenvolvimento de cremes, óleos e loções usados em seus tratamentos. Além disso, durante toda a estada, a água servida brota a mais de 300 metros de profundidade nas fontes do terreno e está classificada entre as 7 melhores do mundo. Essa mesma água está presente nos chuveiros, torneiras e piscinas de todo o empreendimento. Quanto as acomodações, é você quem escolhe o tema do ambiente em que irá se hospedar. Na Vila Mediterrânea, os espaços estão harmonizados em cores claras e varanda perfeita para uma boa leitura. A Vila Contemporânea combina com aqueles que preferem o design sofisticado e exclusivo assinado pelo Arquiteto Ruy Ohtake. O Chalé das Flores e o Chalé Presidencial são únicos, privativos e encantadores.
O programa de 4 dias para o Natal, com início em 21 de dezembro inclui café no Tea For 2, almoço no Relais Jardin, ceia na noite de Natal harmonizada com vinho e brindes de Moët Chandon. O Brunch no dia 25/12 com sugestões especiais do chef será acompanhado pelo espumante Chandon Rose. Toda a programação será acompanhada por jazz e bossa nova ao vivo, tradicionalmente presentes nos jantares do Spa Unique Garden. Rituais de renovação com caminhadas, aulas de ioga e meditação comandadas pela equipe do fitness também estão inclusos.
Já o pacote de Réveillon inclui café da manhã e almoço, ceia acompanhada por música ao vivo e brinde de Moët Chandon. A equipe de Spa do Unique Garden também preparou para os 4 dias uma sequência de cerimônias voltadas para a instropecção, a fim de transformar as energias para a chegada do ano novo.
Intitulado de Hamman de Purificação, o programa inclui uma terapia com pasta de oliva com ervas e massagem e um banho de flutuação com sal do Mar Morto. Os hóspedes receberão, durante as cerimônias, pedras energizadas para as novas realizações do ano de 2008. O brunch de Ano Novo, com menu especial do chef, será degustado com champanhe Moët Chandon. Os pacotes de 4 noites custam a partir de R$ 7.710
OUTRAS OPÇÕES
Repaginado, vale conferir o novo Hotel do Frade Golf & Resort, em Angra dos Reis. Localizado na Costa Verde do litroral sul do Rio de Janeiro, o “Novo Frade” fica entre o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Baía da Ilha Grande, próximo dos grandes centros – o resort está a duas horas e media do Rio de Janeiro e a quatro horas e meia de São Paulo – e é o ponto de partida para que os visitantes explorem as maravilhas de Angra dos Reis, no mar e na montanha.
São 161 apartamentos e suítes, 16 bangalôs com piscina privativa, oito restaurantes – dois de alta gastronomia –, três bares, praia exclusiva, piscina, spa, campo profissional de golfe, quadras de tênis de saibro, cimento e grama, campos de futebol, quadras de vôlei de praia, sala de cinema, lojas, piscina natural, cachoeiras, bancos, agência de correio, galeria de arte, marina, agências de mergulho e ecoturismo.
Em frente à Praia do Frade estão as novas suítes, duas jóias da hospedagem assinadas por Sig Bergamin. Com as mudanças todos os apartamentos ganharam mais espaço.
O dois em um rendeu suítes com 86 metros quadrados, no térreo, e com 65 metros quadrados no andar superior. Charmosas e confortáveis acomodações garantem o sossego e descanso dos hóspedes do Novo Frade, que convivem com a tranquilidade da praia exclusiva e da natureza que cerca o resort, com a badalação da Marina Porto do Frade.
CARTÃO POSTAL
Situado a apenas 54km do Recife e a 9km de Porto de Galinhas, na paradisíaca praia de Muro Alto, litoral sul de Pernambuco, encontra-se o Nannai Beach Resort. A praia de Muro Alto teve seu nome originado de um paredão de areia com coqueiros que existem na região. Conhecida por ser um verdadeiro cartão postal e de deixar qualquer turista encantado, a praia é formada por arrecifes que compõem uma belíssima piscina natural com fundo de areia e 2,5km de extensão aproximadamente, onde os hóspedes podem admirar tamanha obra natural enquanto tomam seu café da manhã no restaurante que fica próximo à praia.
ÁLVARO GARNERO E A CONTAGEM REGRESSIVA PARA 2008
O carioca Álvaro Garnero conhece o lado bom da vida. Além de suas funções estratégicas na BrasilInvest, grupo que tem seu pai como fundador, Álvaro também é um empresário com importante participação no mundo do entretenimento. Em 50 por 1, programa que vai ao ar aos sábados na Rede Record, ele “revisita, descreve e apresenta os sabores e as experiências que mais marcaram sua vida”.
Luomo - Você já fez as reservas para o réveillon deste ano? Aonde pretende passar?
Álvaro Garnero - Consegui uma pausa pequena entre as gravações do 50 por 1, que têm me tomado muita dedicação e muito tempo e este ano vou passar o réveillon em Barra Mansa, na Bahia, com o mesmo grupo de amigos com os quais comemoro a passagem do ano há 7 anos - dos quais fazem parte Aécio Neves, Calainho, Accioly e muitos outros. Vamos mais uma vez numa pousada maravilhosa que sempre fechamos para comemorar.
Luomo - Os altos e baixos nos aeroportos podem atrapalhar os planos de viagem? Pegar a estrada vale a pena?
Álvaro Garnero - Qualquer atraso e qualquer protocolo de segurança sempre atrapalha um pouco. Mas os atrasos acabam sendo inevitáveis e a segurança é mais que necessária, então acaba sendo meio ingrato reclamar.
Luomo – Na sua opinião, qual seria o lugar mais badalado para comemorar a virada? Por quê?
Álvaro Garnero - Marrakesh. Nenhuma outra cidade consegue combinar tão bem a riqueza das suas cores com praias inacreditáveis e sabores tão exóticos.
Luomo - E quanto ao mais tranqüilo e exclusivo para curtir as férias?
Álvaro Garnero - Eu tenho viajado tanto que o lugar mais sossegado para passar as férias, no meu caso, seria a minha própria casa. Além disso, é de longe o mais exclusivo.
Luomo - Conte-nos um pouco sobre o réveillon mais incrível da sua vida.
Álvaro Garnero - O réveillon mais incrível da minha vida foram 4 - dentro de um avião privado seguindo o sol. Comemoramos 4 vezes.
Luomo - O que não pode faltar na contagem regressiva?
Álvaro Garnero - Os amigos.
SERVIÇO
Unique Garden Hotel & Spa – Estrada Laramara, 3500 – Serra da Cantareira – SP – Tel. 11 4486.8700
www.uniquegarden.com.br
Ponta dos Ganchos – Governador Celso Ramos – Santa Catarina – SC – Tel. 48 3262.5000
www.pontadosganchos.com.br
Novo Frade – BR 101 – km 508 – Praia do Frade, Angra dos Reis – Rio de Janeiro – RJ – Tel. 24 3369.9500 – Toll Free: 0800.8819500
Nannai Beach Resort – Tel. 81 3552.0100 – reservas@nannai.com.br
3 de out. de 2007
Você faz a diferença?
Matéria publicada na Revista L'UOMO Setembro/Outubro-2007.
Fazer parte do time de executivos bem-sucedidos e requisitados pelo mercado não é uma tarefa simples. O profissional precisa preencher uma série de características que fazem, e muita, diferença.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Até pouco tempo atráspara ser um executivo de sucesso, objeto de desejo das maiores empresas, bastava gerar lucro a qualquer preço. Hoje nem todas as organizações pensam e agem assim. Uma nova geração de gestores de pessoas, com visão integrada, está a caminho. Aquele executivo que se dedicava predominantemente a tarefas administrativas e rotineiras também cedeu lugar a outro, preocupado com o desenvolvimento do capital humano, de novas competências, formação de talentos, de lideranças, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, inserção não invasiva da empresa na comunidade, de forma ética e com responsabilidade social. Claro, também voltado para a geração sustentável de lucros, de tal sorte que as metas financeiras não comprometam a harmonia interna e se situem dentro de uma relação saudável com os funcionários.
Irene Azevedo, professora da Brazilian Business School e também sócia associada da Keseberg & Partners, uma das cinco maiores no setor de seleção e recrutamento de altos executivos, acrescenta novos ingredientes à fórmula de sucesso dos que agora fazem a diferença no ambiente corporativo brasileiro: equilíbrio e agilidade. Para adquirir tais virtudes só há um caminho: o auto-conhecimento. Vale terapia, exercício diário de leitura e mesmo meditação, afinal o processo de crescimento pessoal deve ser constante e eterno. “Quem está seguro de si se torna capaz de escutar e entender melhor os seus liderados”, resume Irene. “É preciso liderar pela diversidade, contratar pessoas que supram as minhas deficiências e não, simplesmente, alguém que seja uma mera cópia de mim mesma”, acrescenta eIa. "Um líder que faz a diferença é capaz de preparar um sucessor e contrata pessoas que poderão vir a ser tão aptas quanto ele. Não gerencia pela mediocridade, mas trabalha para que todo o grupo se desenvolva. Isso se faz atribuindo responsabilidades e verificando quais são as necessidades deste grupo", acrescenta.
No mundo globalizado vence quem está disponível para total mudança e se torna uma pessoa sem fronteiras. Além disso, a humildade de admitir que não sabe tudo e a coragem de enfrentar os desafios são características fundamentais em um líder. Muitas vezes, quando um alto executivo é contratado, a companhia em questão precisa de mudanças radicais para manter uma linha de crescimento. Neste caso, a percepção do profissional deve estar aguçada para tomar atitudes coerentes e éticas, ou seja, para encontrar o equilíbrio entre o balanço financeiro e a integridade dos funcionários.
Outro ponto que Irene relembra é que "o network não pode morrer”. Fazer marketing pessoal e se apossar das suas habilidades e características, é tão importante quanto saber usá-las na hora correta e de acordo com cada ocasião. A técnica de questionar os seus funcionários para que eles próprios assimilem como solucionar os problemas do seu departamento, também conhecida como coaching, é uma característica essencial para executivos em cargos de liderança. E para não perder as rédeas, mesmo em situações e ambientes de total ambigüidade, use a resiliência pessoal. Ou seja, tenha autocontrole, conheça bem o território, fique informado sobre os recursos disponíveis e trace um plano de ação.
Hoje, a palavra chave que as companhias buscam é sustentabilidade. “Resultados que sejam de longo prazo e que levem em conta todos os stakeholders - funcionários, clientes e até a sociedade de um modo geral. Não basta melhorar a empresa, um líder deve se preocupar em construir um mundo melhor”, explica a associada da Keseberg.
João Ramires, 35 anos, CEO da Coca-Cola em Cingapura.
ELES FAZEM A DIFERENÇA
João Ramires é um dos que definitivamente faz diferença. Aos 35 anos, é formado na área financeira, com MBA em finanças e treinamentos executivos no INSEAD da França, e Wharton nos Estados Unidos. Além da língua nativa, é fluente em inglês e espanhol. Para ele fazer as malas não parece ser problema, já que nos últimos 10 anos, morou nos Estados Unidos, Cingapura, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará. Hoje como contratado da Coca-Cola em Atlanta, é um CEO expatriado da engarrafadora em Cingapura e tem como missão tornar o mercado de Cingapura uma das referências na Ásia. “O foco em pessoas e talentos é uma das prioridades, a fim de desenvolver líderes com o foco em resultado e de alta performance. O somatório de culturas e experiências, de pessoas do Brasil, China, Índia, Malasya, Filipinas etc, trabalhando como uma verdadeira equipe, gera uma alanvacagem enorme, em termos de idéias, atitudes e resultados”, explica ele.
A liderança servidora de que se tanto fala atualmente nunca foi tão necessária. Um verdadeiro líder entende que desenvolver pessoas é mais do que um trabalho, é uma possibilidade de agregar valor. Não só na vida profissional, mas também na vida pessoal de seus liderados. Habilidades desenvolvidas no mundo empresarial, como saber ouvir ou desenvolver sua sensibilidade em gerenciar conflitos e lidar com gente, são aplicáveis na vida pessoal. Promoções, melhores salários, grandes desafios, ser um executivo de alto escalão, são apenas consequência dessa postura. “Tenho muitas metas, porém a mais importante é ser feliz com minha família. Sem ela, minhas realizações profissionais não valem a pena!”, enfatiza.
Rogerio Oliveira é outro nome que faz diferença no mercado. Assumiu a presidência da IBM Brasil, em 2002, e tem como principal missão conduzir um processo de transformação na empresa. De lá pra cá, a companhia aumentou seu foco em serviços, duplicou de tamanho em termos de faturamento e número de funcionários e ainda entrou para a lista das 10 maiores IBMs no mundo. Rogerio é formado em Ciências da Computação pela UNICAMP, com pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP. Além de falar fluentemente inglês e espanhol, já trabalhou nos EUA e Colômbia. Antes de ser nomeado presidente da IBM Brasil há 5 anos, atuou como vice-presidente da IBM Brasil, do setor financeiro para a América Latina e assumiu a gerência geral da empresa. Segundo ele, "um líder deve saber escolher as pessoas certas e depois ter a capacidade de trabalhar e conviver da melhor forma com elas". Ele acredita no poder do time, por isso valoriza princípios como colaboração e integração. Procura passar sempre para a sua equipe a importância de saber ouvir, trocar opiniões e delegar na hora certa.
Sobre o mercado, Rogerio explica que "o executivo precisa estar atualizado e bem informado; entender o contexto e o cenário da indústria que representa; conhecer bem e manter um ótimo relacionamento com seus clientes e parceiros". No mundo globalizado e em constante mudança, é essencial ter flexibilidade e adaptabilidade além de entender os impactos que a globalização traz para os negócios e para a sociedade em geral. Gerenciar os processos de negócios para produzir um impacto positivo e colaborar para o desenvolvimento do bem-estar da sociedade também é seu papel. Rogerio considera importante "ter consciência de que as decisões de negócios não estão mais exclusivamente nas mãos das empresas. O mundo agora é colaborativo, e este modelo é construído pelos parceiros, funcionários, clientes, e outras entidades da sociedade. Esse mundo interconectado em que vivemos está gerando mudanças significativas nos modelos de negócios, vai sobreviver quem entender e embarcar primeiro nesta nova onda".
Por fim, ele reconhece que "um bom líder tem que cuidar de si mesmo, em termos de saúde e preparo físico, para aguentar a agenda cheia, as viagens, a pluralidade de assuntos, decisões e pressões". Rogerio não tem data para se aposentar e pretende continuar trabalhando enquanto puder contribuir e fazer diferença na IBM e na sociedade.
O PERFIL DOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
A Watson Wyatt Worldwide possui inúmeras pesquisas e estudos sobre o assunto e o consultor de capital humano, Antonio Botelho, nos disse que “cada vez mais, questões inerentes à ética e valores, morais e pessoais, estão sendo analisadas, cobradas e reconhecidas como agente integrante do sucesso em sua plenitude". Para presidentes, diretores ou gerentes “são valorizados e esperados, além de resultados econômico-financeiros sustentáveis e agressivos, formação acadêmica ou técnica e fluência em idiomas, reciclagem constante, experiência multicultural, etc. Além disso, o profissional deve ser comprometido com a organização, o negócio e a cadeia de relacionamentos (clientes, fornecedores e parceiros)". Dinamismo, flexibilidade, comunicação eficaz, negociação, relacionamento interpessoal, trabalho em equipe e liderança de pessoas e de projetos também são imprescindíveis.
As empresas são aficionadas por profissionais que fazem acontecer e para atraí-los “desafios profissionais, pacote de remuneração, autonomia, poder e possibilidades de ascensão na carreira no curto e médio prazos são as variáveis estratégicas mais utilizadas para convencer executivos que agreguem valor.” Os benefícios não páram e podem incluir muito mais, desde blindagem de automóvel a participação nos lucros.
Se você está no felizardo grupo dos executivos que fazem a diferença: sorria, seu futuro promissor promete muito mais do que se pode sonhar.
E NA HORA DE MUDAR?
Nesse contexto, muitas vezes o executivo precisa ou quer mudar de empresa. A D. Queiroz Associados oferece há 19 anos assessoria a executivos que almejam cargos mais elevados. Newton Lima observa que “nunca viu o mercado tão favorável quanto agora. Em 2006 tínhamos em média 450 vagas, neste ano são 900”. Grandes empresas como Nestlé, Arno, Tetra Pak, Albert Einsten, Accor, geralmente recorrem a este serviço, mas é o candidato que arca com os custos.
O headhunter Ricardo Gambarotto da Spencer Stuart, uma das maiores do mundo no setor de recrutamento, explica que muitas vezes o candidato perfeito já está empregado e não quer deixar a empresa atual, aí entram as propostas milionárias. Nesse processo de mudança existe uma garantia caso "o executivo deixe a companhia por incompatibilidade de estilo, mudança de cargo ou dificuldade para adaptar-se a cultura". Aliás, esse último é um ponto em que mais uma vez, o executivo versátil faz muita diferença. Executivos latino americanos que precisam migrar de estado, ou de país, sofrem muito com as mudanças culturais. “Mesmo dentro do território brasileiro há diferenças culturais a quais os profissionais não querem se sujeitar. Este fenômeno não acontece na Europa.” Quem estiver pronto para o desafio, com certeza vai levar vantagem.
Se o caso for de demissão o executivo também não fica desamparado. Empresas como a Lens & Minarelli e a DBM, prestam consultoria especializada em Outplacement ou recolocação no mercado De acordo com José Augusto Minarelli, o termo nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, quando as companhias sentiram necessidade de dar uma atenção especial a colaboradores de anos que por alguma razão foram demitidos. O processo consiste em orientar e direcionar o executivo para ser recolocado em outra empresa ou abrir seu próprio negócio. Alguns aproveitam o momento e se aposentam. Cláudio Garcia da DBM, acredita que o serviço de outplacement funciona porque “faz justiça ao profissional demitido e motiva aqueles que ficam e observam o cuidado tomado pela empresa na hora do desligamento”.
Fazer parte do time de executivos bem-sucedidos e requisitados pelo mercado não é uma tarefa simples. O profissional precisa preencher uma série de características que fazem, e muita, diferença.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Até pouco tempo atráspara ser um executivo de sucesso, objeto de desejo das maiores empresas, bastava gerar lucro a qualquer preço. Hoje nem todas as organizações pensam e agem assim. Uma nova geração de gestores de pessoas, com visão integrada, está a caminho. Aquele executivo que se dedicava predominantemente a tarefas administrativas e rotineiras também cedeu lugar a outro, preocupado com o desenvolvimento do capital humano, de novas competências, formação de talentos, de lideranças, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, inserção não invasiva da empresa na comunidade, de forma ética e com responsabilidade social. Claro, também voltado para a geração sustentável de lucros, de tal sorte que as metas financeiras não comprometam a harmonia interna e se situem dentro de uma relação saudável com os funcionários.
Irene Azevedo, professora da Brazilian Business School e também sócia associada da Keseberg & Partners, uma das cinco maiores no setor de seleção e recrutamento de altos executivos, acrescenta novos ingredientes à fórmula de sucesso dos que agora fazem a diferença no ambiente corporativo brasileiro: equilíbrio e agilidade. Para adquirir tais virtudes só há um caminho: o auto-conhecimento. Vale terapia, exercício diário de leitura e mesmo meditação, afinal o processo de crescimento pessoal deve ser constante e eterno. “Quem está seguro de si se torna capaz de escutar e entender melhor os seus liderados”, resume Irene. “É preciso liderar pela diversidade, contratar pessoas que supram as minhas deficiências e não, simplesmente, alguém que seja uma mera cópia de mim mesma”, acrescenta eIa. "Um líder que faz a diferença é capaz de preparar um sucessor e contrata pessoas que poderão vir a ser tão aptas quanto ele. Não gerencia pela mediocridade, mas trabalha para que todo o grupo se desenvolva. Isso se faz atribuindo responsabilidades e verificando quais são as necessidades deste grupo", acrescenta.
No mundo globalizado vence quem está disponível para total mudança e se torna uma pessoa sem fronteiras. Além disso, a humildade de admitir que não sabe tudo e a coragem de enfrentar os desafios são características fundamentais em um líder. Muitas vezes, quando um alto executivo é contratado, a companhia em questão precisa de mudanças radicais para manter uma linha de crescimento. Neste caso, a percepção do profissional deve estar aguçada para tomar atitudes coerentes e éticas, ou seja, para encontrar o equilíbrio entre o balanço financeiro e a integridade dos funcionários.
Outro ponto que Irene relembra é que "o network não pode morrer”. Fazer marketing pessoal e se apossar das suas habilidades e características, é tão importante quanto saber usá-las na hora correta e de acordo com cada ocasião. A técnica de questionar os seus funcionários para que eles próprios assimilem como solucionar os problemas do seu departamento, também conhecida como coaching, é uma característica essencial para executivos em cargos de liderança. E para não perder as rédeas, mesmo em situações e ambientes de total ambigüidade, use a resiliência pessoal. Ou seja, tenha autocontrole, conheça bem o território, fique informado sobre os recursos disponíveis e trace um plano de ação.
Hoje, a palavra chave que as companhias buscam é sustentabilidade. “Resultados que sejam de longo prazo e que levem em conta todos os stakeholders - funcionários, clientes e até a sociedade de um modo geral. Não basta melhorar a empresa, um líder deve se preocupar em construir um mundo melhor”, explica a associada da Keseberg.
João Ramires, 35 anos, CEO da Coca-Cola em Cingapura.ELES FAZEM A DIFERENÇA
João Ramires é um dos que definitivamente faz diferença. Aos 35 anos, é formado na área financeira, com MBA em finanças e treinamentos executivos no INSEAD da França, e Wharton nos Estados Unidos. Além da língua nativa, é fluente em inglês e espanhol. Para ele fazer as malas não parece ser problema, já que nos últimos 10 anos, morou nos Estados Unidos, Cingapura, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará. Hoje como contratado da Coca-Cola em Atlanta, é um CEO expatriado da engarrafadora em Cingapura e tem como missão tornar o mercado de Cingapura uma das referências na Ásia. “O foco em pessoas e talentos é uma das prioridades, a fim de desenvolver líderes com o foco em resultado e de alta performance. O somatório de culturas e experiências, de pessoas do Brasil, China, Índia, Malasya, Filipinas etc, trabalhando como uma verdadeira equipe, gera uma alanvacagem enorme, em termos de idéias, atitudes e resultados”, explica ele.
A liderança servidora de que se tanto fala atualmente nunca foi tão necessária. Um verdadeiro líder entende que desenvolver pessoas é mais do que um trabalho, é uma possibilidade de agregar valor. Não só na vida profissional, mas também na vida pessoal de seus liderados. Habilidades desenvolvidas no mundo empresarial, como saber ouvir ou desenvolver sua sensibilidade em gerenciar conflitos e lidar com gente, são aplicáveis na vida pessoal. Promoções, melhores salários, grandes desafios, ser um executivo de alto escalão, são apenas consequência dessa postura. “Tenho muitas metas, porém a mais importante é ser feliz com minha família. Sem ela, minhas realizações profissionais não valem a pena!”, enfatiza.
Rogerio Oliveira é outro nome que faz diferença no mercado. Assumiu a presidência da IBM Brasil, em 2002, e tem como principal missão conduzir um processo de transformação na empresa. De lá pra cá, a companhia aumentou seu foco em serviços, duplicou de tamanho em termos de faturamento e número de funcionários e ainda entrou para a lista das 10 maiores IBMs no mundo. Rogerio é formado em Ciências da Computação pela UNICAMP, com pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP. Além de falar fluentemente inglês e espanhol, já trabalhou nos EUA e Colômbia. Antes de ser nomeado presidente da IBM Brasil há 5 anos, atuou como vice-presidente da IBM Brasil, do setor financeiro para a América Latina e assumiu a gerência geral da empresa. Segundo ele, "um líder deve saber escolher as pessoas certas e depois ter a capacidade de trabalhar e conviver da melhor forma com elas". Ele acredita no poder do time, por isso valoriza princípios como colaboração e integração. Procura passar sempre para a sua equipe a importância de saber ouvir, trocar opiniões e delegar na hora certa.
Sobre o mercado, Rogerio explica que "o executivo precisa estar atualizado e bem informado; entender o contexto e o cenário da indústria que representa; conhecer bem e manter um ótimo relacionamento com seus clientes e parceiros". No mundo globalizado e em constante mudança, é essencial ter flexibilidade e adaptabilidade além de entender os impactos que a globalização traz para os negócios e para a sociedade em geral. Gerenciar os processos de negócios para produzir um impacto positivo e colaborar para o desenvolvimento do bem-estar da sociedade também é seu papel. Rogerio considera importante "ter consciência de que as decisões de negócios não estão mais exclusivamente nas mãos das empresas. O mundo agora é colaborativo, e este modelo é construído pelos parceiros, funcionários, clientes, e outras entidades da sociedade. Esse mundo interconectado em que vivemos está gerando mudanças significativas nos modelos de negócios, vai sobreviver quem entender e embarcar primeiro nesta nova onda".
Por fim, ele reconhece que "um bom líder tem que cuidar de si mesmo, em termos de saúde e preparo físico, para aguentar a agenda cheia, as viagens, a pluralidade de assuntos, decisões e pressões". Rogerio não tem data para se aposentar e pretende continuar trabalhando enquanto puder contribuir e fazer diferença na IBM e na sociedade.
O PERFIL DOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
A Watson Wyatt Worldwide possui inúmeras pesquisas e estudos sobre o assunto e o consultor de capital humano, Antonio Botelho, nos disse que “cada vez mais, questões inerentes à ética e valores, morais e pessoais, estão sendo analisadas, cobradas e reconhecidas como agente integrante do sucesso em sua plenitude". Para presidentes, diretores ou gerentes “são valorizados e esperados, além de resultados econômico-financeiros sustentáveis e agressivos, formação acadêmica ou técnica e fluência em idiomas, reciclagem constante, experiência multicultural, etc. Além disso, o profissional deve ser comprometido com a organização, o negócio e a cadeia de relacionamentos (clientes, fornecedores e parceiros)". Dinamismo, flexibilidade, comunicação eficaz, negociação, relacionamento interpessoal, trabalho em equipe e liderança de pessoas e de projetos também são imprescindíveis.
As empresas são aficionadas por profissionais que fazem acontecer e para atraí-los “desafios profissionais, pacote de remuneração, autonomia, poder e possibilidades de ascensão na carreira no curto e médio prazos são as variáveis estratégicas mais utilizadas para convencer executivos que agreguem valor.” Os benefícios não páram e podem incluir muito mais, desde blindagem de automóvel a participação nos lucros.
Se você está no felizardo grupo dos executivos que fazem a diferença: sorria, seu futuro promissor promete muito mais do que se pode sonhar.
E NA HORA DE MUDAR?
Nesse contexto, muitas vezes o executivo precisa ou quer mudar de empresa. A D. Queiroz Associados oferece há 19 anos assessoria a executivos que almejam cargos mais elevados. Newton Lima observa que “nunca viu o mercado tão favorável quanto agora. Em 2006 tínhamos em média 450 vagas, neste ano são 900”. Grandes empresas como Nestlé, Arno, Tetra Pak, Albert Einsten, Accor, geralmente recorrem a este serviço, mas é o candidato que arca com os custos.
O headhunter Ricardo Gambarotto da Spencer Stuart, uma das maiores do mundo no setor de recrutamento, explica que muitas vezes o candidato perfeito já está empregado e não quer deixar a empresa atual, aí entram as propostas milionárias. Nesse processo de mudança existe uma garantia caso "o executivo deixe a companhia por incompatibilidade de estilo, mudança de cargo ou dificuldade para adaptar-se a cultura". Aliás, esse último é um ponto em que mais uma vez, o executivo versátil faz muita diferença. Executivos latino americanos que precisam migrar de estado, ou de país, sofrem muito com as mudanças culturais. “Mesmo dentro do território brasileiro há diferenças culturais a quais os profissionais não querem se sujeitar. Este fenômeno não acontece na Europa.” Quem estiver pronto para o desafio, com certeza vai levar vantagem.
Se o caso for de demissão o executivo também não fica desamparado. Empresas como a Lens & Minarelli e a DBM, prestam consultoria especializada em Outplacement ou recolocação no mercado De acordo com José Augusto Minarelli, o termo nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, quando as companhias sentiram necessidade de dar uma atenção especial a colaboradores de anos que por alguma razão foram demitidos. O processo consiste em orientar e direcionar o executivo para ser recolocado em outra empresa ou abrir seu próprio negócio. Alguns aproveitam o momento e se aposentam. Cláudio Garcia da DBM, acredita que o serviço de outplacement funciona porque “faz justiça ao profissional demitido e motiva aqueles que ficam e observam o cuidado tomado pela empresa na hora do desligamento”.
24 de jul. de 2007
O DNA do luxo.
Matéria publicada na Revista L'UOMO Julho/Agosto-2007.
Cada pessoa tem seu próprio conceito de luxo. Para Mademoiselle Chanel " o luxo não é o contrário da pobreza, mas, sim, da vulgaridade". Para o empresário e apresentador João Dória Jr. "luxo é um valor concreto e psicológico; pode ser indispensável, mesmo sendo supérfluo". Existe, no entanto, uma palavra que predomina quando o assunto é esse: exclusividade. Quanto mais exclusivo for, melhor.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Eis o desafio: Viva um dia de luxo na maior metrópole do país.
Acorde no WTC de São Paulo depois de uma noite regada a vinho. O sommelier da Enoteca Fasano, Gianni Tartari, sugeriu à LUOMO o Brunello di Montalcino 2001, do produtor Ciro Pacenti. "O Brunello é um ícone da vitivinicultura italiana e o produtor Ciro Pacenti é um brunellista moderno e premiado". A garrafa custa R$ 498,00. Esqueça que está em um hotel, no World Trade Center você escolhe 1 entre os 38 quartos decorados em parceria com artistas da Casa Cor. A diária fica em R$ 1.050,00. Com mais R$ 40,00 você toma café da manhã na cama, um pequeno luxo, válido. Aproveite para se atualizar lendo as notícias nos sites de informação. Para isso não é preciso sair do quarto, o serviço wireless do seu laptop, artigo já acessível inclusive à classe média brasileira, lhe dará o privilégio de ficar algumas horas a mais de roupão. Para melhorar a disposição, vale investir na atividade física. Uma horinha com o personal trainner top de linha do mercado, Felipe Pita, custa em torno de 150 reais. Depois de um banho, com direito a hidromassagem, você vai sentir fome. O carismático maitre e dono do jovem, mas já consagrado restaurante Piselli, elaborou um cardápio digno dos apreciadores da boa gastronomia. Como entrada, vitela em molho de atum. O primeiro prato traz arroz italiano com parmesão, ragu de faisão perfumado com trufas. Para o segundo prato, carne assada no vinho tinto. E torta de maçã com sorvete para adoçar a vida. Este Menu Montagna assinado por Juscelino Pereira custará R$ 98,00 por pessoa. Para fazer a digestão nada melhor do que ir as compras. Ou deveríamos chamar de “saída para investimentos”? Sim, porque a sabedoria popular diz que quem gasta são as mulheres, os homens investem. Mas, para investir é preciso que o objeto de desejo venha com um valor agregado. Afinal, "não existe luxo anônimo, sem autoria. Assim como a assinatura de um pintor conhecido empresta prestígio a uma obra de arte, a grife faz o mesmo com um produto", explica André Cauduro D’Angelo, em seu livro: “Precisar não precisa - Um olhar sobre o consumo de luxo no Brasil”. Se você está convencido a esbanjar dinheiro, sugerimos um passeio de Helicóptero até a H. Stern do Rio de Janeiro. Lá, depois de um day spa com produtos da marca francesa L‘occitane, que por sinal escolheu o Brasil para abrir a sua primeira franquia fora da terra natal, basta descansar os pés em um chinelo de R$ 58.000. Que tal?
AFINAL, DESDE QUANDO O CONCEITO DE LUXO EXISTE?
Para responder à esta pergunta, colaborou conosco a pesquisadora Marie-Óceane Borba, francesa que adotou o nosso país há 7 anos está desenvolvendo um trabalho para descobrir “a construção da identidade de classe por meio do consumo de luxo praticado pelos consumidores da Loja Daslu”.
Marie cita o sociólogo francês Lipovetsky: “o luxo começou com a ausência de previdência dos caçadores-coletores do paleolítico. Eles não tinham acesso a nenhum tipo de esplendor material, mas comiam bastante nas festas, enfeitavam-se, admiravam os ornamentos uns dos outros; esses adornamentos podiam ter um significado sagrado, em reverência aos deuses, ou tribais, como sinalização de pertencer a um determinado clã.” Eles tinham bastante tempo livre e uma alimentação suficiente obtida sem grandes esforços. Por isso, apesar de um nível de vida medíocre, se comparado ao nosso em termos de segurança e conforto, pode se considerar que os homens do paleolítico viviam em uma espécie de abundância material. “O simples fato de não guardar sobras de alimentos para o dia seguinte, da generosidade e da prodigalidade serem aspectos importantes do seu modo de vida, são indícios de luxo, pois o luxo não teria se iniciado com a fabricação de bens caros mas com o espírito de dispêndio”, completa ela. Marie explica que “o luxo tinha, a princípio, um papel muito diferente do que tem agora. Tratava-se de um luxo dádiva, luxo-troca, com base na generosidade. Somente com a aparição do Estado e da consequente noção de classe é que aparece luxo que marca diferença”.
Perguntamos à pesquisadora o que leva o ser humano a investir em artigos de luxo. Diz ela à L’UOMO: “A minha idéia primeira, quando comecei a pesquisa, era do que o consumo de luxo era um sinal distintivo e só. Mas, descobri que é bem mais complexo. Segundo Thorstein Veblen em A teoria da classe ociosa, de 1899, o consumo conspícuo se explica por 3 motivos principais: primeiro, o desejo de sobrepujar os outros em posição pecuniária, e, desta maneira ganhar sua estima e suscitar inveja; segundo, o desejo de maior segurança e conforto e terceiro, o poder dado pela riqueza.
Já para o sociólogo francês G. Lipovetsky, o consumo de bens de luxo se explica por razões emocionais. Ele seria ligado a um sexto sentido, relativo ao tempo. Ele não é restringível a volúpia e a vontade de distinção social. Ele é ligado a uma vontade de desvincular-se do efêmero; existe ainda um desejo de eternidade. Desta forma, o próprio desejo de esbanjar é ligado a vontade de desfrutar de um momento presente intenso, que virá a ser inesquecível, transformando-se assim em eternidade.
"A partir disso, dá para perceber que são vários os motivos de quem compra luxo: a pessoa quer se dar prazer, sabendo que está comprando um objeto de alta qualidade, durabilidada e que tem tradição. Mas, talvez também queira ostentar os logotipos da sua bolsa, roupa, a assinatura do quadro que comprou”, encerra Marie que em breve terá concluído o seu trabalho com índices de pesquisa ainda escassos no Brasil. Vale lembrar que trata-se de um assunto novo no país se comparado ao mercado de consumo de luxo europeu. Investir em uma obra de arte, por exemplo, requer cultura, conhecimento de causa e compreendimento do valor agregado ao objeto. Naquele continente, o mercado de luxo já faz parte do dia-a-dia das pessoas. Por aqui o novo atrai, mas nem é sempre acessível. Isso explica porquê os parcelamentos a longo prazo não são exclusividade das Casas Bahia. Na Daslu, por exemplo, alguns produtos importados são vendidos em até 10 parcelas.
SINÔNIMO DE LUXO
Inaugurado na década de 60, o Iguatemi São Paulo foi o precursor, na América Latina, a trazer a cultura de consumo de luxo para dentro dos shoppings. As estratégias operacionais e comerciais são focadas nos consumidores que estão em busca de segurança e praticidade na hora de investir em produtos de alto padrão. São 330 lojas entre grifes nacionais e internacionais. Uma das alas mais requintadas concentra, em um único espaço, marcas como Empório Armani, Armani Caffé, D&G, Bvulgari, Jeans Hall e Hugo Boss. Em 2005, foi lançado o primeiro cinema “boutique”, com lounge de espera e poltronas reservadas e numeradas, luxo que faz deste um dos cinemas mais caros de São Paulo. “No Iguatemi, as equipes de atendimento, que vão desde a Segurança até o Concierge, contam com profissionais que são constantemente atualizados em Treinamentos. Consideramos todos os detalhes importantes, como a troca diária das flores naturais, o lounge do estacionamento VIP, a perfumação dos ambientes com fragrâncias exclusivas, entre outros. Todos esses instrumentos fazem com que os nossos profissionais e serviços sejam percebidos como diferencial pelo exigente cliente do Iguatemi”, explica Erica Rabecchi, assessora de comunicação do shopping. Para atender aos clientes tops, o shopping Iguatemi criou o sistema The One! Trata-se de um programa de relacionamento que oferece atendimento diferenciado e privilégios. Pertencer a este grupo exclusivo significa usufruir de uma série de serviços, como por exemplo: receber presentes em datas especiais, convites para desfiles e eventos, acesso antecipado aos lançamentos das lojas e do cinema, uma sala de atendimento personalizado, descontos para compra de pacotes de viagem e até de veículos. Para permanecer ativo no programa, o participante deve realizar gastos trimestrais de, pelo menos, R$ 5.000,00 em compras no Shopping, uma média de quatro salários mínimos por mês só em artigos de luxo.
COM TAMANHA DEMANDA NA BUSCA POR QUALIDADE, SOMADO A GLAMOUR, AS GRIFES INTERNACIONAIS SE RENDERAM AO MERCADO BRASILEIRO.
A marca francesa de cosméticos L’occitane acaba de abrir uma franquia em AlphaVille, a primeira fora da França. Sabe-se que grifes como Marcs Jacob, Bottega Veneta e Stella McCartney já têm sondado Carlos Ferreirinha, nome influente no mercado de luxo brasileiro, para fazer investimentos no país. A Dior, por exemplo, que assinou a primeira licença no país em 1958, tem planos de abrir outras lojas fora da Grande Metrópole. Os pré-requisitos para ser representante de uma marca consagrada não são poucos: “Ser graduada, falar idiomas, ter alto nível cultural e entender de moda, além de estar sempre bem informada sobre conhecimentos gerais”. Foi o que nos disse Rosângela Lyra, que é diretora-geral da Dior no Brasil e presidente da Associação dos Lojistas da rua Oscar Freire.
No ano passado, em meio a algumas manifestações populares, Rosangela esteve à frente da reinauguração desta rua que é um dos ícones de glamour em São Paulo. A reforma, que incluiu a retirada de postes e melhoramento das calçadas, custou cerca de 7 milhões de reais e teve o ônus dividido entre lojistas e prefeitura. Há mais de 20 anos à frente da Dior, Rosangela afirma que “o mercado de luxo nos países emergentes sobe a uma proporção maior que nos demais países”. A boa notícia é que não se trata apenas de importação, “o Brasil está começando a fazer produtos de luxo na moda, mas já tem serviços na gastronomia e na hotelaria que servem como exemplo no exterior”. E, não se engane, quando falamos de moda, uma camiseta básica pode ser um artigo de luxo, “isso varia de pessoa para pessoa conforme a situação, a postura e o comportamento”, conclui Rosangela que na ocasião do evento da Oscar Freire disponibilizou a venda de camisetas para ajudar instituições de caridade. Em se falando de filantropia, a Montblanc prefere patrocinar eventos culturais e artísticos. “Diversão e prazer em todos os sentidos, ter tempo para si, para aqueles a quem amamos, para amigos e familiares, é o verdadeiro luxo da vida”, esta é a mensagem da Montblanc segundo a assessoria da marca. Atualmente, 100 anos após a joint venture da pequena companhia manufatureira, os cobiçados produtos Montblanc estão presentes em 260 Boutiques e mais de 9 mil pontos de venda em 70 países ao redor do mundo. A estrela Montblanc brilha nos shoppings e ruas de luxo em todo o planeta. Fazer o bem para o próximo e ter tempo para a família é maravilhoso, mas atender ao seu sonho de consumo, sem nenhuma razão em especial, pode melhorar e muito a sua auto-estima.
Cada pessoa tem seu próprio conceito de luxo. Para Mademoiselle Chanel " o luxo não é o contrário da pobreza, mas, sim, da vulgaridade". Para o empresário e apresentador João Dória Jr. "luxo é um valor concreto e psicológico; pode ser indispensável, mesmo sendo supérfluo". Existe, no entanto, uma palavra que predomina quando o assunto é esse: exclusividade. Quanto mais exclusivo for, melhor.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Eis o desafio: Viva um dia de luxo na maior metrópole do país.
Acorde no WTC de São Paulo depois de uma noite regada a vinho. O sommelier da Enoteca Fasano, Gianni Tartari, sugeriu à LUOMO o Brunello di Montalcino 2001, do produtor Ciro Pacenti. "O Brunello é um ícone da vitivinicultura italiana e o produtor Ciro Pacenti é um brunellista moderno e premiado". A garrafa custa R$ 498,00. Esqueça que está em um hotel, no World Trade Center você escolhe 1 entre os 38 quartos decorados em parceria com artistas da Casa Cor. A diária fica em R$ 1.050,00. Com mais R$ 40,00 você toma café da manhã na cama, um pequeno luxo, válido. Aproveite para se atualizar lendo as notícias nos sites de informação. Para isso não é preciso sair do quarto, o serviço wireless do seu laptop, artigo já acessível inclusive à classe média brasileira, lhe dará o privilégio de ficar algumas horas a mais de roupão. Para melhorar a disposição, vale investir na atividade física. Uma horinha com o personal trainner top de linha do mercado, Felipe Pita, custa em torno de 150 reais. Depois de um banho, com direito a hidromassagem, você vai sentir fome. O carismático maitre e dono do jovem, mas já consagrado restaurante Piselli, elaborou um cardápio digno dos apreciadores da boa gastronomia. Como entrada, vitela em molho de atum. O primeiro prato traz arroz italiano com parmesão, ragu de faisão perfumado com trufas. Para o segundo prato, carne assada no vinho tinto. E torta de maçã com sorvete para adoçar a vida. Este Menu Montagna assinado por Juscelino Pereira custará R$ 98,00 por pessoa. Para fazer a digestão nada melhor do que ir as compras. Ou deveríamos chamar de “saída para investimentos”? Sim, porque a sabedoria popular diz que quem gasta são as mulheres, os homens investem. Mas, para investir é preciso que o objeto de desejo venha com um valor agregado. Afinal, "não existe luxo anônimo, sem autoria. Assim como a assinatura de um pintor conhecido empresta prestígio a uma obra de arte, a grife faz o mesmo com um produto", explica André Cauduro D’Angelo, em seu livro: “Precisar não precisa - Um olhar sobre o consumo de luxo no Brasil”. Se você está convencido a esbanjar dinheiro, sugerimos um passeio de Helicóptero até a H. Stern do Rio de Janeiro. Lá, depois de um day spa com produtos da marca francesa L‘occitane, que por sinal escolheu o Brasil para abrir a sua primeira franquia fora da terra natal, basta descansar os pés em um chinelo de R$ 58.000. Que tal?
AFINAL, DESDE QUANDO O CONCEITO DE LUXO EXISTE?
Para responder à esta pergunta, colaborou conosco a pesquisadora Marie-Óceane Borba, francesa que adotou o nosso país há 7 anos está desenvolvendo um trabalho para descobrir “a construção da identidade de classe por meio do consumo de luxo praticado pelos consumidores da Loja Daslu”.
Marie cita o sociólogo francês Lipovetsky: “o luxo começou com a ausência de previdência dos caçadores-coletores do paleolítico. Eles não tinham acesso a nenhum tipo de esplendor material, mas comiam bastante nas festas, enfeitavam-se, admiravam os ornamentos uns dos outros; esses adornamentos podiam ter um significado sagrado, em reverência aos deuses, ou tribais, como sinalização de pertencer a um determinado clã.” Eles tinham bastante tempo livre e uma alimentação suficiente obtida sem grandes esforços. Por isso, apesar de um nível de vida medíocre, se comparado ao nosso em termos de segurança e conforto, pode se considerar que os homens do paleolítico viviam em uma espécie de abundância material. “O simples fato de não guardar sobras de alimentos para o dia seguinte, da generosidade e da prodigalidade serem aspectos importantes do seu modo de vida, são indícios de luxo, pois o luxo não teria se iniciado com a fabricação de bens caros mas com o espírito de dispêndio”, completa ela. Marie explica que “o luxo tinha, a princípio, um papel muito diferente do que tem agora. Tratava-se de um luxo dádiva, luxo-troca, com base na generosidade. Somente com a aparição do Estado e da consequente noção de classe é que aparece luxo que marca diferença”.
Perguntamos à pesquisadora o que leva o ser humano a investir em artigos de luxo. Diz ela à L’UOMO: “A minha idéia primeira, quando comecei a pesquisa, era do que o consumo de luxo era um sinal distintivo e só. Mas, descobri que é bem mais complexo. Segundo Thorstein Veblen em A teoria da classe ociosa, de 1899, o consumo conspícuo se explica por 3 motivos principais: primeiro, o desejo de sobrepujar os outros em posição pecuniária, e, desta maneira ganhar sua estima e suscitar inveja; segundo, o desejo de maior segurança e conforto e terceiro, o poder dado pela riqueza.
Já para o sociólogo francês G. Lipovetsky, o consumo de bens de luxo se explica por razões emocionais. Ele seria ligado a um sexto sentido, relativo ao tempo. Ele não é restringível a volúpia e a vontade de distinção social. Ele é ligado a uma vontade de desvincular-se do efêmero; existe ainda um desejo de eternidade. Desta forma, o próprio desejo de esbanjar é ligado a vontade de desfrutar de um momento presente intenso, que virá a ser inesquecível, transformando-se assim em eternidade.
"A partir disso, dá para perceber que são vários os motivos de quem compra luxo: a pessoa quer se dar prazer, sabendo que está comprando um objeto de alta qualidade, durabilidada e que tem tradição. Mas, talvez também queira ostentar os logotipos da sua bolsa, roupa, a assinatura do quadro que comprou”, encerra Marie que em breve terá concluído o seu trabalho com índices de pesquisa ainda escassos no Brasil. Vale lembrar que trata-se de um assunto novo no país se comparado ao mercado de consumo de luxo europeu. Investir em uma obra de arte, por exemplo, requer cultura, conhecimento de causa e compreendimento do valor agregado ao objeto. Naquele continente, o mercado de luxo já faz parte do dia-a-dia das pessoas. Por aqui o novo atrai, mas nem é sempre acessível. Isso explica porquê os parcelamentos a longo prazo não são exclusividade das Casas Bahia. Na Daslu, por exemplo, alguns produtos importados são vendidos em até 10 parcelas.
SINÔNIMO DE LUXO
Inaugurado na década de 60, o Iguatemi São Paulo foi o precursor, na América Latina, a trazer a cultura de consumo de luxo para dentro dos shoppings. As estratégias operacionais e comerciais são focadas nos consumidores que estão em busca de segurança e praticidade na hora de investir em produtos de alto padrão. São 330 lojas entre grifes nacionais e internacionais. Uma das alas mais requintadas concentra, em um único espaço, marcas como Empório Armani, Armani Caffé, D&G, Bvulgari, Jeans Hall e Hugo Boss. Em 2005, foi lançado o primeiro cinema “boutique”, com lounge de espera e poltronas reservadas e numeradas, luxo que faz deste um dos cinemas mais caros de São Paulo. “No Iguatemi, as equipes de atendimento, que vão desde a Segurança até o Concierge, contam com profissionais que são constantemente atualizados em Treinamentos. Consideramos todos os detalhes importantes, como a troca diária das flores naturais, o lounge do estacionamento VIP, a perfumação dos ambientes com fragrâncias exclusivas, entre outros. Todos esses instrumentos fazem com que os nossos profissionais e serviços sejam percebidos como diferencial pelo exigente cliente do Iguatemi”, explica Erica Rabecchi, assessora de comunicação do shopping. Para atender aos clientes tops, o shopping Iguatemi criou o sistema The One! Trata-se de um programa de relacionamento que oferece atendimento diferenciado e privilégios. Pertencer a este grupo exclusivo significa usufruir de uma série de serviços, como por exemplo: receber presentes em datas especiais, convites para desfiles e eventos, acesso antecipado aos lançamentos das lojas e do cinema, uma sala de atendimento personalizado, descontos para compra de pacotes de viagem e até de veículos. Para permanecer ativo no programa, o participante deve realizar gastos trimestrais de, pelo menos, R$ 5.000,00 em compras no Shopping, uma média de quatro salários mínimos por mês só em artigos de luxo.
COM TAMANHA DEMANDA NA BUSCA POR QUALIDADE, SOMADO A GLAMOUR, AS GRIFES INTERNACIONAIS SE RENDERAM AO MERCADO BRASILEIRO.
A marca francesa de cosméticos L’occitane acaba de abrir uma franquia em AlphaVille, a primeira fora da França. Sabe-se que grifes como Marcs Jacob, Bottega Veneta e Stella McCartney já têm sondado Carlos Ferreirinha, nome influente no mercado de luxo brasileiro, para fazer investimentos no país. A Dior, por exemplo, que assinou a primeira licença no país em 1958, tem planos de abrir outras lojas fora da Grande Metrópole. Os pré-requisitos para ser representante de uma marca consagrada não são poucos: “Ser graduada, falar idiomas, ter alto nível cultural e entender de moda, além de estar sempre bem informada sobre conhecimentos gerais”. Foi o que nos disse Rosângela Lyra, que é diretora-geral da Dior no Brasil e presidente da Associação dos Lojistas da rua Oscar Freire.
No ano passado, em meio a algumas manifestações populares, Rosangela esteve à frente da reinauguração desta rua que é um dos ícones de glamour em São Paulo. A reforma, que incluiu a retirada de postes e melhoramento das calçadas, custou cerca de 7 milhões de reais e teve o ônus dividido entre lojistas e prefeitura. Há mais de 20 anos à frente da Dior, Rosangela afirma que “o mercado de luxo nos países emergentes sobe a uma proporção maior que nos demais países”. A boa notícia é que não se trata apenas de importação, “o Brasil está começando a fazer produtos de luxo na moda, mas já tem serviços na gastronomia e na hotelaria que servem como exemplo no exterior”. E, não se engane, quando falamos de moda, uma camiseta básica pode ser um artigo de luxo, “isso varia de pessoa para pessoa conforme a situação, a postura e o comportamento”, conclui Rosangela que na ocasião do evento da Oscar Freire disponibilizou a venda de camisetas para ajudar instituições de caridade. Em se falando de filantropia, a Montblanc prefere patrocinar eventos culturais e artísticos. “Diversão e prazer em todos os sentidos, ter tempo para si, para aqueles a quem amamos, para amigos e familiares, é o verdadeiro luxo da vida”, esta é a mensagem da Montblanc segundo a assessoria da marca. Atualmente, 100 anos após a joint venture da pequena companhia manufatureira, os cobiçados produtos Montblanc estão presentes em 260 Boutiques e mais de 9 mil pontos de venda em 70 países ao redor do mundo. A estrela Montblanc brilha nos shoppings e ruas de luxo em todo o planeta. Fazer o bem para o próximo e ter tempo para a família é maravilhoso, mas atender ao seu sonho de consumo, sem nenhuma razão em especial, pode melhorar e muito a sua auto-estima.
Uma viagem ao mundo do silêncio.
Matéria publicada na Revista L'UOMO Julho/Agosto-2007.
O mergulho subaquático é um hobby, ou esporte como dizem alguns, que vem fisgando cada vez mais adeptos. As incontáveis belezas do fundo do mar não são mais tesouros inacessíveis e escondidos. Mergulhar hoje em dia é seguro, fácil e certamente inesquecível. Mergulhe agora nessas águas, por pouco tempo ainda, desconhecidas.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Em junho de 2007 completaram-se 10 anos da morte do explorador Jacques Costeau. O francês inventor do SCUBA (Self-Contained Underwater Breathing Aparattus), cilindro com ar comprimido enviado até a boca, foi um marco divisor na história do relacionamento homem-mar. Antes dele, os segredos submarinos eram uma incógnita, o homem conhecia muito pouco das profundezas do mar e de seus habitantes ameaçadores. Jacques Costeau desenvolveu o escafandro autônomo em 1943, junto com o engenheiro Emile Gagnan. Antes disso, para mergulhar, somente com os pesados escafandros ligados por um tubo à superfície.
Desde então, Cousteau começou a mergulhar com a ajuda do seu invento e não parou mais. Desvendou destroços de antigos navios, descobriu diversas espécies e viu belezas inigualáveis. Em 1947 ele alcançou a profundidade recorde de 100 metros. Mas Jacques Costeau fez mais ainda pelo mergulho, além das melhorias na prática, ele divulgou para o mundo todo o que estava descobrindo. Foram dezenas de livros e filmes amplamente vistos e divulgados mundialmente. Um dos mais famosos é, O Mundo do Silêncio de 1956. Jacques Costeau com certeza despertou em milhões de pessoas um desejo: conhecer o fundo do mar.
Com esse mesmo desejo Ricardo Meurer descobriu por acaso o mergulho subaquático, e com ele o fundo do mar, há 25 anos. O primeiro mergulho não foi planejado, um dia na Praia de Guaiba no Guarujá, sem esperar, Ricardo mergulhou com o cilindro de um amigo do seu grupo. "Nessa época era tudo muito mais difícil, os equipamentos grandes e rudimentares. Eram pesados, caros e difíceis de ser encontrados", conta. Dez anos, muitos certificados e mergulhos depois, o mergulhador transformou a paixão em negócio. Montou a empresa Scuba Point, uma das mais conceituadas do mercado brasileiro, que oferece tudo que um mergulhador de primeira viagem ou profissional necessita. O instrutor, empresário e mergulhador, com a experiência de 3.000 mergulhos, deixa apenas um conselho para os iniciantes "não toque em nada que você não conhece". Fora esse pequeno alerta, Ricardo atesta que não há perigos, pois mergulhar "é uma atividade muito segura".
AULAS, BATISMO E ESPECIALIZAÇÃO
Mas nem todos precisam ser como Ricardo, não são necessários 25 anos de experiência para se tornar um mergulhador, muito pelo contrário. O curso básico para mergulho autônomo dura apenas um final de semana. Parece pouco, mas é o tempo suficiente para o aprendizado de aulas práticas e teóricas. O aluno vai aprender sobre a pressão do mar, o ambiente aquático, as reações fisiológicas do corpo embaixo d’água, terá aulas práticas na piscina, etc. O candidato a mergulhador também fará um exame médico para detectar possíveis impossibilidades, que são raras. Num primeiro momento apenas epilepsia ou problemas cardíacos graves impedem a atividade. Casos mais específicos são avaliados individualmente. A idade mínima para o mergulho é de 10 anos, e a máxima não existe, estando com a saúde em dia não há limites.
Ao concluir o curso vem o primeiro mergulho no mar, ou batismo como dizem os mais experientes, e uma carteirinha regulamentada pelo PADI (Professional Association Diving of Instructors), órgão internacional de regulamentação do mergulho. A carteirinha que o aluno recebe do PADI é válida em qualquer lugar do mundo e é igual a de um mergulhador de qualquer outra nacionalidade.
O curso, além de rápido e fácil, não é caro, custa R$ 290 mais a carteirinha de R$ 75. Na Scuba Point o batismo costuma ser em Paraty, porque a cidade oferece águas calmas e cristalinas. O pacote para o final de semana com os quatro primeiros mergulhos sai por R$ 580 com tudo incluso, ônibus, duas diárias, alimentação e equipamento.
Aliás, o equipamento completo é da escola e o novo mergulhador só precisa adquirir o equipamento básico: máscara, snorkel e nadadeiras, que custam a partir de R$ 180. Em mergulhos futuros a pessoa poderá optar por alugar o equipamento ou se preferir, adquirir os mesmos nas lojas especializadas.
Depois do curso básico o novo mergulhador não terá mais limites e pode se especializar em diversas categorias como: naufrágio, cavernas, noturno, profundo, foto submarina, biologia marinha, etc. A especialidade Overhead, por exemplo, treina o mergulhador para ambientes fechados e com teto; a Nitrox, muito útil, aprofunda os conhecimentos sobre mergulhos com percentual de oxigênio mais elevados; a Foto e Video Submarino, ensina a fotografar ou filmar embaixo d'água. O mergulhador pode se informar detalhadamente sobre cada uma das especialidades e descobrir a que mais lhe interessa e se aproxima do seu perfil.
O mergulho também não precisa ficar restrito ao mar, é possível mergulhar em rios, lagos, cavernas, enfim, tudo que tenha água e possa oferecer um mergulho interessante. Se a água de rios e lagos não for tão clara e cristalina quanto a do mar, existem lanternas que ajudam a melhorar a visibilidade. As possibilidades são infinitas, basta usar a criatividade.
Basicamente existem dois tipos de mergulho: o livre e o autônomo. O livre não utiliza aparelhos de respiração e está dividido em snorkeling e apnéia, suspensão momentânea da respiração. O snorkeling pode ser praticado por qualquer pessoa que use o snorkel – uma espécie de óculos de natação com um tubo respiratório acoplado – para respirar enquanto nada e realiza pequenos mergulhos. Já a apnéia exige muito mais preparo, e geralmente é utilizada por caçadores submarinos, para grandes profundidades e tempos longos. Somente pessoas treinadas conseguem utilizar esta técnica. O mergulho autônomo é o mais conhecido, nele a pessoa utiliza aparelhos de respiração subaquática, normalmente um cilindro e um regulador de ar acompanhados de um colete equilibrador.
MELHORES POINTS
No Brasil os melhores lugares e mais procurados são Recife e Fernando de Noronha, uma verdadeira unanimidade entre os mergulhadores. Fora do país a melhor pedida é Cozumel no México, seguido da Ilha Bonaire que fica ao norte da Venezuela. A visita de uma semana para Cozumel ou Fernando de Noronha, pode custar em média US$ 1.800, com passagens e diárias inclusas, sem alimentação. Aliás, a semelhança de valores entre Fernando de Noronha e destinos internacionais tem feito muitos mergulhadores mudar a rota da viagem, já que Fernando de Noronha além de cara, é área de preservação ambiental, o que restringe ainda mais o turismo.
O mercado de mergulho no Brasil cresce num ritmo contínuo em média 10% ao ano. Hoje são 150 mil mergulhadores e quase 1.000 instrutores credenciados. Um verdadeiro incentivo para quem deseja fazer do hobby profissão, para tanto basta fazer cursos profissionalizantes necessários e se tornar instrutor.
FASCÍNIO
Quem também se rendeu ao fascínio do mergulho foi o apresentador Márcio Moraes, seu programa Companhia de Viagem completa 11 anos em outubro de 2007. Ele que também assina uma coluna semana na revista Caras, em entrevista à L'UOMO sugeriu alguns points de mergulho que são imperdíveis. “Neste quesito todo mundo cita Fernando de Noronha, mas Bombinhas, em Santa Catarina, também proporciona bons momentos para a prática.” Cuba, Maragogi, Tahiti e República Dominicana foram alguns dos lugares que mereceram reportagens especiais sobre mergulho. “Um dos momentos mais surpreendentes foi no Tahiti, quando mergulhei com as arraias. A força das nadadeiras contradiz a aparência frágil do peixe”. Formado por Claudio Guardabassi, campeão brasileiro de apnéia, Márcio revela que já levou um susto em alto mar quando voltou à superfície e o barco em que estavam havia sumido. O temor passou rápido, logo o piloto estava de volta, depois de deixar uma tripulante que se sentiu mal. Mas, ficou a lição: “ É preciso respeitar o mar. Mergulhar sozinho jamais. Para mim, mergulhar é intrigante por pensar que quase tudo que vemos na superfície já esteve submerso. Existe um mundo desconhecido lá embaixo que guarda segredos da nossa existência”.
Internet
www.mergulho.com.br
www.brasilmergulho.com.br
www.mergulhomania.com.br
www.scubapoint.com.br
O mergulho subaquático é um hobby, ou esporte como dizem alguns, que vem fisgando cada vez mais adeptos. As incontáveis belezas do fundo do mar não são mais tesouros inacessíveis e escondidos. Mergulhar hoje em dia é seguro, fácil e certamente inesquecível. Mergulhe agora nessas águas, por pouco tempo ainda, desconhecidas.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Em junho de 2007 completaram-se 10 anos da morte do explorador Jacques Costeau. O francês inventor do SCUBA (Self-Contained Underwater Breathing Aparattus), cilindro com ar comprimido enviado até a boca, foi um marco divisor na história do relacionamento homem-mar. Antes dele, os segredos submarinos eram uma incógnita, o homem conhecia muito pouco das profundezas do mar e de seus habitantes ameaçadores. Jacques Costeau desenvolveu o escafandro autônomo em 1943, junto com o engenheiro Emile Gagnan. Antes disso, para mergulhar, somente com os pesados escafandros ligados por um tubo à superfície.
Desde então, Cousteau começou a mergulhar com a ajuda do seu invento e não parou mais. Desvendou destroços de antigos navios, descobriu diversas espécies e viu belezas inigualáveis. Em 1947 ele alcançou a profundidade recorde de 100 metros. Mas Jacques Costeau fez mais ainda pelo mergulho, além das melhorias na prática, ele divulgou para o mundo todo o que estava descobrindo. Foram dezenas de livros e filmes amplamente vistos e divulgados mundialmente. Um dos mais famosos é, O Mundo do Silêncio de 1956. Jacques Costeau com certeza despertou em milhões de pessoas um desejo: conhecer o fundo do mar.
Com esse mesmo desejo Ricardo Meurer descobriu por acaso o mergulho subaquático, e com ele o fundo do mar, há 25 anos. O primeiro mergulho não foi planejado, um dia na Praia de Guaiba no Guarujá, sem esperar, Ricardo mergulhou com o cilindro de um amigo do seu grupo. "Nessa época era tudo muito mais difícil, os equipamentos grandes e rudimentares. Eram pesados, caros e difíceis de ser encontrados", conta. Dez anos, muitos certificados e mergulhos depois, o mergulhador transformou a paixão em negócio. Montou a empresa Scuba Point, uma das mais conceituadas do mercado brasileiro, que oferece tudo que um mergulhador de primeira viagem ou profissional necessita. O instrutor, empresário e mergulhador, com a experiência de 3.000 mergulhos, deixa apenas um conselho para os iniciantes "não toque em nada que você não conhece". Fora esse pequeno alerta, Ricardo atesta que não há perigos, pois mergulhar "é uma atividade muito segura".
AULAS, BATISMO E ESPECIALIZAÇÃO
Mas nem todos precisam ser como Ricardo, não são necessários 25 anos de experiência para se tornar um mergulhador, muito pelo contrário. O curso básico para mergulho autônomo dura apenas um final de semana. Parece pouco, mas é o tempo suficiente para o aprendizado de aulas práticas e teóricas. O aluno vai aprender sobre a pressão do mar, o ambiente aquático, as reações fisiológicas do corpo embaixo d’água, terá aulas práticas na piscina, etc. O candidato a mergulhador também fará um exame médico para detectar possíveis impossibilidades, que são raras. Num primeiro momento apenas epilepsia ou problemas cardíacos graves impedem a atividade. Casos mais específicos são avaliados individualmente. A idade mínima para o mergulho é de 10 anos, e a máxima não existe, estando com a saúde em dia não há limites.
Ao concluir o curso vem o primeiro mergulho no mar, ou batismo como dizem os mais experientes, e uma carteirinha regulamentada pelo PADI (Professional Association Diving of Instructors), órgão internacional de regulamentação do mergulho. A carteirinha que o aluno recebe do PADI é válida em qualquer lugar do mundo e é igual a de um mergulhador de qualquer outra nacionalidade.
O curso, além de rápido e fácil, não é caro, custa R$ 290 mais a carteirinha de R$ 75. Na Scuba Point o batismo costuma ser em Paraty, porque a cidade oferece águas calmas e cristalinas. O pacote para o final de semana com os quatro primeiros mergulhos sai por R$ 580 com tudo incluso, ônibus, duas diárias, alimentação e equipamento.
Aliás, o equipamento completo é da escola e o novo mergulhador só precisa adquirir o equipamento básico: máscara, snorkel e nadadeiras, que custam a partir de R$ 180. Em mergulhos futuros a pessoa poderá optar por alugar o equipamento ou se preferir, adquirir os mesmos nas lojas especializadas.
Depois do curso básico o novo mergulhador não terá mais limites e pode se especializar em diversas categorias como: naufrágio, cavernas, noturno, profundo, foto submarina, biologia marinha, etc. A especialidade Overhead, por exemplo, treina o mergulhador para ambientes fechados e com teto; a Nitrox, muito útil, aprofunda os conhecimentos sobre mergulhos com percentual de oxigênio mais elevados; a Foto e Video Submarino, ensina a fotografar ou filmar embaixo d'água. O mergulhador pode se informar detalhadamente sobre cada uma das especialidades e descobrir a que mais lhe interessa e se aproxima do seu perfil.
O mergulho também não precisa ficar restrito ao mar, é possível mergulhar em rios, lagos, cavernas, enfim, tudo que tenha água e possa oferecer um mergulho interessante. Se a água de rios e lagos não for tão clara e cristalina quanto a do mar, existem lanternas que ajudam a melhorar a visibilidade. As possibilidades são infinitas, basta usar a criatividade.
Basicamente existem dois tipos de mergulho: o livre e o autônomo. O livre não utiliza aparelhos de respiração e está dividido em snorkeling e apnéia, suspensão momentânea da respiração. O snorkeling pode ser praticado por qualquer pessoa que use o snorkel – uma espécie de óculos de natação com um tubo respiratório acoplado – para respirar enquanto nada e realiza pequenos mergulhos. Já a apnéia exige muito mais preparo, e geralmente é utilizada por caçadores submarinos, para grandes profundidades e tempos longos. Somente pessoas treinadas conseguem utilizar esta técnica. O mergulho autônomo é o mais conhecido, nele a pessoa utiliza aparelhos de respiração subaquática, normalmente um cilindro e um regulador de ar acompanhados de um colete equilibrador.
MELHORES POINTS
No Brasil os melhores lugares e mais procurados são Recife e Fernando de Noronha, uma verdadeira unanimidade entre os mergulhadores. Fora do país a melhor pedida é Cozumel no México, seguido da Ilha Bonaire que fica ao norte da Venezuela. A visita de uma semana para Cozumel ou Fernando de Noronha, pode custar em média US$ 1.800, com passagens e diárias inclusas, sem alimentação. Aliás, a semelhança de valores entre Fernando de Noronha e destinos internacionais tem feito muitos mergulhadores mudar a rota da viagem, já que Fernando de Noronha além de cara, é área de preservação ambiental, o que restringe ainda mais o turismo.
O mercado de mergulho no Brasil cresce num ritmo contínuo em média 10% ao ano. Hoje são 150 mil mergulhadores e quase 1.000 instrutores credenciados. Um verdadeiro incentivo para quem deseja fazer do hobby profissão, para tanto basta fazer cursos profissionalizantes necessários e se tornar instrutor.
FASCÍNIO
Quem também se rendeu ao fascínio do mergulho foi o apresentador Márcio Moraes, seu programa Companhia de Viagem completa 11 anos em outubro de 2007. Ele que também assina uma coluna semana na revista Caras, em entrevista à L'UOMO sugeriu alguns points de mergulho que são imperdíveis. “Neste quesito todo mundo cita Fernando de Noronha, mas Bombinhas, em Santa Catarina, também proporciona bons momentos para a prática.” Cuba, Maragogi, Tahiti e República Dominicana foram alguns dos lugares que mereceram reportagens especiais sobre mergulho. “Um dos momentos mais surpreendentes foi no Tahiti, quando mergulhei com as arraias. A força das nadadeiras contradiz a aparência frágil do peixe”. Formado por Claudio Guardabassi, campeão brasileiro de apnéia, Márcio revela que já levou um susto em alto mar quando voltou à superfície e o barco em que estavam havia sumido. O temor passou rápido, logo o piloto estava de volta, depois de deixar uma tripulante que se sentiu mal. Mas, ficou a lição: “ É preciso respeitar o mar. Mergulhar sozinho jamais. Para mim, mergulhar é intrigante por pensar que quase tudo que vemos na superfície já esteve submerso. Existe um mundo desconhecido lá embaixo que guarda segredos da nossa existência”.
Internet
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