Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Mar/Abr 2008.
O tempo não pára. Filhos de grandes nomes do mercado nacional, como Ivan Zurita, Rolim Amaro e José Talarico, compõem uma nova geração de empresários que está abrindo concorrência e reciclando idéias. A novidade é que a meta destes sucessores não é ocupar a cadeira do pai. Alguns talentos, lapidados desde o berço, assumiram o risco de abrir a própria empresa e sentir na pele a insegurança do marco zero. A nova geração dorme cedo, é apegada à família e se preocupa com sustentabilidade.
Por Viviane Lopes e Bianca Moretto
Num país em que cerca de 60% da força de trabalho não têm sequer o primeiro grau completo, Bruno e Thomaz Talarico, respectivamente 14 e 13 anos, ganham destaque. Eles estudam em uma escola britânica e já são fluentes em três idiomas.
“Posso dizer que o meu inglês é melhor do que o meu português”, diz Bruno que mora no Rio de Janeiro, mas tem planos de se mudar com o irmão para São Paulo com o intuito de “aproveitar melhor o mercado de trabalho”.
Bruno e Thomaz são filhos de José Talarico, CEO da Pepsico, empresa que hoje ocupa o segundo lugar na indústria de alimentos mundial, com 12 fábricas no Brasil e cerca de 40 mil funcionários.
“Criei os meus filhos com muito diálogo. Invisto em educação e cobro bom desempenho”, diz ele orgulhoso com o título de 2º Melhor Aluno que Thomaz recebeu na escola. “O mundo está tão globalizado que as empresas familiares estão acabando. Se um deles vier a ocupar o meu posto será por mérito. Terão que conquistar a vaga e não apenas me suceder”, conclui o pai.
Bruno e Thomaz são exemplos da nova geração que vem por aí. Por enquanto, eles passam dois períodos na escola e aproveitam o resto do tempo para jogar vídeo game e praticar esportes. No futuro, Thomaz diz não saber se está disposto de abrir mão da qualidade de vida para construir uma carreira.
“Admiro o meu pai por tudo o que ele proporciona para nós, mas não sei se quero ficar longe da minha família e passar por tudo o que ele passou para ter um bom cargo”. O futuro dirá.
Enquanto isso, Marcos Amaro tem 23 anos e é empresário desde os 18. Não se trata de um posto herdado, ou algo do gênero. Quando o seu pai, o comandante Rolim Amaro faleceu em 2001, Marcos fazia estágio na TAM em Marília, empresa que até hoje pertence à sua família. Na ocasião, com apenas 18 anos de idade, Marcos decidiu investir em outro segmento e fundou a Amaro Participações, uma holding de investimentos que atua em dois setores: o agronegócio e o luxo.
A fórmula, segundo ele, “é associar-se a pessoas boas, sempre melhores do que eu”. Um exemplo disso é Carlos Ferreirinha, “hoje, na minha avaliação, ele é o melhor consultor de luxo do Brasil e nos ajuda no desenvolvimento estratégico. Eu o uso, no bom sentido, para lapidar o meu trabalho”, explica Marcos.
Atualmente a WLUX apresenta em seu portfolio quatro marcas de referência no mercado: TAG Heuer, Alain Mikli, Philippe Starck e Mikli. A empresa tem como missão “ser a preferida entre as distribuidoras de produtos de luxo do Brasil”. Marcos se prepara para adquirir uma outra empresa para incrementar o Grupo, cujo nome ele faz segredo.
“Em 2008 quero gerir os meus negócios de maneira cada vez mais assertiva e gerar empregos. Somos uma empresa de investimentos e precisamos ter lucro, mas não vamos abrir mão do lado humano”. Entre os projetos está um programa de reflorestamento que dá retorno financeiro e ajuda na melhoria do meio ambiente.
“Ter estrutura familiar e dinheiro suficiente desde sempre me ajudou, mas se eu não tivesse iniciativa própria não teria dado certo. Acordo às 5:30 da manhã e trabalho cerca de 15 horas por dia, depois disso faço ginástica porque acho importante ter qualidade de vida” – diz ele.
O resto do tempo é para dividir com a família e com os amigos. O jovem empresário comparece apenas em eventos sociais ligados ao trabalho e, no mais, prefere um bom livro. Marcos é ousado e, apesar de ter nascido em berço de ouro, não tem medo de perder tudo e “ter que lavar pratos para sobreviver”.
“Para mim Deus vem em primeiro lugar, fiz terapia por um tempo, mas hoje só a religião basta para manter o equilíbrio e buscar forças. O meu pai passou por muitas dificuldades na vida, foi autodidata e construiu tudo sozinho com muita perseverança.” A herança deixada pelo comandante Rolim foi além do dinheiro. Marcos é um jovem com espírito empreendedor e entende que é preciso “ter coragem com prudência”.
Neste mesmo caminho segue Daniela Zurita, de 29 anos. Ela é a única filha do dono da maior indústria de alimentos do Brasil, a Nestlé. A sucessora de Ivan Zurita tinha tudo para ser uma menina mimada, mas não é. Ela conta que sempre gostou de brincar de vender, e aos sete anos já fazia cartões de natal para comercializar na porta da casa da avó. Daniela começou a sua carreira fazendo estágio na JWThompson do México, país onde concluiu a faculdade de comunicação com especialização em marketing. Quanto aos negócios do pai ela limita-se a organizar o leilão de gados Nelore e Simental, que acontece três vezes ao ano. Depois de morar no Chile, na Argentina, no Panamá, na Suíça e no México, falar cinco idiomas tornou-se um processo natural. Há dois anos ela está de volta ao Brasil e diz estar “acostumada a recomeçar”.
Com rosto de menina e olhar sempre solícito, Daniela consegue ser simples no meio do glamour que a rodeia, inclusive em grandes eventos como o Athina Onassis Horse Show, que ela organizou com sucesso no ano passado e deve repetir a dose em outubro este ano. A DZ Eventos, que ela fundou há menos de um ano, já conta com clientes como a Rede TV, Scala e TV Record.
“Costumo falar que a minha empresa é pequena e continuará pequena. Gosto de acompanhar de perto cada um dos meus clientes. Participo de todas as escolhas e cuido de cada detalhe para que tudo saia como planejado”.
Do pai ela herdou “transparência e honestidade”. Em meio a correria, Daniela ainda encontra tempo para manter em harmonia o namoro de nove meses com o chef de cozinha e apresentador Eduardo Guedes. Somem-se a isso, ginástica três vezes por semana e a leitura do livro “Marley e Eu” para cuidar bem do seu labrador. Haja disciplina.
27 de mar. de 2008
8 de fev. de 2008
Navegar é preciso, trabalhar também.
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Jan/Fev 2008.
Vai começar mais um dia de trabalho. Duas coisas são essenciais: o celular e o laptop. Com a tecnologia nas mãos, agora é só vestir uma bermuda e uma camiseta e pronto. Estranhou o clima e a roupa descontraída? Não se surpreenda. Atualmente, esta é a realidade de muitos empresários, e agora poderá ser a sua.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Paulo Veloso é um dos felizardos que já pode optar entre trabalhar contemplando o céu e o mar ou permanecer na selva de pedra. A primeira, e muito mais agradável, opção está cada vez mais constante na sua vida. Um dos sócios da empresa Regatta, Paulo convive diariamente com a rotina dos barcos como empresário, mas há algum tempo uniu o útil ao agradável e num veleiro viaja e realiza muitos dos seus negócios “como se estivesse na minha própria mesa, mas a bordo”, diz. Ele e mais dois amigos arrendaram um veleiro 76 pés e percorrem diversos locais da imensa costa marinha brasileira e também do exterior.
Neste veleiro a viagem não se limita apenas ao prazer de viajar, conhecer ou rever grandes lugares, mas também a manter-se ligado com o que acontece no trabalho. A bordo, Paulo fecha negócios, contata pessoas, fala com seu escritório, envia e recebe e-mails importantes e decide novos rumos para a sua empresa. Paulo já percorreu cidades como Ilha Bela, Paraty, Angra dos Reis, Bahia, Natal e muitos outros lugares. Ele passou as festas de final de ano no Caribe e diz que o barco-escritório hoje “não é uma tendência, é realidade.”
Por opção as suas viagens são constantes e curtas, duram em média 1 mês ou 20 dias, mas a tecnologia oferecida a bordo deste veleiro e de praticamente todos os outros barcos atuais, poderia durar meses ou até mesmo ser uma opção definitiva de trabalho.
O empresário Silvio dos Passos no seu barco-escritório, o Matajusi.
MATAJUSI
Prova viva é o empresário Silvio dos Passos Ramos, presidente da Harte-Hanks do Brasil. Aos 59 anos, Silvio conseguiu colocar em prática o Projeto Matajusi. Este é o nome do seu barco-escritório, um RO 400 que foi "modificado para ter mais autonomia e segurança em travessias oceânicas e possui todos os tipos disponíveis de meios de comunicação", conta. O Matajusi tem rádios VHF e SSB, notebooks e handhelds com capacidade de acesso a redes wireless (802.11 WLAN) e GSM. A única coisa que falta, e está sendo providenciada, é a comunicação via satélite, mas isso não é empecilho para o trabalho.
O mais importante é o acesso à internet, pois com ela ocorre a comunicação entre barco e escritório central. Para não ficar sem conexão, o Matajusi tem vários níveis de comunicação, dependendo do lugar e da disponibilidade de conexões. Dentro do barco há rede wireless para logar na Internet, a segunda opção é a rede GSM, quando tem alcance o celular. Silvio também usa um notebook ou uma HP 6945 para se comunicar. Em terra, um internet café, ou mesmo redes wireless ou GSM resolvem o problema. Quando no mar as redes ficam indisponíveis, a opção é o rádio SSB para mandar e receber emails.
O Projeto nasceu da vontade de novas experiências, de viajar ao redor do mundo e conhecer lugares paradisíacos. Mas isso precisava acontecer sem deixar de produzir e ganhar, e um barco-escritório foi a solução. Comprado entre 2006 e 2007, o trabalho ininterrupto para prepará-lo tem sido grande, mas Silvio garante que a recompensa "é o reconhecimento e o fato de estar dando certo a idéia de que se pode trabalhar a bordo de um veleiro-escritório."
A rotina de trabalho é tranqüila de qualquer lugar por onde Silvio navega. Os únicos inconvenientes são encontrar tempo hábil no barco para fazer as conexões, porque como ele conta, "se estivermos com dificuldades na navegação, como áreas perigosas, tempo ruim, e outras razões mais, não podemos estar concentrados nas comunicações. Mas quando temos tempo disponível, podemos fazer qualquer tipo de trabalho que fazemos hoje de casa, ou mesmo de outro escritório da empresa. Minha rotina de trabalho consiste em verificar meus e-mails algumas vezes por dia e trabalhar principalmente a noite."
Em terra, uma assistente transmite o que acontece na empresa e fica atenta a possíveis conflitos, guerras, fenômenos naturais e outras ameaças.
Silvio passou os últimos 3 meses em Santa Catarina, na Baía de São Francisco, e para o futuro a idéia é aprimorar a técnica de trabalho a bordo e dar a volta ao mundo saindo para o Canal do Panamá no final de 2008. Neste momento, Silvio e a sua companheira de navegação, Lilian Monteiro que trabalha no RH e com quem está criando uma empresa de head-hunting, estão percorrendo a costa Norte do Brasil.
Outra idéia é "mudar com o barco-escritório para outros países na América do Sul, para abrir novos escritórios nesses países." Os únicos temores quanto a navegar são típicos do meio de transporte, como bater em um bando de baleias a noite, ou ser atacado por elas, enfrentar ondas gigantes ou tempestades muito fortes. Nesses casos, a única preocupação é com a sobrevivência do barco e seus tripulantes.
Risco à parte, que sempre existe em qualquer lugar, Silvio confirma que a única inconveniência é "quando não conseguimos conectar por alguma razão. Já as vantagens são inúmeras, vida mais intensa, mais vivida, com mais experiências, mais exposições a bons momentos, lugares paradisíacos, povos amigáveis, outras culturas. Enfim, uma vida muito mais sadia."
Felipe Whitaker fazendo planejamento da rota para a navegação.
OUTRAS PROFISSÕES
Tanta tecnologia não beneficia apenas os empresários. O velejador Felipe Whitaker, junto com Beto Pandiani, manteve contato praticamente diário com o Brasil e o mundo enquanto concluía a última etapa do projeto Rota Boreal. O objetivo era percorrer o trecho entre Nova Iorque e Groenlândia.
O barco, um catamarã EagleCat 21 pés, construído em carbono, foi apelidado de Jangada High-Tech. Além da construção sofisticada, era equipado com GPS, E-track (para localização via satélite), telefones satelitais, VHFs, celulares, placas de bateria solar, notebook, câmeras de video e fotos digitais e à prova d'água.
O conjunto tecnológico os mantinha conectados e o único problema eram as pilhas, que obviamente não são encontradas com facilidade no Pólo Norte. A solução foram painéis solares que mantinham toda a aparelhagem eletrônica ativa. Um alerta de Felipe é que "água salgada e componentes eletrônicos não se entendem bem, portanto é preciso saber manusear corretamente os gadgets para utilizá-los e preservá-los".
A tecnologia, impensável há poucos anos, hoje é vasta e acessível. O experiente velejador pretende embarcar em uma nova aventura até 2010, escalar o Kilimanjaro, na África. Ele, que atualmente usa um veleiro HPE25 e um bote SR15, ambos equipados, dá uma dica: "Estar conectado é questão de sobrevivência no mercado. Fundamental para um escritório é a conexão de internet que pode ser via satélite. Se você for um navegador de longo curso e navega distante da costa, use um celular satelital (GlobalStar). Já se você for um navegador de final de semana, tenha sempre à mão um BlackBerry ou um Smartphone similar, um conector de força para isqueiro ou mesmo um painel solar portátil (de enrolar). Não são equipamentos difíceis de serem encontrados e podem salvar a sua pele, digo a sua carreira!"
INICIANTES
Para quem ainda não usa o barco como escritório, o primeiro passo é deixar o laptop em dia e com a conexão Wi-fi devidamente configurada. Tenha sempre à mão também o Blackberry e se possível, um telefone via satélite. Não há burocracia ou dificuldade de qualquer espécie e as opções tecnológicas são muitas, só é preciso conhecer cada uma delas para melhor aproveitar. Se durante a viagem precisar enviar algum documento ou assinatura, na primeira parada um serviço de entregas rápidas resolve a questão. Hoje em dia praticamente todos os barcos possuem os recursos necessários e quando não, o proprietário vai adaptando conforme a sua necessidade.
INTERNET
www.regatta.com.br
www.matajusi.com.br
Vai começar mais um dia de trabalho. Duas coisas são essenciais: o celular e o laptop. Com a tecnologia nas mãos, agora é só vestir uma bermuda e uma camiseta e pronto. Estranhou o clima e a roupa descontraída? Não se surpreenda. Atualmente, esta é a realidade de muitos empresários, e agora poderá ser a sua.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Paulo Veloso é um dos felizardos que já pode optar entre trabalhar contemplando o céu e o mar ou permanecer na selva de pedra. A primeira, e muito mais agradável, opção está cada vez mais constante na sua vida. Um dos sócios da empresa Regatta, Paulo convive diariamente com a rotina dos barcos como empresário, mas há algum tempo uniu o útil ao agradável e num veleiro viaja e realiza muitos dos seus negócios “como se estivesse na minha própria mesa, mas a bordo”, diz. Ele e mais dois amigos arrendaram um veleiro 76 pés e percorrem diversos locais da imensa costa marinha brasileira e também do exterior.
Neste veleiro a viagem não se limita apenas ao prazer de viajar, conhecer ou rever grandes lugares, mas também a manter-se ligado com o que acontece no trabalho. A bordo, Paulo fecha negócios, contata pessoas, fala com seu escritório, envia e recebe e-mails importantes e decide novos rumos para a sua empresa. Paulo já percorreu cidades como Ilha Bela, Paraty, Angra dos Reis, Bahia, Natal e muitos outros lugares. Ele passou as festas de final de ano no Caribe e diz que o barco-escritório hoje “não é uma tendência, é realidade.”
Por opção as suas viagens são constantes e curtas, duram em média 1 mês ou 20 dias, mas a tecnologia oferecida a bordo deste veleiro e de praticamente todos os outros barcos atuais, poderia durar meses ou até mesmo ser uma opção definitiva de trabalho.
O empresário Silvio dos Passos no seu barco-escritório, o Matajusi.MATAJUSI
Prova viva é o empresário Silvio dos Passos Ramos, presidente da Harte-Hanks do Brasil. Aos 59 anos, Silvio conseguiu colocar em prática o Projeto Matajusi. Este é o nome do seu barco-escritório, um RO 400 que foi "modificado para ter mais autonomia e segurança em travessias oceânicas e possui todos os tipos disponíveis de meios de comunicação", conta. O Matajusi tem rádios VHF e SSB, notebooks e handhelds com capacidade de acesso a redes wireless (802.11 WLAN) e GSM. A única coisa que falta, e está sendo providenciada, é a comunicação via satélite, mas isso não é empecilho para o trabalho.
O mais importante é o acesso à internet, pois com ela ocorre a comunicação entre barco e escritório central. Para não ficar sem conexão, o Matajusi tem vários níveis de comunicação, dependendo do lugar e da disponibilidade de conexões. Dentro do barco há rede wireless para logar na Internet, a segunda opção é a rede GSM, quando tem alcance o celular. Silvio também usa um notebook ou uma HP 6945 para se comunicar. Em terra, um internet café, ou mesmo redes wireless ou GSM resolvem o problema. Quando no mar as redes ficam indisponíveis, a opção é o rádio SSB para mandar e receber emails.
O Projeto nasceu da vontade de novas experiências, de viajar ao redor do mundo e conhecer lugares paradisíacos. Mas isso precisava acontecer sem deixar de produzir e ganhar, e um barco-escritório foi a solução. Comprado entre 2006 e 2007, o trabalho ininterrupto para prepará-lo tem sido grande, mas Silvio garante que a recompensa "é o reconhecimento e o fato de estar dando certo a idéia de que se pode trabalhar a bordo de um veleiro-escritório."
A rotina de trabalho é tranqüila de qualquer lugar por onde Silvio navega. Os únicos inconvenientes são encontrar tempo hábil no barco para fazer as conexões, porque como ele conta, "se estivermos com dificuldades na navegação, como áreas perigosas, tempo ruim, e outras razões mais, não podemos estar concentrados nas comunicações. Mas quando temos tempo disponível, podemos fazer qualquer tipo de trabalho que fazemos hoje de casa, ou mesmo de outro escritório da empresa. Minha rotina de trabalho consiste em verificar meus e-mails algumas vezes por dia e trabalhar principalmente a noite."
Em terra, uma assistente transmite o que acontece na empresa e fica atenta a possíveis conflitos, guerras, fenômenos naturais e outras ameaças.
Silvio passou os últimos 3 meses em Santa Catarina, na Baía de São Francisco, e para o futuro a idéia é aprimorar a técnica de trabalho a bordo e dar a volta ao mundo saindo para o Canal do Panamá no final de 2008. Neste momento, Silvio e a sua companheira de navegação, Lilian Monteiro que trabalha no RH e com quem está criando uma empresa de head-hunting, estão percorrendo a costa Norte do Brasil.
Outra idéia é "mudar com o barco-escritório para outros países na América do Sul, para abrir novos escritórios nesses países." Os únicos temores quanto a navegar são típicos do meio de transporte, como bater em um bando de baleias a noite, ou ser atacado por elas, enfrentar ondas gigantes ou tempestades muito fortes. Nesses casos, a única preocupação é com a sobrevivência do barco e seus tripulantes.
Risco à parte, que sempre existe em qualquer lugar, Silvio confirma que a única inconveniência é "quando não conseguimos conectar por alguma razão. Já as vantagens são inúmeras, vida mais intensa, mais vivida, com mais experiências, mais exposições a bons momentos, lugares paradisíacos, povos amigáveis, outras culturas. Enfim, uma vida muito mais sadia."
Felipe Whitaker fazendo planejamento da rota para a navegação.OUTRAS PROFISSÕES
Tanta tecnologia não beneficia apenas os empresários. O velejador Felipe Whitaker, junto com Beto Pandiani, manteve contato praticamente diário com o Brasil e o mundo enquanto concluía a última etapa do projeto Rota Boreal. O objetivo era percorrer o trecho entre Nova Iorque e Groenlândia.
O barco, um catamarã EagleCat 21 pés, construído em carbono, foi apelidado de Jangada High-Tech. Além da construção sofisticada, era equipado com GPS, E-track (para localização via satélite), telefones satelitais, VHFs, celulares, placas de bateria solar, notebook, câmeras de video e fotos digitais e à prova d'água.
O conjunto tecnológico os mantinha conectados e o único problema eram as pilhas, que obviamente não são encontradas com facilidade no Pólo Norte. A solução foram painéis solares que mantinham toda a aparelhagem eletrônica ativa. Um alerta de Felipe é que "água salgada e componentes eletrônicos não se entendem bem, portanto é preciso saber manusear corretamente os gadgets para utilizá-los e preservá-los".
A tecnologia, impensável há poucos anos, hoje é vasta e acessível. O experiente velejador pretende embarcar em uma nova aventura até 2010, escalar o Kilimanjaro, na África. Ele, que atualmente usa um veleiro HPE25 e um bote SR15, ambos equipados, dá uma dica: "Estar conectado é questão de sobrevivência no mercado. Fundamental para um escritório é a conexão de internet que pode ser via satélite. Se você for um navegador de longo curso e navega distante da costa, use um celular satelital (GlobalStar). Já se você for um navegador de final de semana, tenha sempre à mão um BlackBerry ou um Smartphone similar, um conector de força para isqueiro ou mesmo um painel solar portátil (de enrolar). Não são equipamentos difíceis de serem encontrados e podem salvar a sua pele, digo a sua carreira!"
INICIANTES
Para quem ainda não usa o barco como escritório, o primeiro passo é deixar o laptop em dia e com a conexão Wi-fi devidamente configurada. Tenha sempre à mão também o Blackberry e se possível, um telefone via satélite. Não há burocracia ou dificuldade de qualquer espécie e as opções tecnológicas são muitas, só é preciso conhecer cada uma delas para melhor aproveitar. Se durante a viagem precisar enviar algum documento ou assinatura, na primeira parada um serviço de entregas rápidas resolve a questão. Hoje em dia praticamente todos os barcos possuem os recursos necessários e quando não, o proprietário vai adaptando conforme a sua necessidade.
INTERNET
www.regatta.com.br
www.matajusi.com.br
O Descrescimento Sustentável
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Jan/Fev 2008.
Consumir para ter conforto e tranqüilidade. Resta saber até quando. O que estamos fazendo para que o crescimento econômico seja sustentável? O aquecimento global ganha destaque nas mídias porque deixou o campo das previsões e se tornou realidade, secando rios, destruindo geleiras, confundindo as quatro estações. No século XVIII Jean-Jacques Rousseau questionou o descomprometimento humano “Que ganham, se a própria tranqüilidade é uma de suas misérias? Também nas masmorras se vive em sossego, e é isso bastante para que lá nos achemos bem?”.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes.
“Dado que cada um pudesse a si mesmo alienar-se, não pode alienar seus filhos, que nascem homens e livres; sua liberdade lhes pertence, só eles têm direito de dispor dela”. A frase é do filósofo Rousseau que inspirou a Revolução Francesa. E foi na França que surgiu o Décroissance (decrescimento), que questiona o que sobrará para as próximas gerações. As conseqüências das escolhas do homem atual podem excluir o direito de, por exemplo, água potável para o homem de amanhã.
Os adeptos do Décroissance acreditam que se não pararmos hoje, de produzir desesperadamente, o mundo ficará inviável. “Devemos parar de produzir radicalmente. Parar com a indústria e com os avanços tecnológicos. Já temos produtos demais, carros demais. Não precisamos de mais quantidades e sim de mais qualidade”. A afirmativa está publicada no site do jornal La Décroissance do qual Bruno Clémentin é co-fundador. Ele conversou com a L'UOMO BRASIL por e-mail e disse que esta é uma maneira de começar a pensar sobre reduzir o consumo pessoal e coletivo daqueles que sobrecarregam a capacidade do planeta. Ele explica que não se trata de um movimento: “Décroissance se assemelha ao socialismo logo no início, e não há um líder nem mesmo um presidente”.
Ao todo, 18 mil cópias do jornal são vendidas mensalmente em bancas ou por assinatura. O número ainda é pequeno se considerarmos a população francesa, que gira em torno dos 63 milhões de habitantes. A estatística fica ainda menor quando se trata de aplicar a teoria na prática. “Se for preciso abrir mão do próprio carro, é possível contar o número de adeptos nos dedos das suas duas mãos”, ressalta Bruno.
VETOR DE DEBATES
Líderes políticos e grandes empresários como Nicolas Sarkosy, François Fillon e Jean-Louis Borloo, já declararam repetidamente em programas de rádio e TV que são contra o decrescimento. De fato não seria uma missão fácil puxar o freio da economia de um país, enquanto o mundo todo se preocupa em acelerar as atividades.
“Nós não somos mais inteligentes ou esclarecidos do que os outros. La Décroissance não conseguirá mudar o comportamento humano, ou a maneira como as pessoas agem e reagem, apenas com as palavras. A idéia é simples: quando você sobrecarrega a capacidade da Terra, você deve encontrar maneiras para aprender a continuar vivendo ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia”, diz Bruno.
O jornal La Décroissance entende ser um serviço desta causa, mas não pretende ser um depositário exclusivo. Ele é um vetor de debates e mobilizações para convencer os partidários sobre os impasses do “desenvolvimento sustentável”. Eles se intitulam humanistas, democratas e fiéis à ecologia e a questão social.
La Décroissance questiona, inclusive, o consumo de carne e citam o Relatório Unesco para o Fórum Mundial da Água, de 2004, que revelou quanta água limpa é usada em média, apenas para matar a sede de cada animal. Enquanto um boi consome 35 litros de água por dia e uma vaca leiteira 40, um favelado dos países pobres tem acesso a apenas 20 litros por dia, em média. Eles pedem o fim da produção de agrotóxicos e tem como adepto o José Bové, famoso pela campanha antiMcDonalds.
Uma outra maneira que encontraram para propagar este ideal foi em publicações de especialistas em sociologia, antropologia, economia, filosofia, como é o caso do famoso cientista social Paul Airès. Além disso, há conferências mundo a fora, a última foi no “Grenelle do Meio Ambiente” com a presença dos principais opositores de Sarkozy.
Maria Constança Peres Pissarra, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica, fez pós-doutorado na França e nos ajudou a entender este ideal ainda tão desconhecido entre os especialistas brasileiros. Ela explica que esta é a idéia de uma nova utopia, uma nova terra de homens felizes com partilha.
"No renascimento o homem passou a dominar tudo o que precisava fazer – idéia de que a ciência poderia resolver todos os problemas, a auto-suficiência do homem. O conhecimento que dá a certeza de tudo o que ele quer fazer. A idéia do belo e perfeito. O único autor no século XVIII que escreveu os problemas do progresso foi Jean Jacques Rousseau. Enquanto todos comemoravam as 'maravilhas do novo mundo', a arte, ele entendeu que produzir a técnica faria com que apenas alguns a dominassem. A partir do momento em que o homem inventou a propriedade, deixamos de viver em igualdade. Após tanto desenvolvimento a Terra dá sinais de que temos limitações e o Décroissance volta no tempo para rechaçar o que é fundamental ao indivíduo. Este é um pensamento a longo prazo, com medidas imediatas. Eles acreditam ser possível e necessário a reconciliação do 'princípio responsabilidade' com o 'princípio esperança'”.
ECONOMIA DE COMUNHÃO
No Brasil um modelo inovador de economia sustentável surgiu há mais de uma década e já mostra resultados práticos nos cinco continentes. Trata-se da “cultura do dar”. Não é filantropia, mas sim, partilha, na qual cada um dá e recebe pelo seu trabalho com igual dignidade. Quando Chiara Lubich propôs a Economia de Comunhão, ela não tinha em mente uma teoria. Entretanto, esta italiana chamou a atenção de economistas, sociólogos, filósofos e estudiosos que lhe conferiram o grau de doutor honoris causa em Economia.
A Economia de Comunhão surgiu em maio de 1991 em São Paulo, durante um encontro de Chiara com a comunidade local dos Focolares, um movimento cristão, do qual ela é precursora, que surgiu após a segunda guerra mundial, no qual se sugere um novo modo de agir com base na partilha.
A pobreza estava presente entre alguns dos 250 mil membros do Movimento, e o que se partilhava com a comunhão de bens já não era o suficiente para manter a estrutura viva e funcional. Daí surgiu a idéia de aumentar a receita, com o surgimento de empresas confiadas a pessoas competentes, em condições de fazê-las funcionar com eficiência para obter lucros.
No entanto, parte dos lucros seria usada para incrementar a empresa; parte para ajudar pessoas necessitadas, dando-lhes a possibilidade de viver de modo mais digno à espera de um trabalho, ou oferecendo-lhes um emprego nessas empresas; e a última parte, para desenvolver estruturas visando a formação de homens e mulheres que motivassem a vida pela cultura do dar, “porque sem 'homens novos' não se faz uma sociedade nova”, explica Luigino Bruni no seu livro Economia de Comunhão – Uma cultura econômica em várias dimensões.
Das poucas empresas pioneiras que em 1991 aderiram à proposta de Chiara, hoje a Economia de Comunhão é uma realidade que engloba mais de setecentas empresas em todos os continentes. Há um espaço, cada vez maior, para debates sobre como conciliar vida econômica e crescimento humano.
A VALORIZAÇÃO DO HOMEM
No Brasil, 121 empresas com 1.098 funcionários já aderiram ao modelo econômico da Economia de Comunhão. Rodolfo Leibholz, é sócio da Femaq uma delas. E mais do que contas e vendas, obviamente necessárias, na verdade o que interessa à empresa, é o “estar bem” das pessoas ao seu redor (colegas, funcionários, clientes, pessoas necessitadas que às vezes nem conheçam e até mesmo os concorrentes) e algo não menos importante, a salvaguarda da própria motivação humana e espiritual. Em particular, há quem entreveja na categoria de “comunhão“ uma nova chave de leitura das relações sociais, que poderia contribuir para superar a postura individualista que hoje prevalece na ciência econômica.
Fundada em 1966, a Femaq é uma empresa que produz peças fundidas em ferro, aço e alumínio, cuja capacidade de produção chega a 30 toneladas de peso unitário, com um faturamento de 38 milhões de reais por ano. Além de atender clientes como Ford e GM, a companhia exporta para cinco países, entre eles, Estados Unidos e Alemanha.
“Sob o ponto de vista do lucro, da acumulação do capital, estávamos na direção certa. Sob o ponto de vista pessoal, passávamos por uma grande inquietação e até uma insatisfação”. "Em 1991, quando Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, lançou no Brasil o projeto Economia de Comunhão na liberdade, entendemos logo que era justamente aquele o modelo econômico que esperávamos”, conta Rodolfo, que viu o seu faturamento dobrar na última década.
Para se adequar ao projeto, a companhia deve ter resultados financeiros positivos, respeitar o meio ambiente, se integrar com a sociedade, priorizar a comunicação interna e externa, desenvolver um melhoramento contínuo através de pesquisa, ter harmonia e equilíbrio e ser fiel e comprometido com a missão da empresa. Com a Economia de Comunhão, Chiara tocou no ponto chave da cultura econômica, isto é, naquilo que se refere à visão do homem que age na economia, chamando pelos estudiosos como Homo economicus.
Consumir para ter conforto e tranqüilidade. Resta saber até quando. O que estamos fazendo para que o crescimento econômico seja sustentável? O aquecimento global ganha destaque nas mídias porque deixou o campo das previsões e se tornou realidade, secando rios, destruindo geleiras, confundindo as quatro estações. No século XVIII Jean-Jacques Rousseau questionou o descomprometimento humano “Que ganham, se a própria tranqüilidade é uma de suas misérias? Também nas masmorras se vive em sossego, e é isso bastante para que lá nos achemos bem?”.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes.
“Dado que cada um pudesse a si mesmo alienar-se, não pode alienar seus filhos, que nascem homens e livres; sua liberdade lhes pertence, só eles têm direito de dispor dela”. A frase é do filósofo Rousseau que inspirou a Revolução Francesa. E foi na França que surgiu o Décroissance (decrescimento), que questiona o que sobrará para as próximas gerações. As conseqüências das escolhas do homem atual podem excluir o direito de, por exemplo, água potável para o homem de amanhã.
Os adeptos do Décroissance acreditam que se não pararmos hoje, de produzir desesperadamente, o mundo ficará inviável. “Devemos parar de produzir radicalmente. Parar com a indústria e com os avanços tecnológicos. Já temos produtos demais, carros demais. Não precisamos de mais quantidades e sim de mais qualidade”. A afirmativa está publicada no site do jornal La Décroissance do qual Bruno Clémentin é co-fundador. Ele conversou com a L'UOMO BRASIL por e-mail e disse que esta é uma maneira de começar a pensar sobre reduzir o consumo pessoal e coletivo daqueles que sobrecarregam a capacidade do planeta. Ele explica que não se trata de um movimento: “Décroissance se assemelha ao socialismo logo no início, e não há um líder nem mesmo um presidente”.
Ao todo, 18 mil cópias do jornal são vendidas mensalmente em bancas ou por assinatura. O número ainda é pequeno se considerarmos a população francesa, que gira em torno dos 63 milhões de habitantes. A estatística fica ainda menor quando se trata de aplicar a teoria na prática. “Se for preciso abrir mão do próprio carro, é possível contar o número de adeptos nos dedos das suas duas mãos”, ressalta Bruno.
VETOR DE DEBATES
Líderes políticos e grandes empresários como Nicolas Sarkosy, François Fillon e Jean-Louis Borloo, já declararam repetidamente em programas de rádio e TV que são contra o decrescimento. De fato não seria uma missão fácil puxar o freio da economia de um país, enquanto o mundo todo se preocupa em acelerar as atividades.
“Nós não somos mais inteligentes ou esclarecidos do que os outros. La Décroissance não conseguirá mudar o comportamento humano, ou a maneira como as pessoas agem e reagem, apenas com as palavras. A idéia é simples: quando você sobrecarrega a capacidade da Terra, você deve encontrar maneiras para aprender a continuar vivendo ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia”, diz Bruno.
O jornal La Décroissance entende ser um serviço desta causa, mas não pretende ser um depositário exclusivo. Ele é um vetor de debates e mobilizações para convencer os partidários sobre os impasses do “desenvolvimento sustentável”. Eles se intitulam humanistas, democratas e fiéis à ecologia e a questão social.
La Décroissance questiona, inclusive, o consumo de carne e citam o Relatório Unesco para o Fórum Mundial da Água, de 2004, que revelou quanta água limpa é usada em média, apenas para matar a sede de cada animal. Enquanto um boi consome 35 litros de água por dia e uma vaca leiteira 40, um favelado dos países pobres tem acesso a apenas 20 litros por dia, em média. Eles pedem o fim da produção de agrotóxicos e tem como adepto o José Bové, famoso pela campanha antiMcDonalds.
Uma outra maneira que encontraram para propagar este ideal foi em publicações de especialistas em sociologia, antropologia, economia, filosofia, como é o caso do famoso cientista social Paul Airès. Além disso, há conferências mundo a fora, a última foi no “Grenelle do Meio Ambiente” com a presença dos principais opositores de Sarkozy.
Maria Constança Peres Pissarra, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica, fez pós-doutorado na França e nos ajudou a entender este ideal ainda tão desconhecido entre os especialistas brasileiros. Ela explica que esta é a idéia de uma nova utopia, uma nova terra de homens felizes com partilha.
"No renascimento o homem passou a dominar tudo o que precisava fazer – idéia de que a ciência poderia resolver todos os problemas, a auto-suficiência do homem. O conhecimento que dá a certeza de tudo o que ele quer fazer. A idéia do belo e perfeito. O único autor no século XVIII que escreveu os problemas do progresso foi Jean Jacques Rousseau. Enquanto todos comemoravam as 'maravilhas do novo mundo', a arte, ele entendeu que produzir a técnica faria com que apenas alguns a dominassem. A partir do momento em que o homem inventou a propriedade, deixamos de viver em igualdade. Após tanto desenvolvimento a Terra dá sinais de que temos limitações e o Décroissance volta no tempo para rechaçar o que é fundamental ao indivíduo. Este é um pensamento a longo prazo, com medidas imediatas. Eles acreditam ser possível e necessário a reconciliação do 'princípio responsabilidade' com o 'princípio esperança'”.
ECONOMIA DE COMUNHÃO
No Brasil um modelo inovador de economia sustentável surgiu há mais de uma década e já mostra resultados práticos nos cinco continentes. Trata-se da “cultura do dar”. Não é filantropia, mas sim, partilha, na qual cada um dá e recebe pelo seu trabalho com igual dignidade. Quando Chiara Lubich propôs a Economia de Comunhão, ela não tinha em mente uma teoria. Entretanto, esta italiana chamou a atenção de economistas, sociólogos, filósofos e estudiosos que lhe conferiram o grau de doutor honoris causa em Economia.
A Economia de Comunhão surgiu em maio de 1991 em São Paulo, durante um encontro de Chiara com a comunidade local dos Focolares, um movimento cristão, do qual ela é precursora, que surgiu após a segunda guerra mundial, no qual se sugere um novo modo de agir com base na partilha.
A pobreza estava presente entre alguns dos 250 mil membros do Movimento, e o que se partilhava com a comunhão de bens já não era o suficiente para manter a estrutura viva e funcional. Daí surgiu a idéia de aumentar a receita, com o surgimento de empresas confiadas a pessoas competentes, em condições de fazê-las funcionar com eficiência para obter lucros.
No entanto, parte dos lucros seria usada para incrementar a empresa; parte para ajudar pessoas necessitadas, dando-lhes a possibilidade de viver de modo mais digno à espera de um trabalho, ou oferecendo-lhes um emprego nessas empresas; e a última parte, para desenvolver estruturas visando a formação de homens e mulheres que motivassem a vida pela cultura do dar, “porque sem 'homens novos' não se faz uma sociedade nova”, explica Luigino Bruni no seu livro Economia de Comunhão – Uma cultura econômica em várias dimensões.
Das poucas empresas pioneiras que em 1991 aderiram à proposta de Chiara, hoje a Economia de Comunhão é uma realidade que engloba mais de setecentas empresas em todos os continentes. Há um espaço, cada vez maior, para debates sobre como conciliar vida econômica e crescimento humano.
A VALORIZAÇÃO DO HOMEM
No Brasil, 121 empresas com 1.098 funcionários já aderiram ao modelo econômico da Economia de Comunhão. Rodolfo Leibholz, é sócio da Femaq uma delas. E mais do que contas e vendas, obviamente necessárias, na verdade o que interessa à empresa, é o “estar bem” das pessoas ao seu redor (colegas, funcionários, clientes, pessoas necessitadas que às vezes nem conheçam e até mesmo os concorrentes) e algo não menos importante, a salvaguarda da própria motivação humana e espiritual. Em particular, há quem entreveja na categoria de “comunhão“ uma nova chave de leitura das relações sociais, que poderia contribuir para superar a postura individualista que hoje prevalece na ciência econômica.
Fundada em 1966, a Femaq é uma empresa que produz peças fundidas em ferro, aço e alumínio, cuja capacidade de produção chega a 30 toneladas de peso unitário, com um faturamento de 38 milhões de reais por ano. Além de atender clientes como Ford e GM, a companhia exporta para cinco países, entre eles, Estados Unidos e Alemanha.
“Sob o ponto de vista do lucro, da acumulação do capital, estávamos na direção certa. Sob o ponto de vista pessoal, passávamos por uma grande inquietação e até uma insatisfação”. "Em 1991, quando Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, lançou no Brasil o projeto Economia de Comunhão na liberdade, entendemos logo que era justamente aquele o modelo econômico que esperávamos”, conta Rodolfo, que viu o seu faturamento dobrar na última década.
Para se adequar ao projeto, a companhia deve ter resultados financeiros positivos, respeitar o meio ambiente, se integrar com a sociedade, priorizar a comunicação interna e externa, desenvolver um melhoramento contínuo através de pesquisa, ter harmonia e equilíbrio e ser fiel e comprometido com a missão da empresa. Com a Economia de Comunhão, Chiara tocou no ponto chave da cultura econômica, isto é, naquilo que se refere à visão do homem que age na economia, chamando pelos estudiosos como Homo economicus.
7 de fev. de 2008
Anne Sophie Pic, a mulher estrelada.
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Jan/Fev 2008.
Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, cerca de 90 pessoas por dia, investiram 350 reais para degustar do menu de seis tempos preparado pela Chef Anne Sophie Pic. O jantar aconteceu no restaurante francês Eau, localizado no Grand Hyatt São Paulo. Foi lá que a Chef autodidata, de 38 anos, falou com a exclusividade à L’uomo Brasil.
Por Viviane Lopes e Bianca Moretto
Com colaboração e tradução de Marie Oceane Borba
Em sua primeira passagem pelo Brasil, Anne se diz surpresa com o tamanho e as infinitas construções da cidade de São Paulo, “aqui você sente que chegou em um país latino, com seus lados bons e ruins.“
Ela ouviu de outros chefs franceses que “o Brasil é incrível porque tem uns produtos lindos“ e disse que antes de retornar ao seu país pretendia jantar com o reconhecido chef Alex Atala, com quem se encontrou na Espanha.
“Eu quero conhecer a comida dele. Alex cozinha somente com produtos brasileiros e isso é fabuloso! Eu gostaria também de conhecer as especiarias da Amazônia, as frutas brasileiras e degustas a comida temperada e picante do Nordente".
Apesar do encantamento com a nossa cultura, para o jantar oferecido no Hyatt, Anne quis reproduzir a sua cozinha. Para não correr riscos ela trouxe belas trufas, aproveitando que a temporada por lá acabou de começar. O cardápio começou com uma crême brulée de foie gras com maçã verde, depois vieiras com trufas e rum. Em seguida um barbo (peixe) caramelizado. O prato seguinte foi uma poularde, uma ave levemente perfumada ao iodo, com bulots (uma concha marinha comestível) e batatas. Para as sobremesas, duas opções: uma preparada com o chocolate do Val du Rhône, trazido da França e a outra feita de maçã e champanhe.
Natural da região francesa de Rhône-Alpes, Anne Sophie é filha e neta de chefs que em algum momento também receberam a classificação máxima do Michelin. Somente este ano, ela recebeu dois dos principais reconhecimentos que um chef pode almejar: três estrelas no Guia Michelin – a classificação máxima da “bíblia” da gastronomia – e o título de Chef do Ano 2007 na França, concedido por um conclave formado pelos principais chefs em atuação no país que é destino gastronômico número 1 do mundo.
CAMINHOS
Para conquistar este lugar, a caminhada foi longa e cheia de desafios. Anne intitula-se uma autodidata.
“Tenho um olhar muito humilde quanto ao meu começo de carreira porque, apesar do histórico familiar eu não sabia cozinhar e tudo foi complicado. Meu universo era somente o restaurante da minha família e precisei ir para muito longe para perceber o quanto eu sentia falta daquele que já era meu caminho. Não acredito em acaso na vida; acho que as coisas, se tiverem que acontecer, acontecem”.
Atualmente, Anne conta com a ajuda do marido que trabalha com ela. Esta foi a maneira que encontrou para dividir as funções entre a Maison PIC, o bistrô Le 7 e o hotel.
“Eu me organizei de tal maneira que hoje tenho uma equipe bastante homogênea. O que importa para mim não é estar presente no processo de A a Z, porque as pessoas fazem tão bem, ou melhor do que eu. O que realmente me importa é a criação dos pratos, e neste momento sempre estou com a minha equipe."
O restaurante, o bistrô e o hotel ficam na beira desta mítica, estrada que até 40 anos atrás era o único caminho de Paris para a Côte d'Azur.
“Queríamos ter esta ligação com o passado, mas estamos sempre com o pé no futuro. Agora temos um projeto que é muito importante para nós: a abertura da escola de cozinha, que vai se chamar Scook. Ela ficará a 100 metros do restaurante e terá um lugar de degustação e de arte floral. Eu vou dar aulas e a equipe será formada apenas por mulheres. Acho isso muito bom, já que o meio da culinária é muito masculino."
Apesar da predominância masculina, Anne Sophie acredita que na cozinha deve haver uma complementaridade entre homens e mulheres. Nos seus empreendimentos não há rivalidade. As mulheres são tão bem pagas quanto os homens.
“Se uma mulher for tão competente quanto um homem, ela subirá da mesma maneira e os outros aceitam isso. Eu tenho orgulho disso porque quando cheguei a este trabalho, não era exatamente assim”.
Anne era a filha do chef, não sabia cozinhar e é autodidata, motivos que geravam um ambiente hostil a sua volta, mas com a chegada dos prêmios ela adquiriu serenidade.
“Durante muito tempo me culpei por ser uma mulher neste meio. Graças a estas recompensas, tudo mudou. Eu posso focar hoje no que mais gosto e não tenho mais este sentimento. Quando o senhor Jean-Luc Naret, diretor geral do Guia Michelin, anunciou o Palmares deste ano, ele disse que esperava que a minha vitória suscitasse vocações. E eu também espero, pois sou a prova viva de que isso pode acontecer! Na França, não há muitos autodidatas, ainda é um meio cheio de regras. Não é especialmente negativo, mas o que tem de positivo na cena gastronômica francesa é uma grande diversidade, isso é que faz a sua riqueza. Quase toda a minha geração foi recompensada. Fomos todos recompensados ao mesmo tempo: Yannick Alleno, Pascal Barbot, Frederic Anton... e tem toda uma geração que está chegando. Eu acho a gastronomia francesa muito viva e audaciosa também. Hoje em dia há mais jovens abrindo seu próprio negócio do que em outras épocas”.
Anne Sophie evita definir a sua cozinha com o termo terroir: “Quando se vive numa região, gostamos de nossos produtos, mas meu pai trabalhava muito com crustáceos e peixes que não são especificamente da nossa região. Tento me afastar um pouco do termo terroir, mas a base da cozinha possui os mesmos os valores da cozinha do passado. Acho importante permanecer assim. As associações de sabores podem ser originais, mas tem toda uma parte clássica da cozinha que tem de continuar”.
Para o jantar do Hyatt a harmonização de vinhos da região Cotes du Rhône era feita pelo sommelier Denis Bertrand. Um detalhe que Anne considera muito importante.
“Hoje em dia gostaria de melhorar esta cultura em mim. Trabalho com excelentes sommeliers, que, muitas vezes provam os pratos que preparo. Recentemente, tive a oportunidade de fazer uma degustação com uma das minhas melhores amigas, Christine Vernay, que é do vinhedo do Condrieu. A gente provou um Condrieu com um fígado que eu tinha feito com pêssego.
Em outra vez, saboreamos uma moleja de vitela com cenoura e lavanda, junto com um Côte Rôtie foi uma bela associação, na qual o prato revelava o vinho e o vinho revelava o prato".
A chef disse ainda que tem interesse no trabalho de texturas e que no Japão – local onde esteve recentemente – descobriu o kuzu, um agente de ligação pouco conhecido na França.
"Eu sei muito bem que existem produtos que não vou poder importar para a França, porque são bons no país de origem, mas não mantém a qualidade quando chegam a outros lugares. Fora isso, descobri o mundo dos sushis... Temos de abrir um restaurante no Japão. É um sonho, mas a gente pode sonhar, não é?" – finalizou ela.
Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, cerca de 90 pessoas por dia, investiram 350 reais para degustar do menu de seis tempos preparado pela Chef Anne Sophie Pic. O jantar aconteceu no restaurante francês Eau, localizado no Grand Hyatt São Paulo. Foi lá que a Chef autodidata, de 38 anos, falou com a exclusividade à L’uomo Brasil.
Por Viviane Lopes e Bianca Moretto
Com colaboração e tradução de Marie Oceane Borba
Em sua primeira passagem pelo Brasil, Anne se diz surpresa com o tamanho e as infinitas construções da cidade de São Paulo, “aqui você sente que chegou em um país latino, com seus lados bons e ruins.“
Ela ouviu de outros chefs franceses que “o Brasil é incrível porque tem uns produtos lindos“ e disse que antes de retornar ao seu país pretendia jantar com o reconhecido chef Alex Atala, com quem se encontrou na Espanha.
“Eu quero conhecer a comida dele. Alex cozinha somente com produtos brasileiros e isso é fabuloso! Eu gostaria também de conhecer as especiarias da Amazônia, as frutas brasileiras e degustas a comida temperada e picante do Nordente".
Apesar do encantamento com a nossa cultura, para o jantar oferecido no Hyatt, Anne quis reproduzir a sua cozinha. Para não correr riscos ela trouxe belas trufas, aproveitando que a temporada por lá acabou de começar. O cardápio começou com uma crême brulée de foie gras com maçã verde, depois vieiras com trufas e rum. Em seguida um barbo (peixe) caramelizado. O prato seguinte foi uma poularde, uma ave levemente perfumada ao iodo, com bulots (uma concha marinha comestível) e batatas. Para as sobremesas, duas opções: uma preparada com o chocolate do Val du Rhône, trazido da França e a outra feita de maçã e champanhe.
Natural da região francesa de Rhône-Alpes, Anne Sophie é filha e neta de chefs que em algum momento também receberam a classificação máxima do Michelin. Somente este ano, ela recebeu dois dos principais reconhecimentos que um chef pode almejar: três estrelas no Guia Michelin – a classificação máxima da “bíblia” da gastronomia – e o título de Chef do Ano 2007 na França, concedido por um conclave formado pelos principais chefs em atuação no país que é destino gastronômico número 1 do mundo.
CAMINHOS
Para conquistar este lugar, a caminhada foi longa e cheia de desafios. Anne intitula-se uma autodidata.
“Tenho um olhar muito humilde quanto ao meu começo de carreira porque, apesar do histórico familiar eu não sabia cozinhar e tudo foi complicado. Meu universo era somente o restaurante da minha família e precisei ir para muito longe para perceber o quanto eu sentia falta daquele que já era meu caminho. Não acredito em acaso na vida; acho que as coisas, se tiverem que acontecer, acontecem”.
Atualmente, Anne conta com a ajuda do marido que trabalha com ela. Esta foi a maneira que encontrou para dividir as funções entre a Maison PIC, o bistrô Le 7 e o hotel.
“Eu me organizei de tal maneira que hoje tenho uma equipe bastante homogênea. O que importa para mim não é estar presente no processo de A a Z, porque as pessoas fazem tão bem, ou melhor do que eu. O que realmente me importa é a criação dos pratos, e neste momento sempre estou com a minha equipe."
O restaurante, o bistrô e o hotel ficam na beira desta mítica, estrada que até 40 anos atrás era o único caminho de Paris para a Côte d'Azur.
“Queríamos ter esta ligação com o passado, mas estamos sempre com o pé no futuro. Agora temos um projeto que é muito importante para nós: a abertura da escola de cozinha, que vai se chamar Scook. Ela ficará a 100 metros do restaurante e terá um lugar de degustação e de arte floral. Eu vou dar aulas e a equipe será formada apenas por mulheres. Acho isso muito bom, já que o meio da culinária é muito masculino."
Apesar da predominância masculina, Anne Sophie acredita que na cozinha deve haver uma complementaridade entre homens e mulheres. Nos seus empreendimentos não há rivalidade. As mulheres são tão bem pagas quanto os homens.
“Se uma mulher for tão competente quanto um homem, ela subirá da mesma maneira e os outros aceitam isso. Eu tenho orgulho disso porque quando cheguei a este trabalho, não era exatamente assim”.
Anne era a filha do chef, não sabia cozinhar e é autodidata, motivos que geravam um ambiente hostil a sua volta, mas com a chegada dos prêmios ela adquiriu serenidade.
“Durante muito tempo me culpei por ser uma mulher neste meio. Graças a estas recompensas, tudo mudou. Eu posso focar hoje no que mais gosto e não tenho mais este sentimento. Quando o senhor Jean-Luc Naret, diretor geral do Guia Michelin, anunciou o Palmares deste ano, ele disse que esperava que a minha vitória suscitasse vocações. E eu também espero, pois sou a prova viva de que isso pode acontecer! Na França, não há muitos autodidatas, ainda é um meio cheio de regras. Não é especialmente negativo, mas o que tem de positivo na cena gastronômica francesa é uma grande diversidade, isso é que faz a sua riqueza. Quase toda a minha geração foi recompensada. Fomos todos recompensados ao mesmo tempo: Yannick Alleno, Pascal Barbot, Frederic Anton... e tem toda uma geração que está chegando. Eu acho a gastronomia francesa muito viva e audaciosa também. Hoje em dia há mais jovens abrindo seu próprio negócio do que em outras épocas”.
Anne Sophie evita definir a sua cozinha com o termo terroir: “Quando se vive numa região, gostamos de nossos produtos, mas meu pai trabalhava muito com crustáceos e peixes que não são especificamente da nossa região. Tento me afastar um pouco do termo terroir, mas a base da cozinha possui os mesmos os valores da cozinha do passado. Acho importante permanecer assim. As associações de sabores podem ser originais, mas tem toda uma parte clássica da cozinha que tem de continuar”.
Para o jantar do Hyatt a harmonização de vinhos da região Cotes du Rhône era feita pelo sommelier Denis Bertrand. Um detalhe que Anne considera muito importante.
“Hoje em dia gostaria de melhorar esta cultura em mim. Trabalho com excelentes sommeliers, que, muitas vezes provam os pratos que preparo. Recentemente, tive a oportunidade de fazer uma degustação com uma das minhas melhores amigas, Christine Vernay, que é do vinhedo do Condrieu. A gente provou um Condrieu com um fígado que eu tinha feito com pêssego.
Em outra vez, saboreamos uma moleja de vitela com cenoura e lavanda, junto com um Côte Rôtie foi uma bela associação, na qual o prato revelava o vinho e o vinho revelava o prato".
A chef disse ainda que tem interesse no trabalho de texturas e que no Japão – local onde esteve recentemente – descobriu o kuzu, um agente de ligação pouco conhecido na França.
"Eu sei muito bem que existem produtos que não vou poder importar para a França, porque são bons no país de origem, mas não mantém a qualidade quando chegam a outros lugares. Fora isso, descobri o mundo dos sushis... Temos de abrir um restaurante no Japão. É um sonho, mas a gente pode sonhar, não é?" – finalizou ela.
28 de nov. de 2007
Enriquecendo o espírito
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Nov/Dez 2007.
Tempo para refletir, rezar, contemplar a natureza, dedicar-se a si mesmo e à família. Tem muita gente que nem lembra mais a última vez que fez isso, mas parar e buscar forças pode ser mais importante do que se imagina. Conheça uma nova forma de descansar o corpo e a mente, e mais do que isso, de reabastecer as energias.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
A doutora em Psicologia Social pela PUC, Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e do trabalho “costuma dizer que o mercado de trabalho está dividido entre desempregados e sobrecarregados”. O profissional tem uma carga maior do que pode suportar, as exigências e a pressão por resultados não deixam espaço para a vida pessoal. Não existe mais separação nítida entre trabalho e descanso, o celular e o laptop propiciam um trabalho de 24 horas e a exaustão física e mental é cada vez mais frequente. Muitos se habituam à rotina e às vezes ficam estressados quando saem de férias ou têm um tempo livre, mas é necessário parar. Uma aliada nessa etapa pode ser a religião.
A crença religiosa sempre fez parte do ser humano e continua sendo um elemento essencial na vida do homem. O mais difícil talvez seja a decisão de buscar, porém, ao achar o lugar certo fica mais fácil perceber o que estava faltando.
Mulher meditando no Centro Urbano do Odsal Ling.
FÉRIAS ESPIRITUAIS
No Brasil e no mundo são diversos centros religiosos que promovem verdadeiras férias espirituais, os chamadores retiros. Há menos de uma hora de São Paulo podemos diz que há uma concentração de espiritualidade budista. Em Cotia há o famoso Templo Zu Lai que tem suas raízes no budismo Mahayana, o Jardim do Dharma ligado à Sociedade Brasileira de Taoísmo, e o Centro de Retiros Odsal Ling, que seguem o budismo Tibetano outra ramificação do budismo. O Odsal Ling faz parte da rede internacional de centros originários do Chagdud Gonpa no Tibete. O Chagdud Gonpa Brasil foi estabelecido em 1994 pelo mestre de meditação Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002) e nos centros espalhados pelo país é possível ter ensinamentos e práticas de meditação da Nyingma e do budismo tibetano Vajrajana.
Os verdadeiros retiros budistas exigem um bom preparo e duram muito tempo, até três anos e devem ser orientados por um mestre. Mas existem também as cerimônias, que podem durar 1 fim de semana, 7 dias ou um pouco mais, e muitas vezes são chamados de retiros por acontecer em lugares isolados e ser um período de afastamento.
Cada pessoa pode se retirar por um período específico e geralmente deve ser orientado pelo seu mestre. Durante o retiro há meditação, ensinamentos e orações, no centro de retiro há salas específicas para as praticas e acomodações e o retirante não sai para nada, mesmo as refeições são feitas no local. Em alguns retiros há observações alimentares, mas esse não é o caso dos retiros Chagdud Gonpa. O ideal é a pessoa ter alguma iniciação no budismo antes de participar.
Em cerimônias grandes, que reúnem dezenas de pessoas pode acontecer de uma ou outra pessoa não ser tão iniciada. A aluna e tradutora da Lama Tsering no Brasil, Cândida Bastos, ensina que o “objetivo do budismo é modificar sua própria mente, e isso não é um caminho fácil”, por isso “é importante um mestre que ajude a trilhar esse caminho”.
Quando o tempo for curto, no centro de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, há o Centro Urbano Odsal Ling onde ocorrem ensinamentos regulares, meditação e práticas matinais diárias.
O templo matriz é o Chagdud Gonpa Khadro Ling onde também ocorrem retiros e cerimônias. Kha significa céu, Dro significa mover-se, ir, dançar e Ling significa local sagrado. Esse lindo local sagrado fica em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, e é aberto a visitas gratuitas. Os retiros variam muito de valor de acordo a duração, mas o dia com hospedagem e alimentação sai em média por R$ 130,00.
Igreja da Obra dos Santos Anjos em Guaratinguetá.
É em Guaratinguetá que também fica a Obra dos Santos Anjos, lugar que a equipe da L'UOMO BRASIL visitou e participou do retiro de silêncio.
Agora quem estiver em busca de espiritualidade católica, vai encontrar a menos de 200 quilômetros da capital. O lugar fica em Guaratinguetá, cidade localizada em meio aos dois maiores centros de peregrinação católica do Brasil. De um lado, a cidade de Aparecida do Norte e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida que recebe mais de 100 mil visitantes apenas no dia 12 de outubro, dia da padroeira. Do outro, Cachoeira Paulista, cidade que abriga a Fundação João Paulo II, onde durante todo o ano são promovidos milhares de retiros, encontros, programas de rádio e TV, publicações de livros e revistas etc.
Guaratinguetá somente neste ano foi palco da visita do Papa Bento XVI, que visitou a Fazenda da Esperança, centro de recuperação de jovens dependentes químicos, e viu um o seu ilustre beato Frei Galvão ser elevado a categoria de primeiro santo brasileiro, o Santo Antonio de Sant´anna Galvão.
A Obra dos Santos Anjos começou na Áustria, na cidade de Innsbruck, nos anos 50, com o intuito de amar os santos anjos que não eram tão venerados pela igreja. De acordo com o Padre Tarcísio Seeanner “existem milhões de santos anjos, mas oficialmente chamados pelo nome são três: Gabriel, Rafael e Miguel” sendo que “cada batizado tem o seu anjo da guarda particular”.
O retiro espiritual oferecido pela obra é chamado de retiro de silêncio, porque é assim que o retirante permanecerá durante 3 dias. Os participantes chegam na quinta-feira a noite e saem no domingo a tarde. Quem for participar não precisa se preocupar com as refeições nem onde, pois as refeições são feitas no próprio local e a pessoa precisa apenas levar roupa de cama e objetos de higiene pessoal.
O encontro é dividido em três etapas: purificação, iluminação e união com Deus, sendo que cada uma é aprofundada num dia. O grupo acorda às 6:30h para a oração da manhã, depois vem a missa e tempo para diálogos pessoais com o sacerdote, além dos momentos de aprofundar os conhecimentos com palestras e meditação. Durante a madrugada há vigílias e quem quiser pode participar escolhendo algum horário.
Em outros lugares do mundo e do Brasil, como Goiás, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e do Sul, Minas Gerais e Pernambuco, onde a Obra atua, o encontro é praticado nos mesmos moldes e mesmo quem não é um católico muito assíduo pode tirar proveito da experiência que segundo padre Tarcísio “pode dar novo rumo à vida da pessoa”. O retiro de 3 dias custa em média R$ 120,00, mas caso o tempo esteja escasso, há a opção do dia de recolhimento, geralmente realizado num domingo, que sintetiza os passos do retiro mais longo num período menor.
A diretora da agência L'equipe, Lica Kohlrausch é alguém que valoriza esse lado espiritual desde pequena. Aprendeu com a mãe que "cabeça, corpo e espírito devem estar sempre em equílibrio" e busca isso através com meditação, yoga, oração, visitas a igrejas vazias e outros hábitos para enriquecer o espírito. Esses momentos que cultiva são importantes porque acredita "ser fundamental perceber que beleza e físico logo vão embora, mas existe algo que permanece".
REENCONTRO COM O DIVINO
Uma viagem também pode cumprir esse papel de reencontro com o divino. Algumas agências tem roteiros místicos como Tibete e China, Índia ou a uma peregrinação pela Terra Santa. A operadora Princess Travel no seu roteiro Tibete e China por exemplo, visita mosteiros, templos e a residência oficial do Dalai Lama; na Índia, em qualquer lugar o viajante pode sentir de perto a fé tão presente e diversa de hindus, muçulmanos, jainistas, sikhis, cristãos.
Na Terra Santa o peregrino pode seguir os passos de Moisés e Jesus visitando lugares sagrados como o Monte Sinai e a gruta da Natividade, sempre acompanhado de missionários da Comunidade Canção Nova. Se não houver tempo pra um destino tão longo, em São Paulo a Andanças Turismo fecha grupos de passeio para templos, igrejas, sinagogas e mesquistas, e os roteiros podem ser escolhidos pelo grupo.
A psicóloga Vera Rita ressalta que antes de mais nada é importante “a pessoa estar preparada para esse momento de pausa, caso contrário esses dias podem ser um verdadeiro suplício” e diz que “pequenos momentos para si mesmo também ajudam”, como ler um livro, ficar com os filhos, fazer algo que se goste. Afinal, às vezes para se encontrar com o divino basta olhar para dentro de si mesmo.
SERVIÇO
www.opusangelorum.org
www.cancaonova.com
www.budismotibetano.com.br
www.jardimdharma.org.br
www.chagdud.org
www.princesstravel.com.br
www.andancastur.com.br
Tempo para refletir, rezar, contemplar a natureza, dedicar-se a si mesmo e à família. Tem muita gente que nem lembra mais a última vez que fez isso, mas parar e buscar forças pode ser mais importante do que se imagina. Conheça uma nova forma de descansar o corpo e a mente, e mais do que isso, de reabastecer as energias.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
A doutora em Psicologia Social pela PUC, Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e do trabalho “costuma dizer que o mercado de trabalho está dividido entre desempregados e sobrecarregados”. O profissional tem uma carga maior do que pode suportar, as exigências e a pressão por resultados não deixam espaço para a vida pessoal. Não existe mais separação nítida entre trabalho e descanso, o celular e o laptop propiciam um trabalho de 24 horas e a exaustão física e mental é cada vez mais frequente. Muitos se habituam à rotina e às vezes ficam estressados quando saem de férias ou têm um tempo livre, mas é necessário parar. Uma aliada nessa etapa pode ser a religião.
A crença religiosa sempre fez parte do ser humano e continua sendo um elemento essencial na vida do homem. O mais difícil talvez seja a decisão de buscar, porém, ao achar o lugar certo fica mais fácil perceber o que estava faltando.
Mulher meditando no Centro Urbano do Odsal Ling.FÉRIAS ESPIRITUAIS
No Brasil e no mundo são diversos centros religiosos que promovem verdadeiras férias espirituais, os chamadores retiros. Há menos de uma hora de São Paulo podemos diz que há uma concentração de espiritualidade budista. Em Cotia há o famoso Templo Zu Lai que tem suas raízes no budismo Mahayana, o Jardim do Dharma ligado à Sociedade Brasileira de Taoísmo, e o Centro de Retiros Odsal Ling, que seguem o budismo Tibetano outra ramificação do budismo. O Odsal Ling faz parte da rede internacional de centros originários do Chagdud Gonpa no Tibete. O Chagdud Gonpa Brasil foi estabelecido em 1994 pelo mestre de meditação Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002) e nos centros espalhados pelo país é possível ter ensinamentos e práticas de meditação da Nyingma e do budismo tibetano Vajrajana.
Os verdadeiros retiros budistas exigem um bom preparo e duram muito tempo, até três anos e devem ser orientados por um mestre. Mas existem também as cerimônias, que podem durar 1 fim de semana, 7 dias ou um pouco mais, e muitas vezes são chamados de retiros por acontecer em lugares isolados e ser um período de afastamento.
Cada pessoa pode se retirar por um período específico e geralmente deve ser orientado pelo seu mestre. Durante o retiro há meditação, ensinamentos e orações, no centro de retiro há salas específicas para as praticas e acomodações e o retirante não sai para nada, mesmo as refeições são feitas no local. Em alguns retiros há observações alimentares, mas esse não é o caso dos retiros Chagdud Gonpa. O ideal é a pessoa ter alguma iniciação no budismo antes de participar.
Em cerimônias grandes, que reúnem dezenas de pessoas pode acontecer de uma ou outra pessoa não ser tão iniciada. A aluna e tradutora da Lama Tsering no Brasil, Cândida Bastos, ensina que o “objetivo do budismo é modificar sua própria mente, e isso não é um caminho fácil”, por isso “é importante um mestre que ajude a trilhar esse caminho”.
Quando o tempo for curto, no centro de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, há o Centro Urbano Odsal Ling onde ocorrem ensinamentos regulares, meditação e práticas matinais diárias.
O templo matriz é o Chagdud Gonpa Khadro Ling onde também ocorrem retiros e cerimônias. Kha significa céu, Dro significa mover-se, ir, dançar e Ling significa local sagrado. Esse lindo local sagrado fica em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, e é aberto a visitas gratuitas. Os retiros variam muito de valor de acordo a duração, mas o dia com hospedagem e alimentação sai em média por R$ 130,00.
Igreja da Obra dos Santos Anjos em Guaratinguetá.É em Guaratinguetá que também fica a Obra dos Santos Anjos, lugar que a equipe da L'UOMO BRASIL visitou e participou do retiro de silêncio.
Agora quem estiver em busca de espiritualidade católica, vai encontrar a menos de 200 quilômetros da capital. O lugar fica em Guaratinguetá, cidade localizada em meio aos dois maiores centros de peregrinação católica do Brasil. De um lado, a cidade de Aparecida do Norte e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida que recebe mais de 100 mil visitantes apenas no dia 12 de outubro, dia da padroeira. Do outro, Cachoeira Paulista, cidade que abriga a Fundação João Paulo II, onde durante todo o ano são promovidos milhares de retiros, encontros, programas de rádio e TV, publicações de livros e revistas etc.
Guaratinguetá somente neste ano foi palco da visita do Papa Bento XVI, que visitou a Fazenda da Esperança, centro de recuperação de jovens dependentes químicos, e viu um o seu ilustre beato Frei Galvão ser elevado a categoria de primeiro santo brasileiro, o Santo Antonio de Sant´anna Galvão.
A Obra dos Santos Anjos começou na Áustria, na cidade de Innsbruck, nos anos 50, com o intuito de amar os santos anjos que não eram tão venerados pela igreja. De acordo com o Padre Tarcísio Seeanner “existem milhões de santos anjos, mas oficialmente chamados pelo nome são três: Gabriel, Rafael e Miguel” sendo que “cada batizado tem o seu anjo da guarda particular”.
O retiro espiritual oferecido pela obra é chamado de retiro de silêncio, porque é assim que o retirante permanecerá durante 3 dias. Os participantes chegam na quinta-feira a noite e saem no domingo a tarde. Quem for participar não precisa se preocupar com as refeições nem onde, pois as refeições são feitas no próprio local e a pessoa precisa apenas levar roupa de cama e objetos de higiene pessoal.
O encontro é dividido em três etapas: purificação, iluminação e união com Deus, sendo que cada uma é aprofundada num dia. O grupo acorda às 6:30h para a oração da manhã, depois vem a missa e tempo para diálogos pessoais com o sacerdote, além dos momentos de aprofundar os conhecimentos com palestras e meditação. Durante a madrugada há vigílias e quem quiser pode participar escolhendo algum horário.
Em outros lugares do mundo e do Brasil, como Goiás, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e do Sul, Minas Gerais e Pernambuco, onde a Obra atua, o encontro é praticado nos mesmos moldes e mesmo quem não é um católico muito assíduo pode tirar proveito da experiência que segundo padre Tarcísio “pode dar novo rumo à vida da pessoa”. O retiro de 3 dias custa em média R$ 120,00, mas caso o tempo esteja escasso, há a opção do dia de recolhimento, geralmente realizado num domingo, que sintetiza os passos do retiro mais longo num período menor.
A diretora da agência L'equipe, Lica Kohlrausch é alguém que valoriza esse lado espiritual desde pequena. Aprendeu com a mãe que "cabeça, corpo e espírito devem estar sempre em equílibrio" e busca isso através com meditação, yoga, oração, visitas a igrejas vazias e outros hábitos para enriquecer o espírito. Esses momentos que cultiva são importantes porque acredita "ser fundamental perceber que beleza e físico logo vão embora, mas existe algo que permanece".
REENCONTRO COM O DIVINO
Uma viagem também pode cumprir esse papel de reencontro com o divino. Algumas agências tem roteiros místicos como Tibete e China, Índia ou a uma peregrinação pela Terra Santa. A operadora Princess Travel no seu roteiro Tibete e China por exemplo, visita mosteiros, templos e a residência oficial do Dalai Lama; na Índia, em qualquer lugar o viajante pode sentir de perto a fé tão presente e diversa de hindus, muçulmanos, jainistas, sikhis, cristãos.
Na Terra Santa o peregrino pode seguir os passos de Moisés e Jesus visitando lugares sagrados como o Monte Sinai e a gruta da Natividade, sempre acompanhado de missionários da Comunidade Canção Nova. Se não houver tempo pra um destino tão longo, em São Paulo a Andanças Turismo fecha grupos de passeio para templos, igrejas, sinagogas e mesquistas, e os roteiros podem ser escolhidos pelo grupo.
A psicóloga Vera Rita ressalta que antes de mais nada é importante “a pessoa estar preparada para esse momento de pausa, caso contrário esses dias podem ser um verdadeiro suplício” e diz que “pequenos momentos para si mesmo também ajudam”, como ler um livro, ficar com os filhos, fazer algo que se goste. Afinal, às vezes para se encontrar com o divino basta olhar para dentro de si mesmo.
SERVIÇO
www.opusangelorum.org
www.cancaonova.com
www.budismotibetano.com.br
www.jardimdharma.org.br
www.chagdud.org
www.princesstravel.com.br
www.andancastur.com.br
O prazer de ser exclusivo
Matéria publicada na Revista L'uomo Brasil Nov/Dez 2007.
As tão sonhadas férias chegaram e o destino deve ser perfeito.
Por Bianca Moretto
O Ponta dos Ganchos Exclusive Resort, localizado em Santa Catarina, foi recomendado pelo segundo ano consecutivo pelo Guia Condé Nast Johansens, o mais reconhecido guia de hotéis e pousadas do mundo. Ideal para quem procura requinte e privacidade o Resort preparou pacotes especiais para as comemorações de fim de ano.
Você tem a opção de descansar numa praia exclusiva em um dos 20 bangalôs de frente para o mar da Costa Esmeralda e fazer as refeições em um restaurante que oferece toda a sofisticação das melhores cozinhas do mundo. O pacote com 5 noites, a partir de R$ 10.425, inclui todas as refeições e bebidas, exceto alcoólicas, e a Ceia de Natal.
Para o Réveillon, há duas opções de pacotes de 4 a 7 dias, para quem puder prorrogar o descanso e aproveitar o início de 2008 com tranqüilidade desfrutando os prazeres de Santa Catarina.
Qualquer um dos dois pacotes inclui Champagne Veuve Clicquot para o brinde da virada. O Ponta dos Ganchos ainda dispõe do Spa Dior que oferece opções de tratamentos e massagens. Estes podem ser realizados nas tendas montadas de frente para o mar ou nas pequenas ilhas que contornam o resort. Se o caos aéreo te incomoda, uma boa opção é chegar pelo mar. Basta deixar a sua embarcação no Yatch Clube Caiobá que fica bem próximo ao Resort.
TRANSMUTAÇÃO
Há quem prefira se preparar para 2008 com um verdadeiro ritual de purificação física e espiritual. O Spa Unique Garden que fica na Serra da Cantareira, São Paulo, conta com uma bela paisagem em seu terreno de 300 mil metros quadrados. Eleito o Melhor Spa do Brasil pela edição 2008 do Guia Quatro Rodas o Unique se diferencia pelo cultivo de verduras e legumes orgânicos que servem como elemento-chave para o desenvolvimento de cremes, óleos e loções usados em seus tratamentos. Além disso, durante toda a estada, a água servida brota a mais de 300 metros de profundidade nas fontes do terreno e está classificada entre as 7 melhores do mundo. Essa mesma água está presente nos chuveiros, torneiras e piscinas de todo o empreendimento. Quanto as acomodações, é você quem escolhe o tema do ambiente em que irá se hospedar. Na Vila Mediterrânea, os espaços estão harmonizados em cores claras e varanda perfeita para uma boa leitura. A Vila Contemporânea combina com aqueles que preferem o design sofisticado e exclusivo assinado pelo Arquiteto Ruy Ohtake. O Chalé das Flores e o Chalé Presidencial são únicos, privativos e encantadores.
O programa de 4 dias para o Natal, com início em 21 de dezembro inclui café no Tea For 2, almoço no Relais Jardin, ceia na noite de Natal harmonizada com vinho e brindes de Moët Chandon. O Brunch no dia 25/12 com sugestões especiais do chef será acompanhado pelo espumante Chandon Rose. Toda a programação será acompanhada por jazz e bossa nova ao vivo, tradicionalmente presentes nos jantares do Spa Unique Garden. Rituais de renovação com caminhadas, aulas de ioga e meditação comandadas pela equipe do fitness também estão inclusos.
Já o pacote de Réveillon inclui café da manhã e almoço, ceia acompanhada por música ao vivo e brinde de Moët Chandon. A equipe de Spa do Unique Garden também preparou para os 4 dias uma sequência de cerimônias voltadas para a instropecção, a fim de transformar as energias para a chegada do ano novo.
Intitulado de Hamman de Purificação, o programa inclui uma terapia com pasta de oliva com ervas e massagem e um banho de flutuação com sal do Mar Morto. Os hóspedes receberão, durante as cerimônias, pedras energizadas para as novas realizações do ano de 2008. O brunch de Ano Novo, com menu especial do chef, será degustado com champanhe Moët Chandon. Os pacotes de 4 noites custam a partir de R$ 7.710
OUTRAS OPÇÕES
Repaginado, vale conferir o novo Hotel do Frade Golf & Resort, em Angra dos Reis. Localizado na Costa Verde do litroral sul do Rio de Janeiro, o “Novo Frade” fica entre o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Baía da Ilha Grande, próximo dos grandes centros – o resort está a duas horas e media do Rio de Janeiro e a quatro horas e meia de São Paulo – e é o ponto de partida para que os visitantes explorem as maravilhas de Angra dos Reis, no mar e na montanha.
São 161 apartamentos e suítes, 16 bangalôs com piscina privativa, oito restaurantes – dois de alta gastronomia –, três bares, praia exclusiva, piscina, spa, campo profissional de golfe, quadras de tênis de saibro, cimento e grama, campos de futebol, quadras de vôlei de praia, sala de cinema, lojas, piscina natural, cachoeiras, bancos, agência de correio, galeria de arte, marina, agências de mergulho e ecoturismo.
Em frente à Praia do Frade estão as novas suítes, duas jóias da hospedagem assinadas por Sig Bergamin. Com as mudanças todos os apartamentos ganharam mais espaço.
O dois em um rendeu suítes com 86 metros quadrados, no térreo, e com 65 metros quadrados no andar superior. Charmosas e confortáveis acomodações garantem o sossego e descanso dos hóspedes do Novo Frade, que convivem com a tranquilidade da praia exclusiva e da natureza que cerca o resort, com a badalação da Marina Porto do Frade.
CARTÃO POSTAL
Situado a apenas 54km do Recife e a 9km de Porto de Galinhas, na paradisíaca praia de Muro Alto, litoral sul de Pernambuco, encontra-se o Nannai Beach Resort. A praia de Muro Alto teve seu nome originado de um paredão de areia com coqueiros que existem na região. Conhecida por ser um verdadeiro cartão postal e de deixar qualquer turista encantado, a praia é formada por arrecifes que compõem uma belíssima piscina natural com fundo de areia e 2,5km de extensão aproximadamente, onde os hóspedes podem admirar tamanha obra natural enquanto tomam seu café da manhã no restaurante que fica próximo à praia.
ÁLVARO GARNERO E A CONTAGEM REGRESSIVA PARA 2008
O carioca Álvaro Garnero conhece o lado bom da vida. Além de suas funções estratégicas na BrasilInvest, grupo que tem seu pai como fundador, Álvaro também é um empresário com importante participação no mundo do entretenimento. Em 50 por 1, programa que vai ao ar aos sábados na Rede Record, ele “revisita, descreve e apresenta os sabores e as experiências que mais marcaram sua vida”.
Luomo - Você já fez as reservas para o réveillon deste ano? Aonde pretende passar?
Álvaro Garnero - Consegui uma pausa pequena entre as gravações do 50 por 1, que têm me tomado muita dedicação e muito tempo e este ano vou passar o réveillon em Barra Mansa, na Bahia, com o mesmo grupo de amigos com os quais comemoro a passagem do ano há 7 anos - dos quais fazem parte Aécio Neves, Calainho, Accioly e muitos outros. Vamos mais uma vez numa pousada maravilhosa que sempre fechamos para comemorar.
Luomo - Os altos e baixos nos aeroportos podem atrapalhar os planos de viagem? Pegar a estrada vale a pena?
Álvaro Garnero - Qualquer atraso e qualquer protocolo de segurança sempre atrapalha um pouco. Mas os atrasos acabam sendo inevitáveis e a segurança é mais que necessária, então acaba sendo meio ingrato reclamar.
Luomo – Na sua opinião, qual seria o lugar mais badalado para comemorar a virada? Por quê?
Álvaro Garnero - Marrakesh. Nenhuma outra cidade consegue combinar tão bem a riqueza das suas cores com praias inacreditáveis e sabores tão exóticos.
Luomo - E quanto ao mais tranqüilo e exclusivo para curtir as férias?
Álvaro Garnero - Eu tenho viajado tanto que o lugar mais sossegado para passar as férias, no meu caso, seria a minha própria casa. Além disso, é de longe o mais exclusivo.
Luomo - Conte-nos um pouco sobre o réveillon mais incrível da sua vida.
Álvaro Garnero - O réveillon mais incrível da minha vida foram 4 - dentro de um avião privado seguindo o sol. Comemoramos 4 vezes.
Luomo - O que não pode faltar na contagem regressiva?
Álvaro Garnero - Os amigos.
SERVIÇO
Unique Garden Hotel & Spa – Estrada Laramara, 3500 – Serra da Cantareira – SP – Tel. 11 4486.8700
www.uniquegarden.com.br
Ponta dos Ganchos – Governador Celso Ramos – Santa Catarina – SC – Tel. 48 3262.5000
www.pontadosganchos.com.br
Novo Frade – BR 101 – km 508 – Praia do Frade, Angra dos Reis – Rio de Janeiro – RJ – Tel. 24 3369.9500 – Toll Free: 0800.8819500
Nannai Beach Resort – Tel. 81 3552.0100 – reservas@nannai.com.br
As tão sonhadas férias chegaram e o destino deve ser perfeito.
Por Bianca Moretto
O Ponta dos Ganchos Exclusive Resort, localizado em Santa Catarina, foi recomendado pelo segundo ano consecutivo pelo Guia Condé Nast Johansens, o mais reconhecido guia de hotéis e pousadas do mundo. Ideal para quem procura requinte e privacidade o Resort preparou pacotes especiais para as comemorações de fim de ano.
Você tem a opção de descansar numa praia exclusiva em um dos 20 bangalôs de frente para o mar da Costa Esmeralda e fazer as refeições em um restaurante que oferece toda a sofisticação das melhores cozinhas do mundo. O pacote com 5 noites, a partir de R$ 10.425, inclui todas as refeições e bebidas, exceto alcoólicas, e a Ceia de Natal.
Para o Réveillon, há duas opções de pacotes de 4 a 7 dias, para quem puder prorrogar o descanso e aproveitar o início de 2008 com tranqüilidade desfrutando os prazeres de Santa Catarina.
Qualquer um dos dois pacotes inclui Champagne Veuve Clicquot para o brinde da virada. O Ponta dos Ganchos ainda dispõe do Spa Dior que oferece opções de tratamentos e massagens. Estes podem ser realizados nas tendas montadas de frente para o mar ou nas pequenas ilhas que contornam o resort. Se o caos aéreo te incomoda, uma boa opção é chegar pelo mar. Basta deixar a sua embarcação no Yatch Clube Caiobá que fica bem próximo ao Resort.
TRANSMUTAÇÃO
Há quem prefira se preparar para 2008 com um verdadeiro ritual de purificação física e espiritual. O Spa Unique Garden que fica na Serra da Cantareira, São Paulo, conta com uma bela paisagem em seu terreno de 300 mil metros quadrados. Eleito o Melhor Spa do Brasil pela edição 2008 do Guia Quatro Rodas o Unique se diferencia pelo cultivo de verduras e legumes orgânicos que servem como elemento-chave para o desenvolvimento de cremes, óleos e loções usados em seus tratamentos. Além disso, durante toda a estada, a água servida brota a mais de 300 metros de profundidade nas fontes do terreno e está classificada entre as 7 melhores do mundo. Essa mesma água está presente nos chuveiros, torneiras e piscinas de todo o empreendimento. Quanto as acomodações, é você quem escolhe o tema do ambiente em que irá se hospedar. Na Vila Mediterrânea, os espaços estão harmonizados em cores claras e varanda perfeita para uma boa leitura. A Vila Contemporânea combina com aqueles que preferem o design sofisticado e exclusivo assinado pelo Arquiteto Ruy Ohtake. O Chalé das Flores e o Chalé Presidencial são únicos, privativos e encantadores.
O programa de 4 dias para o Natal, com início em 21 de dezembro inclui café no Tea For 2, almoço no Relais Jardin, ceia na noite de Natal harmonizada com vinho e brindes de Moët Chandon. O Brunch no dia 25/12 com sugestões especiais do chef será acompanhado pelo espumante Chandon Rose. Toda a programação será acompanhada por jazz e bossa nova ao vivo, tradicionalmente presentes nos jantares do Spa Unique Garden. Rituais de renovação com caminhadas, aulas de ioga e meditação comandadas pela equipe do fitness também estão inclusos.
Já o pacote de Réveillon inclui café da manhã e almoço, ceia acompanhada por música ao vivo e brinde de Moët Chandon. A equipe de Spa do Unique Garden também preparou para os 4 dias uma sequência de cerimônias voltadas para a instropecção, a fim de transformar as energias para a chegada do ano novo.
Intitulado de Hamman de Purificação, o programa inclui uma terapia com pasta de oliva com ervas e massagem e um banho de flutuação com sal do Mar Morto. Os hóspedes receberão, durante as cerimônias, pedras energizadas para as novas realizações do ano de 2008. O brunch de Ano Novo, com menu especial do chef, será degustado com champanhe Moët Chandon. Os pacotes de 4 noites custam a partir de R$ 7.710
OUTRAS OPÇÕES
Repaginado, vale conferir o novo Hotel do Frade Golf & Resort, em Angra dos Reis. Localizado na Costa Verde do litroral sul do Rio de Janeiro, o “Novo Frade” fica entre o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Baía da Ilha Grande, próximo dos grandes centros – o resort está a duas horas e media do Rio de Janeiro e a quatro horas e meia de São Paulo – e é o ponto de partida para que os visitantes explorem as maravilhas de Angra dos Reis, no mar e na montanha.
São 161 apartamentos e suítes, 16 bangalôs com piscina privativa, oito restaurantes – dois de alta gastronomia –, três bares, praia exclusiva, piscina, spa, campo profissional de golfe, quadras de tênis de saibro, cimento e grama, campos de futebol, quadras de vôlei de praia, sala de cinema, lojas, piscina natural, cachoeiras, bancos, agência de correio, galeria de arte, marina, agências de mergulho e ecoturismo.
Em frente à Praia do Frade estão as novas suítes, duas jóias da hospedagem assinadas por Sig Bergamin. Com as mudanças todos os apartamentos ganharam mais espaço.
O dois em um rendeu suítes com 86 metros quadrados, no térreo, e com 65 metros quadrados no andar superior. Charmosas e confortáveis acomodações garantem o sossego e descanso dos hóspedes do Novo Frade, que convivem com a tranquilidade da praia exclusiva e da natureza que cerca o resort, com a badalação da Marina Porto do Frade.
CARTÃO POSTAL
Situado a apenas 54km do Recife e a 9km de Porto de Galinhas, na paradisíaca praia de Muro Alto, litoral sul de Pernambuco, encontra-se o Nannai Beach Resort. A praia de Muro Alto teve seu nome originado de um paredão de areia com coqueiros que existem na região. Conhecida por ser um verdadeiro cartão postal e de deixar qualquer turista encantado, a praia é formada por arrecifes que compõem uma belíssima piscina natural com fundo de areia e 2,5km de extensão aproximadamente, onde os hóspedes podem admirar tamanha obra natural enquanto tomam seu café da manhã no restaurante que fica próximo à praia.
ÁLVARO GARNERO E A CONTAGEM REGRESSIVA PARA 2008
O carioca Álvaro Garnero conhece o lado bom da vida. Além de suas funções estratégicas na BrasilInvest, grupo que tem seu pai como fundador, Álvaro também é um empresário com importante participação no mundo do entretenimento. Em 50 por 1, programa que vai ao ar aos sábados na Rede Record, ele “revisita, descreve e apresenta os sabores e as experiências que mais marcaram sua vida”.
Luomo - Você já fez as reservas para o réveillon deste ano? Aonde pretende passar?
Álvaro Garnero - Consegui uma pausa pequena entre as gravações do 50 por 1, que têm me tomado muita dedicação e muito tempo e este ano vou passar o réveillon em Barra Mansa, na Bahia, com o mesmo grupo de amigos com os quais comemoro a passagem do ano há 7 anos - dos quais fazem parte Aécio Neves, Calainho, Accioly e muitos outros. Vamos mais uma vez numa pousada maravilhosa que sempre fechamos para comemorar.
Luomo - Os altos e baixos nos aeroportos podem atrapalhar os planos de viagem? Pegar a estrada vale a pena?
Álvaro Garnero - Qualquer atraso e qualquer protocolo de segurança sempre atrapalha um pouco. Mas os atrasos acabam sendo inevitáveis e a segurança é mais que necessária, então acaba sendo meio ingrato reclamar.
Luomo – Na sua opinião, qual seria o lugar mais badalado para comemorar a virada? Por quê?
Álvaro Garnero - Marrakesh. Nenhuma outra cidade consegue combinar tão bem a riqueza das suas cores com praias inacreditáveis e sabores tão exóticos.
Luomo - E quanto ao mais tranqüilo e exclusivo para curtir as férias?
Álvaro Garnero - Eu tenho viajado tanto que o lugar mais sossegado para passar as férias, no meu caso, seria a minha própria casa. Além disso, é de longe o mais exclusivo.
Luomo - Conte-nos um pouco sobre o réveillon mais incrível da sua vida.
Álvaro Garnero - O réveillon mais incrível da minha vida foram 4 - dentro de um avião privado seguindo o sol. Comemoramos 4 vezes.
Luomo - O que não pode faltar na contagem regressiva?
Álvaro Garnero - Os amigos.
SERVIÇO
Unique Garden Hotel & Spa – Estrada Laramara, 3500 – Serra da Cantareira – SP – Tel. 11 4486.8700
www.uniquegarden.com.br
Ponta dos Ganchos – Governador Celso Ramos – Santa Catarina – SC – Tel. 48 3262.5000
www.pontadosganchos.com.br
Novo Frade – BR 101 – km 508 – Praia do Frade, Angra dos Reis – Rio de Janeiro – RJ – Tel. 24 3369.9500 – Toll Free: 0800.8819500
Nannai Beach Resort – Tel. 81 3552.0100 – reservas@nannai.com.br
3 de out. de 2007
Você faz a diferença?
Matéria publicada na Revista L'UOMO Setembro/Outubro-2007.
Fazer parte do time de executivos bem-sucedidos e requisitados pelo mercado não é uma tarefa simples. O profissional precisa preencher uma série de características que fazem, e muita, diferença.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Até pouco tempo atráspara ser um executivo de sucesso, objeto de desejo das maiores empresas, bastava gerar lucro a qualquer preço. Hoje nem todas as organizações pensam e agem assim. Uma nova geração de gestores de pessoas, com visão integrada, está a caminho. Aquele executivo que se dedicava predominantemente a tarefas administrativas e rotineiras também cedeu lugar a outro, preocupado com o desenvolvimento do capital humano, de novas competências, formação de talentos, de lideranças, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, inserção não invasiva da empresa na comunidade, de forma ética e com responsabilidade social. Claro, também voltado para a geração sustentável de lucros, de tal sorte que as metas financeiras não comprometam a harmonia interna e se situem dentro de uma relação saudável com os funcionários.
Irene Azevedo, professora da Brazilian Business School e também sócia associada da Keseberg & Partners, uma das cinco maiores no setor de seleção e recrutamento de altos executivos, acrescenta novos ingredientes à fórmula de sucesso dos que agora fazem a diferença no ambiente corporativo brasileiro: equilíbrio e agilidade. Para adquirir tais virtudes só há um caminho: o auto-conhecimento. Vale terapia, exercício diário de leitura e mesmo meditação, afinal o processo de crescimento pessoal deve ser constante e eterno. “Quem está seguro de si se torna capaz de escutar e entender melhor os seus liderados”, resume Irene. “É preciso liderar pela diversidade, contratar pessoas que supram as minhas deficiências e não, simplesmente, alguém que seja uma mera cópia de mim mesma”, acrescenta eIa. "Um líder que faz a diferença é capaz de preparar um sucessor e contrata pessoas que poderão vir a ser tão aptas quanto ele. Não gerencia pela mediocridade, mas trabalha para que todo o grupo se desenvolva. Isso se faz atribuindo responsabilidades e verificando quais são as necessidades deste grupo", acrescenta.
No mundo globalizado vence quem está disponível para total mudança e se torna uma pessoa sem fronteiras. Além disso, a humildade de admitir que não sabe tudo e a coragem de enfrentar os desafios são características fundamentais em um líder. Muitas vezes, quando um alto executivo é contratado, a companhia em questão precisa de mudanças radicais para manter uma linha de crescimento. Neste caso, a percepção do profissional deve estar aguçada para tomar atitudes coerentes e éticas, ou seja, para encontrar o equilíbrio entre o balanço financeiro e a integridade dos funcionários.
Outro ponto que Irene relembra é que "o network não pode morrer”. Fazer marketing pessoal e se apossar das suas habilidades e características, é tão importante quanto saber usá-las na hora correta e de acordo com cada ocasião. A técnica de questionar os seus funcionários para que eles próprios assimilem como solucionar os problemas do seu departamento, também conhecida como coaching, é uma característica essencial para executivos em cargos de liderança. E para não perder as rédeas, mesmo em situações e ambientes de total ambigüidade, use a resiliência pessoal. Ou seja, tenha autocontrole, conheça bem o território, fique informado sobre os recursos disponíveis e trace um plano de ação.
Hoje, a palavra chave que as companhias buscam é sustentabilidade. “Resultados que sejam de longo prazo e que levem em conta todos os stakeholders - funcionários, clientes e até a sociedade de um modo geral. Não basta melhorar a empresa, um líder deve se preocupar em construir um mundo melhor”, explica a associada da Keseberg.
João Ramires, 35 anos, CEO da Coca-Cola em Cingapura.
ELES FAZEM A DIFERENÇA
João Ramires é um dos que definitivamente faz diferença. Aos 35 anos, é formado na área financeira, com MBA em finanças e treinamentos executivos no INSEAD da França, e Wharton nos Estados Unidos. Além da língua nativa, é fluente em inglês e espanhol. Para ele fazer as malas não parece ser problema, já que nos últimos 10 anos, morou nos Estados Unidos, Cingapura, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará. Hoje como contratado da Coca-Cola em Atlanta, é um CEO expatriado da engarrafadora em Cingapura e tem como missão tornar o mercado de Cingapura uma das referências na Ásia. “O foco em pessoas e talentos é uma das prioridades, a fim de desenvolver líderes com o foco em resultado e de alta performance. O somatório de culturas e experiências, de pessoas do Brasil, China, Índia, Malasya, Filipinas etc, trabalhando como uma verdadeira equipe, gera uma alanvacagem enorme, em termos de idéias, atitudes e resultados”, explica ele.
A liderança servidora de que se tanto fala atualmente nunca foi tão necessária. Um verdadeiro líder entende que desenvolver pessoas é mais do que um trabalho, é uma possibilidade de agregar valor. Não só na vida profissional, mas também na vida pessoal de seus liderados. Habilidades desenvolvidas no mundo empresarial, como saber ouvir ou desenvolver sua sensibilidade em gerenciar conflitos e lidar com gente, são aplicáveis na vida pessoal. Promoções, melhores salários, grandes desafios, ser um executivo de alto escalão, são apenas consequência dessa postura. “Tenho muitas metas, porém a mais importante é ser feliz com minha família. Sem ela, minhas realizações profissionais não valem a pena!”, enfatiza.
Rogerio Oliveira é outro nome que faz diferença no mercado. Assumiu a presidência da IBM Brasil, em 2002, e tem como principal missão conduzir um processo de transformação na empresa. De lá pra cá, a companhia aumentou seu foco em serviços, duplicou de tamanho em termos de faturamento e número de funcionários e ainda entrou para a lista das 10 maiores IBMs no mundo. Rogerio é formado em Ciências da Computação pela UNICAMP, com pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP. Além de falar fluentemente inglês e espanhol, já trabalhou nos EUA e Colômbia. Antes de ser nomeado presidente da IBM Brasil há 5 anos, atuou como vice-presidente da IBM Brasil, do setor financeiro para a América Latina e assumiu a gerência geral da empresa. Segundo ele, "um líder deve saber escolher as pessoas certas e depois ter a capacidade de trabalhar e conviver da melhor forma com elas". Ele acredita no poder do time, por isso valoriza princípios como colaboração e integração. Procura passar sempre para a sua equipe a importância de saber ouvir, trocar opiniões e delegar na hora certa.
Sobre o mercado, Rogerio explica que "o executivo precisa estar atualizado e bem informado; entender o contexto e o cenário da indústria que representa; conhecer bem e manter um ótimo relacionamento com seus clientes e parceiros". No mundo globalizado e em constante mudança, é essencial ter flexibilidade e adaptabilidade além de entender os impactos que a globalização traz para os negócios e para a sociedade em geral. Gerenciar os processos de negócios para produzir um impacto positivo e colaborar para o desenvolvimento do bem-estar da sociedade também é seu papel. Rogerio considera importante "ter consciência de que as decisões de negócios não estão mais exclusivamente nas mãos das empresas. O mundo agora é colaborativo, e este modelo é construído pelos parceiros, funcionários, clientes, e outras entidades da sociedade. Esse mundo interconectado em que vivemos está gerando mudanças significativas nos modelos de negócios, vai sobreviver quem entender e embarcar primeiro nesta nova onda".
Por fim, ele reconhece que "um bom líder tem que cuidar de si mesmo, em termos de saúde e preparo físico, para aguentar a agenda cheia, as viagens, a pluralidade de assuntos, decisões e pressões". Rogerio não tem data para se aposentar e pretende continuar trabalhando enquanto puder contribuir e fazer diferença na IBM e na sociedade.
O PERFIL DOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
A Watson Wyatt Worldwide possui inúmeras pesquisas e estudos sobre o assunto e o consultor de capital humano, Antonio Botelho, nos disse que “cada vez mais, questões inerentes à ética e valores, morais e pessoais, estão sendo analisadas, cobradas e reconhecidas como agente integrante do sucesso em sua plenitude". Para presidentes, diretores ou gerentes “são valorizados e esperados, além de resultados econômico-financeiros sustentáveis e agressivos, formação acadêmica ou técnica e fluência em idiomas, reciclagem constante, experiência multicultural, etc. Além disso, o profissional deve ser comprometido com a organização, o negócio e a cadeia de relacionamentos (clientes, fornecedores e parceiros)". Dinamismo, flexibilidade, comunicação eficaz, negociação, relacionamento interpessoal, trabalho em equipe e liderança de pessoas e de projetos também são imprescindíveis.
As empresas são aficionadas por profissionais que fazem acontecer e para atraí-los “desafios profissionais, pacote de remuneração, autonomia, poder e possibilidades de ascensão na carreira no curto e médio prazos são as variáveis estratégicas mais utilizadas para convencer executivos que agreguem valor.” Os benefícios não páram e podem incluir muito mais, desde blindagem de automóvel a participação nos lucros.
Se você está no felizardo grupo dos executivos que fazem a diferença: sorria, seu futuro promissor promete muito mais do que se pode sonhar.
E NA HORA DE MUDAR?
Nesse contexto, muitas vezes o executivo precisa ou quer mudar de empresa. A D. Queiroz Associados oferece há 19 anos assessoria a executivos que almejam cargos mais elevados. Newton Lima observa que “nunca viu o mercado tão favorável quanto agora. Em 2006 tínhamos em média 450 vagas, neste ano são 900”. Grandes empresas como Nestlé, Arno, Tetra Pak, Albert Einsten, Accor, geralmente recorrem a este serviço, mas é o candidato que arca com os custos.
O headhunter Ricardo Gambarotto da Spencer Stuart, uma das maiores do mundo no setor de recrutamento, explica que muitas vezes o candidato perfeito já está empregado e não quer deixar a empresa atual, aí entram as propostas milionárias. Nesse processo de mudança existe uma garantia caso "o executivo deixe a companhia por incompatibilidade de estilo, mudança de cargo ou dificuldade para adaptar-se a cultura". Aliás, esse último é um ponto em que mais uma vez, o executivo versátil faz muita diferença. Executivos latino americanos que precisam migrar de estado, ou de país, sofrem muito com as mudanças culturais. “Mesmo dentro do território brasileiro há diferenças culturais a quais os profissionais não querem se sujeitar. Este fenômeno não acontece na Europa.” Quem estiver pronto para o desafio, com certeza vai levar vantagem.
Se o caso for de demissão o executivo também não fica desamparado. Empresas como a Lens & Minarelli e a DBM, prestam consultoria especializada em Outplacement ou recolocação no mercado De acordo com José Augusto Minarelli, o termo nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, quando as companhias sentiram necessidade de dar uma atenção especial a colaboradores de anos que por alguma razão foram demitidos. O processo consiste em orientar e direcionar o executivo para ser recolocado em outra empresa ou abrir seu próprio negócio. Alguns aproveitam o momento e se aposentam. Cláudio Garcia da DBM, acredita que o serviço de outplacement funciona porque “faz justiça ao profissional demitido e motiva aqueles que ficam e observam o cuidado tomado pela empresa na hora do desligamento”.
Fazer parte do time de executivos bem-sucedidos e requisitados pelo mercado não é uma tarefa simples. O profissional precisa preencher uma série de características que fazem, e muita, diferença.
Por Bianca Moretto e Viviane Lopes
Até pouco tempo atráspara ser um executivo de sucesso, objeto de desejo das maiores empresas, bastava gerar lucro a qualquer preço. Hoje nem todas as organizações pensam e agem assim. Uma nova geração de gestores de pessoas, com visão integrada, está a caminho. Aquele executivo que se dedicava predominantemente a tarefas administrativas e rotineiras também cedeu lugar a outro, preocupado com o desenvolvimento do capital humano, de novas competências, formação de talentos, de lideranças, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, inserção não invasiva da empresa na comunidade, de forma ética e com responsabilidade social. Claro, também voltado para a geração sustentável de lucros, de tal sorte que as metas financeiras não comprometam a harmonia interna e se situem dentro de uma relação saudável com os funcionários.
Irene Azevedo, professora da Brazilian Business School e também sócia associada da Keseberg & Partners, uma das cinco maiores no setor de seleção e recrutamento de altos executivos, acrescenta novos ingredientes à fórmula de sucesso dos que agora fazem a diferença no ambiente corporativo brasileiro: equilíbrio e agilidade. Para adquirir tais virtudes só há um caminho: o auto-conhecimento. Vale terapia, exercício diário de leitura e mesmo meditação, afinal o processo de crescimento pessoal deve ser constante e eterno. “Quem está seguro de si se torna capaz de escutar e entender melhor os seus liderados”, resume Irene. “É preciso liderar pela diversidade, contratar pessoas que supram as minhas deficiências e não, simplesmente, alguém que seja uma mera cópia de mim mesma”, acrescenta eIa. "Um líder que faz a diferença é capaz de preparar um sucessor e contrata pessoas que poderão vir a ser tão aptas quanto ele. Não gerencia pela mediocridade, mas trabalha para que todo o grupo se desenvolva. Isso se faz atribuindo responsabilidades e verificando quais são as necessidades deste grupo", acrescenta.
No mundo globalizado vence quem está disponível para total mudança e se torna uma pessoa sem fronteiras. Além disso, a humildade de admitir que não sabe tudo e a coragem de enfrentar os desafios são características fundamentais em um líder. Muitas vezes, quando um alto executivo é contratado, a companhia em questão precisa de mudanças radicais para manter uma linha de crescimento. Neste caso, a percepção do profissional deve estar aguçada para tomar atitudes coerentes e éticas, ou seja, para encontrar o equilíbrio entre o balanço financeiro e a integridade dos funcionários.
Outro ponto que Irene relembra é que "o network não pode morrer”. Fazer marketing pessoal e se apossar das suas habilidades e características, é tão importante quanto saber usá-las na hora correta e de acordo com cada ocasião. A técnica de questionar os seus funcionários para que eles próprios assimilem como solucionar os problemas do seu departamento, também conhecida como coaching, é uma característica essencial para executivos em cargos de liderança. E para não perder as rédeas, mesmo em situações e ambientes de total ambigüidade, use a resiliência pessoal. Ou seja, tenha autocontrole, conheça bem o território, fique informado sobre os recursos disponíveis e trace um plano de ação.
Hoje, a palavra chave que as companhias buscam é sustentabilidade. “Resultados que sejam de longo prazo e que levem em conta todos os stakeholders - funcionários, clientes e até a sociedade de um modo geral. Não basta melhorar a empresa, um líder deve se preocupar em construir um mundo melhor”, explica a associada da Keseberg.
João Ramires, 35 anos, CEO da Coca-Cola em Cingapura.ELES FAZEM A DIFERENÇA
João Ramires é um dos que definitivamente faz diferença. Aos 35 anos, é formado na área financeira, com MBA em finanças e treinamentos executivos no INSEAD da França, e Wharton nos Estados Unidos. Além da língua nativa, é fluente em inglês e espanhol. Para ele fazer as malas não parece ser problema, já que nos últimos 10 anos, morou nos Estados Unidos, Cingapura, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará. Hoje como contratado da Coca-Cola em Atlanta, é um CEO expatriado da engarrafadora em Cingapura e tem como missão tornar o mercado de Cingapura uma das referências na Ásia. “O foco em pessoas e talentos é uma das prioridades, a fim de desenvolver líderes com o foco em resultado e de alta performance. O somatório de culturas e experiências, de pessoas do Brasil, China, Índia, Malasya, Filipinas etc, trabalhando como uma verdadeira equipe, gera uma alanvacagem enorme, em termos de idéias, atitudes e resultados”, explica ele.
A liderança servidora de que se tanto fala atualmente nunca foi tão necessária. Um verdadeiro líder entende que desenvolver pessoas é mais do que um trabalho, é uma possibilidade de agregar valor. Não só na vida profissional, mas também na vida pessoal de seus liderados. Habilidades desenvolvidas no mundo empresarial, como saber ouvir ou desenvolver sua sensibilidade em gerenciar conflitos e lidar com gente, são aplicáveis na vida pessoal. Promoções, melhores salários, grandes desafios, ser um executivo de alto escalão, são apenas consequência dessa postura. “Tenho muitas metas, porém a mais importante é ser feliz com minha família. Sem ela, minhas realizações profissionais não valem a pena!”, enfatiza.
Rogerio Oliveira é outro nome que faz diferença no mercado. Assumiu a presidência da IBM Brasil, em 2002, e tem como principal missão conduzir um processo de transformação na empresa. De lá pra cá, a companhia aumentou seu foco em serviços, duplicou de tamanho em termos de faturamento e número de funcionários e ainda entrou para a lista das 10 maiores IBMs no mundo. Rogerio é formado em Ciências da Computação pela UNICAMP, com pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP. Além de falar fluentemente inglês e espanhol, já trabalhou nos EUA e Colômbia. Antes de ser nomeado presidente da IBM Brasil há 5 anos, atuou como vice-presidente da IBM Brasil, do setor financeiro para a América Latina e assumiu a gerência geral da empresa. Segundo ele, "um líder deve saber escolher as pessoas certas e depois ter a capacidade de trabalhar e conviver da melhor forma com elas". Ele acredita no poder do time, por isso valoriza princípios como colaboração e integração. Procura passar sempre para a sua equipe a importância de saber ouvir, trocar opiniões e delegar na hora certa.
Sobre o mercado, Rogerio explica que "o executivo precisa estar atualizado e bem informado; entender o contexto e o cenário da indústria que representa; conhecer bem e manter um ótimo relacionamento com seus clientes e parceiros". No mundo globalizado e em constante mudança, é essencial ter flexibilidade e adaptabilidade além de entender os impactos que a globalização traz para os negócios e para a sociedade em geral. Gerenciar os processos de negócios para produzir um impacto positivo e colaborar para o desenvolvimento do bem-estar da sociedade também é seu papel. Rogerio considera importante "ter consciência de que as decisões de negócios não estão mais exclusivamente nas mãos das empresas. O mundo agora é colaborativo, e este modelo é construído pelos parceiros, funcionários, clientes, e outras entidades da sociedade. Esse mundo interconectado em que vivemos está gerando mudanças significativas nos modelos de negócios, vai sobreviver quem entender e embarcar primeiro nesta nova onda".
Por fim, ele reconhece que "um bom líder tem que cuidar de si mesmo, em termos de saúde e preparo físico, para aguentar a agenda cheia, as viagens, a pluralidade de assuntos, decisões e pressões". Rogerio não tem data para se aposentar e pretende continuar trabalhando enquanto puder contribuir e fazer diferença na IBM e na sociedade.
O PERFIL DOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
A Watson Wyatt Worldwide possui inúmeras pesquisas e estudos sobre o assunto e o consultor de capital humano, Antonio Botelho, nos disse que “cada vez mais, questões inerentes à ética e valores, morais e pessoais, estão sendo analisadas, cobradas e reconhecidas como agente integrante do sucesso em sua plenitude". Para presidentes, diretores ou gerentes “são valorizados e esperados, além de resultados econômico-financeiros sustentáveis e agressivos, formação acadêmica ou técnica e fluência em idiomas, reciclagem constante, experiência multicultural, etc. Além disso, o profissional deve ser comprometido com a organização, o negócio e a cadeia de relacionamentos (clientes, fornecedores e parceiros)". Dinamismo, flexibilidade, comunicação eficaz, negociação, relacionamento interpessoal, trabalho em equipe e liderança de pessoas e de projetos também são imprescindíveis.
As empresas são aficionadas por profissionais que fazem acontecer e para atraí-los “desafios profissionais, pacote de remuneração, autonomia, poder e possibilidades de ascensão na carreira no curto e médio prazos são as variáveis estratégicas mais utilizadas para convencer executivos que agreguem valor.” Os benefícios não páram e podem incluir muito mais, desde blindagem de automóvel a participação nos lucros.
Se você está no felizardo grupo dos executivos que fazem a diferença: sorria, seu futuro promissor promete muito mais do que se pode sonhar.
E NA HORA DE MUDAR?
Nesse contexto, muitas vezes o executivo precisa ou quer mudar de empresa. A D. Queiroz Associados oferece há 19 anos assessoria a executivos que almejam cargos mais elevados. Newton Lima observa que “nunca viu o mercado tão favorável quanto agora. Em 2006 tínhamos em média 450 vagas, neste ano são 900”. Grandes empresas como Nestlé, Arno, Tetra Pak, Albert Einsten, Accor, geralmente recorrem a este serviço, mas é o candidato que arca com os custos.
O headhunter Ricardo Gambarotto da Spencer Stuart, uma das maiores do mundo no setor de recrutamento, explica que muitas vezes o candidato perfeito já está empregado e não quer deixar a empresa atual, aí entram as propostas milionárias. Nesse processo de mudança existe uma garantia caso "o executivo deixe a companhia por incompatibilidade de estilo, mudança de cargo ou dificuldade para adaptar-se a cultura". Aliás, esse último é um ponto em que mais uma vez, o executivo versátil faz muita diferença. Executivos latino americanos que precisam migrar de estado, ou de país, sofrem muito com as mudanças culturais. “Mesmo dentro do território brasileiro há diferenças culturais a quais os profissionais não querem se sujeitar. Este fenômeno não acontece na Europa.” Quem estiver pronto para o desafio, com certeza vai levar vantagem.
Se o caso for de demissão o executivo também não fica desamparado. Empresas como a Lens & Minarelli e a DBM, prestam consultoria especializada em Outplacement ou recolocação no mercado De acordo com José Augusto Minarelli, o termo nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, quando as companhias sentiram necessidade de dar uma atenção especial a colaboradores de anos que por alguma razão foram demitidos. O processo consiste em orientar e direcionar o executivo para ser recolocado em outra empresa ou abrir seu próprio negócio. Alguns aproveitam o momento e se aposentam. Cláudio Garcia da DBM, acredita que o serviço de outplacement funciona porque “faz justiça ao profissional demitido e motiva aqueles que ficam e observam o cuidado tomado pela empresa na hora do desligamento”.
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